<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259</id><updated>2012-02-03T20:38:32.795-02:00</updated><category term='Fortuna Crítica'/><category term='Puro enquanto'/><category term='Televisão'/><category term='teatro'/><category term='Artigos'/><category term='Cinema'/><category term='rock'/><category term='Literatura'/><category term='Poemas'/><category term='Arte'/><category term='Crônicas'/><category term='&quot;metafísicas&quot;'/><category term='Humor'/><category term='Contos'/><category term='Terrorismo poético'/><category term='Política'/><category term='cronicas'/><category term='futebol'/><title type='text'>L'Enfant Le Terrible</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>154</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-429229443454803458</id><published>2010-11-21T21:06:00.011-02:00</published><updated>2011-02-28T15:02:12.728-03:00</updated><title type='text'>Nota final</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Como é que se introduz o encerramento de algo que, no fim das contas, é um começo? Acho que contando brevemente a tortuosa trajetória que me trouxe até aqui. A primeira atividade criativa que me ocupou foram os quadrinhos. As referências que eu tinha eram Turma da Mônica, que eu consumia aos montes, e a Chiclete com Banana do Angeli, que eu pegava meio escondido das coisas do meu pai. Eu e meu vizinho Fê bolávamos e desenhávamos histórias absurdas, onde piadas sujas iam entrando em um universo à primeira vista infantil. Um dos personagens era o Pafúncio, que uma vez fingiu suicídio para comover parentes e colegas, mas, contrariando sua expectativa, deixou todos felizes com sua presumida morte. Alguns anos depois,&amp;nbsp; descobri que o rock acelerava minha pulsação e escrevi algumas letras esquisitas. E falava para meus amigos mais próximos, de brincadeira: "Decidi que vou ser famoso". O problema era que eu não sabia cantar nem tocar nada, mas isso era o de menos: eu começava a entender que arte podia ser catártica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém mais do que eu precisava de estímulos estéticos capazes de provocar alguma transformação. Quando criança, eu era patologicamente tímido. Patológico, afinal posso dizer sem muito medo de errar que eu era o mais travado da escola inteira. O curioso é que uma vez meu pai sugeriu que eu fizesse análise para lidar com isso, mas fui reticente. Por mais frustrado que me sentisse, tive medo que "me curar" pudesse estragar minha criatividade. Eu ainda nem tinha criado nada de que realmente me orgulhasse, mas já começava a intuir que meu caminho seria pela arte. Quando tive conhecimento de literatura subversiva (começando por Rubem Fonseca) e das vanguardas artistícas europeias, pressenti que poderia estar meio lento nos primeiros passos, mas que havia um caminho alternativo a&amp;nbsp; perseguir. Então, em vez de consultar um analista, na adolescência fui lendo Freud e me auto-analisando, enquanto artistas malditos dos sons, das letras e das imagens me empurravam para me arriscar mais na vida social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia há uma espécie de consenso instaurado que a arte não transforma ninguém, que no máximo distrai e diverte. Muitos intelectuais repudiam a estética justamente por isso, considerando-na uma espécie de anestésico que minaria o contato com o mundo real. Não é uma questão fácil de responder, afinal ninguém consegue medir o efeito concreto de uma pintura, de uma música ou de um livro nas atitudes de uma pessoa. O que eu posso dizer é que parti de muito pouco, de uma apatia quase autista, e hoje, se contasse tudo que já aprontei, nem Allen Ginsberg poderia dizer que não me experimentei, que não ousei, que não encarei a vida com uma coragem que pouquíssimas pessoas têm. Podem até me repreender, achar que em alguns momentos fui longe demais - e, pela tentativa e erro, algumas vezes fui mesmo - mas lembrando que até os treze anos eu mal abria a boca, conquistei uma liberdade a se considerar. Pode ser que eu esteja enganado, que eu teria ido ainda mais longe sem a companhia da arte, mas eu apostaria a alma que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, não foi uma evolução linear. Aos vinte anos, quando eu começava a me sentir à vontade comigo mesmo de maneira inédita, quando as coisas pareciam se encaixar - eu terminava meu primeiro livro, eu voltava de uma viagem de oito meses da Europa, eu ingressava na ECA, eu me sentia confiante o bastante para fazer tudo o que desse vontade - no meu melhor momento, entrei em uma crise profunda. Resumindo muito, as cinco pessoas em que eu mais confiava na época me decepcionaram bruscamente em menos de seis meses. Foi como se todas minhas paranoias de rejeição se provassem reais, e não a mera insegurança que pareciam ser. Pensando hoje no assunto, acho que todos estavam tão acostumados com o velho Ivan que não quiseram aceitar que ele estava mudando tão rápido, pouco importando que ele estivesse melhor e mais simpático que antes. Eles me atacaram de maneiras que eu não poderia prever e, como foram cinco ao mesmo tempo, não aguentei muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é à toa que tanta gente acha o &lt;i&gt;Será&lt;/i&gt; um livro pesado. Eu até que tento, no final,&amp;nbsp; mostrar que dá para descer bem fundo no abismo e voltar, mas antes disso o leitor pode vislumbrar o estado em que eu me encontrava. A meu ver, não deixa de ser uma tentativa desesperada de salvação, e acho que escrevê-lo me ajudou a me recuperar, porém há uma descida até o mais desolador dos infernos antes da esperança. Os anos mais agudos da crise não deixaram de ser anos de aprendizado, em que minha única opção era perder tudo o que ainda me restasse de ingenuidade, aceitar as pessoas como elas são, e buscar freneticamente maneiras de afirmar a vida, apesar das intempéries. Nada muito leve surtiria efeito porque não me pareceria convincente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que com a ajuda da Telma, a namorada que não entendo como me suportou por mais de três anos, Nietzsche e boa arte, eu poderia ter me restabelecido um tanto mais cedo do que de fato aconteceu. Quem conhece meus textos sobre arte contemporânea agora pode entender melhor porque são tão viscerais. Também foi aos vinte anos que tomei conhecimento da chamada &lt;i&gt;morte da arte&lt;/i&gt;. Eu entrei na faculdade desavisado, animado por milhares de pinturas que eu tinha visto na minha estadia europeia. Kandinsky, Miró, Picasso, Goya, Bosch, Rembrandt, Van Gogh, todos os que eu só conhecia por reprodução, vistos ao vivo me causavam um bem enorme, era como se preenchessem pedaços de mim que, por defeito de fabricação, estavam me faltando. Mas eis que entro na faculdade e começo a me inteirar da crítica atual, quase hegemônica, que tenta fazer meus herois parecerem tão conservadores quanto os mais medíocres dos fascistas. E provavelmente teria sido melhor ignorar essa besteira pós-moderna, mas eu fiquei na dúvida por um tempo. Estava meio difícil seguir a intuição, porque a intuição também me dizia que eu jamais me sentiria tão miserável, mas a previsão falhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento em que eu mais precisava de arte, um dos poucos apoios que me restavam, fui bombardeado por uma ideologia intransigente que simplesmente tentava me fazer sentir um reacionário caso não renunciasse aos artistas que mais me fortaleciam. Só fui me sentindo melhor conforme aprendi a desmontar os argumentos deles, um por um. Isto se concluiu agora, com o &lt;a href="http://diagnosticosdiferenciais.blogspot.com/"&gt;&lt;i&gt;Diagnósticos para uma arte em crise&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, uma espécie de mestrado outsider. Não são meus textos favoritos, gosto mais da minha ficção, mas achei que era necessário refutar a &lt;i&gt;morte da arte &lt;/i&gt;para não deixar mal-entendidos. Eu gostaria de ter lido algo assim quando comecei a estudar, e é um conteúdo que não se encontra em lugar algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez fique mais claro, com tudo que contei, porque estou encerrando o blog. Eu creio estar fechando um grande ciclo. Com o tempo, aquela minha crise pessoal foi mitigando, e já posso dizer que vários dos melhores momentos da minha vida só foram possíveis porque aprendi algo com a queda.&amp;nbsp; Também meu desgosto com a crise da arte foi diminuindo um pouco, a ponto de eu já conseguir apreciar alguns aspectos menos deploráveis dos meus "inimigos". Bem que fico curioso em saber o que seria de mim se a trajetória tivesse sido mais natural, sem desvios abruptos, mas acho que eu não teria chegado tão longe se não fossem as porradas que levei. Passei boa parte da vida me sentindo afastado da realidade, sentindo que havia alguma coisa a que eu não tinha contato efetivo; porém cada vez mais a sensação é, pelo contrário, de que de tanto tentar, acabei aprendendo como que se quebram algumas barreiras. Em outras palavras, entendo cada vez melhor como &lt;i&gt;tocar a pele da vida&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei bem se vai mudar muito o que escreverei no futuro do que o que escrevi até agora. Uma diferença é que não acho que tenho que provar mais nada a ninguém. E outra é que até aqui meus escritos vieram do próprio processo de descoberta, os mares que eu singrava ainda me eram desconhecidos. Hoje sou rodado demais para ficar com &lt;i&gt;L'enfant&lt;/i&gt; no nome. Terrível eu continuarei sendo, isso eu garanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;This is not The End.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;This is The And.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-429229443454803458?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/429229443454803458/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=429229443454803458' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/429229443454803458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/429229443454803458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/11/nota-final.html' title='Nota final'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-6488470999577850022</id><published>2010-10-15T22:07:00.002-03:00</published><updated>2010-10-19T18:16:53.301-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><title type='text'>Diagnósticos diferenciais para uma arte em crise</title><content type='html'>Alguns reclamaram por eu estar me despedindo de L'Enfant Le Terrible. Se servir como prêmio de consolação, reuni meus melhores textos sobre arte em uma espécie de livroblog, &lt;a href="http://diagnosticosdiferenciais.blogspot.com/"&gt;Diagnósticos diferenciais para uma arte em crise&lt;/a&gt;. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt; Para quem quiser conhecer o tratamento de última geração, a casa está aberta. Mais ou menos a metade do livroblog é inédita, outra metade circulou por aqui e por outros canais. Todos os textos foram revisados, ganharam imagens e links para outros endereços para facilitar a vida de vocês. Aliás, achei que lidos em conjunto eles fazem muito mais sentido do que quando ficavam dispersos. Os dois blogs ficam melhores assim - mesmo este aqui, fica mais ligeiro depois da partilha de textos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em L'enfant Le Terrible, ainda quero postar uma Nota final. Assim que eu tiver tempo.&lt;br /&gt;Não se sintam abandonados, ok? Pode não ser aqui, mas vocês ainda vão receber notícias de mim de outros lugares, online e offline.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-6488470999577850022?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/6488470999577850022/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=6488470999577850022' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6488470999577850022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6488470999577850022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/10/diagnosticos-diferenciais-para-uma-arte.html' title='Diagnósticos diferenciais para uma arte em crise'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-2794378721952363370</id><published>2010-10-03T05:37:00.004-03:00</published><updated>2010-10-19T18:32:54.595-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Qual revolução?</title><content type='html'>Antes de encerrar o blog, vou tentar deixar um pouco mais clara minha visão política a quem possa interessar. A melhor maneira de transmitir o conflito em que fico a cada eleição é lembrando que nasci em 14 de julho. Ou seja, mesmo dia da Queda da Bastilha e do nascimento de Buenaventura Durruti.&amp;nbsp;O momento decisivo da Revolução Francesa, que espalhou o&amp;nbsp;espírito democrático para&amp;nbsp;todo o planeta, inclusive em nossas terras; e aniversário do&amp;nbsp;maior guerrilheiro anarquista, figura heroica daquela&amp;nbsp;que talvez tenha sido a luta&amp;nbsp;mais libertária de que temos notícia, a Revolução Espanhola.&amp;nbsp;A coletivização de terras em Aragão e a&amp;nbsp;ocupação&amp;nbsp;de órgãos estratégicos na Catalunha durou pouco demais para que soubéssemos o quanto uma sociedade seria capaz de se manter fielmente anarquista.&amp;nbsp;A democracia, por outro lado, tem sido praticada há tempo demais para que não sintamos que é intrinsicamente falha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas costumam associar anarquismo com desordem, mas quem poderá dizer que é harmonioso o processo democrático em nosso país? Não ficou definido sequer o que haverá com os votos assinalados para os candidatos ficha suja, decisão que foi jogada para depois da convocação às urnas. Claro que nenhuma decepção pode ser mais engraçada do que a de quem fizer questão em votar em um político sob litígio e não puder ter confirmado seu desejo inabalável de ser enganado. A Lei da Ficha Limpa é, de longe, o fato político mais importante destas eleições, muito mais do que a figura que vier a assumir o poder, seja ela quem for. O Projeto Ficha Limpa nos oferece um mínimo de esperança, nem tanto por coibir candidatos criminosos, mais por ter sido uma iniciativa popular. Alguém consegue imaginar um projeto como esse sendo proposto pelos deputados e senadores, restringindo sua própria festa?&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os políticos no Planalto supostamente representam aqueles que neles votaram, no entanto jamais contrariarão seus próprios interesses. Não há como esperar algo muito diferente, pois representam em primeiro lugar aqueles que patrocinam suas campanhas e estes obviamente vão querer algum retorno. A elite econômica sempre será atendida antes do povo, mesmo por governantes que tenham vindo das classes populares. Para chegar ao poder, Lula moderou seu discurso, fez alianças com a direita, foi conivente com a corrupção no congresso, manteve relações das mais ambíguas com Daniel Dantas, entre outros fatos lamentáveis. Mas como poderia ter sido diferente? O famoso comentário de Lula não deixa de ser um desabafo: no Brasil até mesmo Jesus teria que fazer acordos com Judas. E completa: "entre o que você quer e o que você pode fazer tem uma diferença do tamanho do Oceano Atlântico". Não dá para criticar Lula sem criticar o sistema, estamos falando de &lt;i&gt;realpolitik&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justamente por ter visto a velocidade com que o PT foi se deformando conforme saia da oposição para a situação, não consigo me entusiasmar muito por nenhum projeto partidário. Mesmo os que se mantiveram mais à esquerda, não poderão crescer tanto quanto o PT sem fazer concessões semelhantes. Não gosto de generalizações, não acho que todos os políticos sejam iguais, mas mesmo que alguns se salvem individualmente, não dá para&amp;nbsp;ignorar que a tendência natural do sistema é se manter injusto, manipulador e covarde. Algumas melhorias os políticos mais progressistas podem propiciar, até o Plínio admitiu isso - mas é pouco, velhos hábitos tendem a se cristalizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, uma experiência como a da Ficha Limpa, impulsionada pela internet, aponta para possibilidades de uma democracia mais direta. Quanto mais as pessoas se politizarem, quanto mais sentirem que seu papel nas decisões vai muito além da escolha dos candidatos, menor nossa dependência do governo para mudar o país. Sou um tanto &lt;a href="http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/01/alem-dos-bens-e-de-marx.html"&gt;cético &lt;/a&gt;quanto a derrubada do Estado à força, mas vejo em certas iniciativas populares algo que muito agrada meu lado Buenaventura Durruti. Não é a extinção do Poder Central, não é o fim da exploração dos ricos sobre os pobres, mas maneiras de colocar o &lt;i&gt;establishment &lt;/i&gt;sob tensão. Com uma melhor distribuição do poder, pode vir uma melhor distribuição de todos os recursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;i&gt;Totem e tabu&lt;/i&gt;, Freud conta de uma tribo na África onde o rei era espancado por seus súditos antes de assumir a coroa. Ele não deixava de ser amado por seu povo, mas na mesma proporção que era odiado. Pode parecer uma prática primitiva, mas me parece conter sabedoria. Tenho pensado em amadurecimento político como uma conciliação dos dois 14 de julho. O espírito revolucionário da Queda da Bastilha não pode se apagar com a democracia instaurada, pois para que haja verdadeira democracia, com oportunidades para todos, é vital que o povo saiba "anarquizar" sempre que contrariado. Não basta votar no seu candidato favorito, por melhor que você conheça sua trajetória, ou mesmo por melhores que sejam as intenções dele. O jogo do poder é podre demais para ficar tranquilo com isso, para achar que o voto indireto garanta os interesses do eleitor. Para o bem da democracia, é preciso saber confrontá-la.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-2794378721952363370?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/2794378721952363370/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=2794378721952363370' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2794378721952363370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2794378721952363370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/10/qual-revolucao.html' title='Qual revolução?'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-6529650264573805336</id><published>2010-08-31T11:21:00.003-03:00</published><updated>2011-02-28T15:10:38.397-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Mais leve</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;i&gt;Eu estava dando uma olhada na pasta de rascunhos para ver o que ainda quero publicar antes de encerrar o blog. No meio dessa faxina, reencontrei este texto do ano passado. Deve ter parado no meio dos rascunhos sem querer, é um post de que gostei muito. Era de agosto de 2009, quase exatamente um ano atrás. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é só porque minha mãe se recuperou completamente da cirurgia. Não é só porque meu pai, que estava sob suspeita de câncer, recebeu um diagnóstico bem mais suave. Não é porque finalmente lancei o livro em que eu trabalhei por dez anos. Não é apenas o Brasil saindo da crise, ou mesmo a arte querendo sair da crise. O melhor é aquilo de que estou lembrando, e de que eu nunca deveria ter me esquecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a leveza. Ela, que parecia me escapar pelos dedos. Reencontro-a como a uma amiga íntima de quem conheço as histórias mais inusitadas. Eu quase me esquecia onde ela faz a morada. Não é no coração dos ignorantes ou entre os sedentos de poder. Tampouco um privilégio das crianças. Com quem aprendi sobre a leveza? Inesperadamente, com artistas e pensadores os mais subversivos. O sorriso falso não convence, não como os que ensinam malabarismo com o mundo às costas. Os inquietos podem parecer densos, tocando nas feridas, rompendo o que é estável, invertendo perspectivas – mas o fazem porque são ágeis o bastante, porque encontram força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nietzsche, por exemplo, o filósofo das marteladas, não é ele também o mais sutil? As marteladas, um bom tradutor já apontou, são perscrutações no corpo, pequenos toques para compreender reflexos.  Seus livros estão além do bem e do mal, mas para ele o pensamento é “algo leve, divino, e intimamente aparentado à dança e à exuberância.” O mais corrosivo dos pensadores definiu a si mesmo como um bufão. Nossa época é cética demais para captar tais nuances, mas é aí que está a mais doce sabedoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então, Clarice Lispector. Ela que vai da delicadeza ao soco no estômago, ela que se humaniza e se desumaniza nas mais inquietas metamorfoses... “Estremece em mim o mundo”, ela diz, mas “não é pesado de se carregar porque simplesmente não se carrega: é-se o tudo”. Só na coragem de atravessar as piores tormentas é que se amplia o espírito o bastante para longas viagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então podem retrucar: “leveza, nesse mundo sórdido? E as pessoas morrendo, e as guerras, e a injustiça?” Aí mesmo que é preciso não se deixar abater. O oncologista que trata doentes terminais, um guerrilheiro que combate o fascismo, o promotor que desafia a banda mais podre do poder... ou o fazem para aliviar o mundo do excesso de peso, ou seus gestos são inúteis. Seriedade não é manter os lábios constritos. Mesmo Kafka, tão obscuro, lia seus contos às gargalhadas com os amigos. É preciso rir com Kafka, já dizia Deleuze.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte e pensamento valem quando propiciam sobrevoos. Viajando de balão ganhamos a paisagem do alto, mas para isso é preciso dominar a gravidade. É preciso esforço de construção: o preparo do envelope, a tensão das cordas, o equilíbrio das formas, e – porque somos leves mas não levianos – o manejo do fogo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-6529650264573805336?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/6529650264573805336/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=6529650264573805336' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6529650264573805336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6529650264573805336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/08/mais-leve.html' title='Mais leve'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-7038083354331594906</id><published>2010-08-04T16:44:00.007-03:00</published><updated>2012-01-21T14:56:56.964-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rock'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Não subestimar o rock</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Quando se fala de Beatles, é fácil. Todos se sentem à vontade para dizer que eles entraram para a História, que realizaram uma revolução dentro e fora da música. Seja pelo impacto que exerceram sobre jovens contestadores em todo o planeta, seja pela sofisticação dos arranjos de A day in the life ou I am the walrus, poucos duvidam que eles serão lembrados por gerações ainda por vir. No entanto, curiosamente, o grupo de Liverpool não conseguiu estender o mesmo reconhecimento para outras bandas de rock que estiveram à sua altura. O jazz ou a bossa nova, por exemplo, são gêneros com status bem mais confortável, recebendo elogios de maestros notáveis e entrando facilmente nas estantes dos intelectuais. Para os guardiões do bom gosto, Beatles é totalmente aceitável, porém Beach Boys, 13th Elevator Floor, The Who, Jefferson Airplane, Rolling Stones, Elvis Presley ou Chuck Berry já lhes soam como um som mais adolescente, menos sério. E nem se dispõem a notar que as canções de Lennon e McCartney são impensáveis sem o intenso diálogo com todos esses. &lt;br /&gt;Talvez seja um mérito dos roqueiros. Eles não se importavam com o que os acadêmicos ou os bons cidadãos iriam pensar, e grande parte de sua energia vem de sua independência. Mas muito se engana quem crê que a História do rock pertence ao mero entretenimento. Os conservatórios se apegam demais à etimologia da palavra, ao menos quando julgam que a verdadeira música é apenas a que os velhos homens de peruca compunham. Da boca para fora, era essa a opinião expressa de Frank Zappa, mas por algum motivo, ele pegou a guitarra, ligou na tomada e preferiu inovar do que diluir o que já pertence a outra época. Jon Lord, tecladista do Deep Purple, também tem formação erudita e se mostrou bem à vontade em Concerto For Group and Orchestra. O renomado Philip Glass criou composições inspiradas em David Bowie e Brian Eno. Miles Davis bebeu do rock para chegar a um de seus melhores trabalhos, Bitches Brew. John Cale trocou a sonolência de La Monte Young pelo Velvet Underground, com Lou Reed. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no entanto, ainda aquela desconfiança, a sensação de que um pianista de fraque sempre nos levará mais longe do que um cabeludo tentando revirar cordas de aço do avesso. Para colocar um pouco de preconceito neste artigo – ou melhor, para não ceder demais ao relativismo – na minha opinião, a música pop mais rebolante dificilmente consegue. Pode-se selecionar as loiras mais provocantes, abusar da iluminação, da maquiagem e dos efeitos especiais, juntar dezenas de bailarinos para acompanhar, e pouco importa, o resultado sonoro será banal, previsível, reduzido a fórmulas batidas, e portanto a bilionésima execução do pianista de fraque continuará tendo algo mais a dizer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso estar sendo preconceituoso, mas não sou o único por essas paragens. Beatles como a única banda de rock que merece ser lembrada? Só chegaram à unanimidade porque se passaram por bons moços. Nem mesmo as experiências com ácido – Lucy in the Sky with Diamonds – ou a língua cada vez mais ferina de John apagaram totalmente a primeira impressão do grupo, quatro rapazes de sorrisos inocentes que pediam tão gentilmente para hold your hand. Para muita gente, não cai a ficha de que eles também cantavam Live and let die, ou que Yesterday era a véspera de the dream is over. A fase inocente dos Beatles, a meu ver, só fica interessante quando vista em retrospectiva – entender que Lennon, mesmo divulgando All you need is love, sempre foi de uma inquietude excepcional. Não foi por falta de tentativa que ele não conseguiu destruir sua imagem inicial, à qual os saudosistas se apegaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/TLc07FaJpyI/AAAAAAAAAS4/rE5eZOAEuZU/s1600/the-who-monterey.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="242" src="http://2.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/TLc07FaJpyI/AAAAAAAAAS4/rE5eZOAEuZU/s320/the-who-monterey.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;i&gt;The Who em Monterrey&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Rolling Stones e The Who tiveram logo cedo uma imagem rebelde, rompendo decisivamente com a geração de seus pais e com os valores vigentes da sociedade. Depois deles, simplesmente não havia motivos convincentes para se retroceder à candura piegas de Love me do. Especialmente nos anos 70, talvez tenha havido algum exagero nas quebras de hoteis, nas brigas com a plateia, nas cusparadas, nas auto-mutilações e em sacrifícios animais no palco... mas a urgência por um novo ritmo de vida e a profanação dos valores estabelecidos não foi precisamente o que as vanguardas do início do século XX haviam considerado revolucionário? Os maiores intelectuais de Paris um dia celebraram Arthur Cravan, um espírito livre que transitava entre as artes e os ringues de boxe, com uma postura não menos impactante que a dos roqueiros. “Eu não desejo ser civilizado” era seu mote, e ressoava entre os artistas mais decisivos de sua época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que, ainda na linha erudita, tivemos rebeldes, como Schoenberg, Edgard Varèse, Harry Partch, John Cage, Pierre Boulez, Stockhausen, entre outros. Não são os mais apreciados nas salas de concerto, onde ainda imperam sons mais “puros”, os de Mozart, Bach, Beethoven e companhia. Nem quero dizer que não tenha algo de assustador na Quinta Sinfonia, mas é um terror sublime, ou seja, domesticado. Há uma brilhante representação de nossos medos, ainda assim, permanece dentro das margens de segurança. Se eu fosse marxista, empregaria agora a palavra “burguês”. Em vez de moralizar o discurso, vou traçar uma breve comparação com o modernismo nas artes visuais e na literatura. Minha questão é: se Baudelaire, Rimbaud, Artaud, Van Gogh, Picasso, os futuristas, os dadaístas, etc, hoje são admirados por sua ousadia, tanto na forma como no conteúdo, por que na música parece haver uma resistência tão grande a assimilar rupturas? Por mais que Beethoven tenha sido genial, não há uma certa covardia ao aceitar apenas os sons mais puros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que o modernismo buscou fazer é aproximar a arte do campo da vida. Quando Baudelaire flana pela cidade em busca de pequenos temas urbanos, mesmo que para isso tenha que andar por ruas sujas e mal iluminadas, ele começa a tirar a arte do limbo para torná-la mais palpável, mais próxima de nós. Walt Whitman faz poemas agitados sobre máquinas e homens comuns, Rimbaud apresenta-se como jovem indomável, Dostoievsky aborda mentes criminosas. Os temas sublimes são deixados de lado ou se misturam com o trivial e o maldito. Ao mesmo tempo, as palavras vão ganhando autonomia, ficam menos descritivas para que cada sílaba ganhe peso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os impressionistas, e logo depois Van Gogh, empastam a tela com grossas camadas de tinta para que o sublime desça à Terra, para que a beleza seja mais tangível. Os artistas vão renunciando à perspectiva, o que foi muito mais do que experimentar algo diferente. Abandonam o ponto de fuga para que o horizonte da arte não nos escape num universo distante, para que não nos esqueçamos completamente do chão em que pisamos. A tinta cria ilusão mas também passa a ser vista como matéria bruta. A fatura se revela, o processo de criação se desnuda. O que eles querem é negar a postura virginal da arte, unir corpo e espírito, e assim colocar a obra de frente para a vida – não acima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse quesito, na proximidade entre a arte e a vida, o rock foi longe. Traduziu em sons a era da eletricidade, a velocidade da metrópole, e até mesmo a poluição sonora, os motores, os telefones tocando, explosões, usinas, gritos, o caos da civilização em seu ritmo quase destrutivo. As máquinas apocalípticas de Tinguely são rock and roll. Assim como Tapiés, Cy Twombly, talvez Francis Bacon. Pode-se voltar um pouco mais no tempo e buscar raízes nas colagens cubistas, na fúria futurista, na arte de detritos do Merz, nos momentos viscerais do surrealismo, e por aí vai. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rebeldia sem causa de fato não interessa, apenas daria argumentos a quem considera o rock ingênuo, adolescente; no entanto há muitas bandas que demonstram saber muito bem o que estão fazendo. Com todo respeito aos amantes do jazz e da música erudita, supor que basta seguir a tradição para fazer mais do que Pink Floyd, Radiohead, Sonic Youth ou, da safra mais recente, Battles, chega a ser provinciano. E mesmo algumas bandas que mal saiam dos três acordes, como The Clash e Nirvana, demonstraram uma inventividade e uma contundência exemplares. Philip Glass transmite sua mensagem com simplicidade, apostando na repetição, e com a mesma economia, essas bandas transmitiam musicalmente o sentimento sincero de muitos, sem domesticá-lo ou plastificá-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe de mim defender que o rock seja formalmente mais elaborado do que a música erudita. Alguns guitarristas encaram uma competição no quesito virtuosismo, e talvez vençam na velocidade, mas isso é bem pouco interessante, é a técnica pela técnica. O ponto não é esse, como também nunca foi a habilidade técnica das telas de Miró. Uma sinfonia composta para dezenas de instrumentos certamente requer um domínio admirável, mas, assim como um pintor que imitasse Rafael, hoje em dia, diria muito pouco sobre as questões mais atuais, e assim como um poeta que escrevesse como Dante estaria apenas gozando solitário na torre de marfim, os compositores eruditos também devem se perguntar o que fazer para não estar fora de seu tempo. Alex Ross, na conclusão de &lt;i&gt;O resto é ruído – escutando o século XX &lt;/i&gt;sugere aos compositores atuais combinarem sua bagagem com um ouvido mais atento às expressões avançadas da música popular, citando com muita naturalidade Sonic Youth, Radiohead e Velvet Underground. Ao menos em suas melhores manifestações, me parece que o rock abarca de modo exemplar certas questões contemporâneas. O rock se lança sem proteções ao que está além da música, diz sim ao mundo e o deixa entrar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Barulho?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos monstos mais inquestionáveis do cinema, Jean-Luc Godard, logo percebeu a ligação entre o rock e a mentalidade de uma geração inquieta e ativa. Em 1967, acompanhou as gravações de &lt;i&gt;Simpathy for the devil&lt;/i&gt;, dos Rolling Stones, em um de seus filmes mais ousados, One plus one. Os cineastas foram dos primeiros a entender o rock como vanguarda artística. Memorável também é a participação de Nick Cave na obra-prima de Wim Wenders, &lt;i&gt;Asas do desejo&lt;/i&gt;. Não se trata apenas de trilha sonora para criar atmosfera, mas de uma verdadeira legitimação. E tanto melhor que essa legitimação tenha vindo de grandes criadores do que da academia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/TLc3fIHtcTI/AAAAAAAAAS8/AdQOmY4yhxE/s1600/stones.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="164" src="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/TLc3fIHtcTI/AAAAAAAAAS8/AdQOmY4yhxE/s320/stones.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;i&gt;Rolling Stones em One plus One&amp;nbsp; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historicamente, é difícil negar a importância do rock como movimento. É evidente que há muitos roqueiros alienados, como não poderia deixar de haver, levando em conta sua espontaneidade, sua recepção maciça, e até mesmo a quantidade de bandas que se disseminam. Nem por isso, ouso dizer, deixou de pontuar aspectos filosoficamente avançados. Desde que a cultura cristã se estabeleceu, em poucos momentos houve tanta clareza para tanta gente que a moral estabelecida é o inimigo mais constante. A crença em uma moral imposta foi desdenhada pelos roqueiros com a mesma decisão que por leitores atentos de Nietzsche. Temos aqui uma das principais bandeiras dos artistas modernistas. No caso da música, se pensarmos em Schoenberg e outros atonais, não havia o plano de se levar suas propostas a um grande público, a pesquisa se dirigia quase exclusivamente para especialistas. Contudo, os manifestos de artistas plásticos e escritores costumavam prever uma disseminação de seus valores para toda a sociedade. O fato de o rock ter obtido sucesso, portanto, não depõe contra, não o reduz a mera mercadoria, se soubermos considerar que levou adiante alguns objetivos de um pensamento de vanguarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rock hoje vende e atinge milhões, e isso implica, necessariamente, no perigo de reduzir-se a um produto – perigo ao qual alguns artistas sucumbem mais do que outros. Por outro lado, propaga-se uma mentalidade que está alguns passos a frente da mentalidade mediana. O amor é cantado sem os enfeites das novelinhas de tevê, mantém-se um senso de coletividade (seja na hippie Woodstock ou na punk Camdem Town, assim como na colaboração entre os integrantes de cada banda). E, talvez o mais notável, como raras vezes antes, a expressão artistíca penetra em todas as áreas da vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que os roqueiros dizem, essencialmente, é “Eu estou aqui; a vida é agora”. Por isso são barulhentos. O gênero traz os perigos de um espírito guerreiro, não há dúvida, mas, se tivermos algum respeito a Dionísio, é preferível acatar tais riscos do que se contentar com a passividade que hoje impera. Em vez ignorar o rock, cuidar para que não seja desvirtuado, mantê-lo na linha de resistência. Lembrar da posição dos roqueiros durante a Guerra do Vietnã, de solidariedade para com o sofrimento de uma guerra inútil, e renegar as exceções fascistas que mancham esse legado. Em outras palavras, escolher as batalhas, não renunciar ao combate. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é por tocar no rádio que o resultado é necessariamente uma hipnose alienante que faça esquecer a realidade. Se The Who e Jimi Hendrix quebravam seus instrumentos sem maiores cerimônias, é porque havia continuidade entre o som que faziam e o que acontece além da música. Um som que, flertando com seu próprio colapso, se abre para todos os ruídos do mundo ao redor. Não é tão diferente de ver a tinta na tela como ilusão e como matéria bruta, pois pela matéria abre-se a percepção para o que vem de fora. No início do show, a canção já flui à beira da agonia, já se prevêm os estalos, chiados e a microfonia da destruição – porém de maneira afirmativa, sem autocomiseração. Os roqueiros, de modo geral, &lt;i&gt;resvalam&lt;/i&gt; na morte da música. Não por menosprezo à melodia, mas por sentirem que tudo é mais intenso quando não se tem medo da morte. É aí que o rock mostra, com uma clareza rara, a sutil diferença entre niilismo fraco e espírito guerreiro, flertando com a morte da arte, mas sem sucumbir a ela. Distinção fundamental, mas às vezes difícil de apreender, e que nem sempre os artistas de outras áreas percebem muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os roqueiros, vida e arte estão tensionadas, muito próximas uma do outra. O vestuário, o vocabulário, certos trejeitos, a atitude e a visão de mundo recebem sua influência, a ponto de quase qualquer aspecto da vida se tornar inimaginável sem a música. Não é preciso gostar de jaquetas de couro, tatuagens ou boemia para reconhecer um acontecimento: os roqueiros souberam tirar a arte do limbo, souberam fazê-la interferir no campo da vida. Tal como propõem as vanguardas. Troca-se o imperativo moral, enganoso, por uma afirmação estética e ética, aberta. Isto não implica que os roqueiros sejam mais crueis que os outros homens, mas tendem a evitar dissimulações. Nos anos 60, com a contracultura, e novamente em Seattle, em 1999, vimos surgir uma militância criativa e libertária, que não se confinava às ideologias. Tais movimentos devem muito ao rock - nos anos 60 tivemos Woodstock, e nos anos 90, Seattle foi a grande capital do grunge. Na revolta de um roqueiro, &lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:WordDocument&gt;   &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:TrackMoves/&gt;   &lt;w:TrackFormatting/&gt;   &lt;w:DoNotShowRevisions/&gt;   &lt;w:DoNotPrintRevisions/&gt;   &lt;w:DoNotShowMarkup/&gt;   &lt;w:DoNotShowComments/&gt;   &lt;w:DoNotShowInsertionsAndDeletions/&gt;   &lt;w:DoNotShowPropertyChanges/&gt;   &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:PunctuationKerning/&gt;   &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;   &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:DoNotPromoteQF/&gt;   &lt;w:LidThemeOther&gt;PT-BR&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:LidThemeAsian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:LidThemeComplexScript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt;   &lt;w:Compatibility&gt;    &lt;w:BreakWrappedTables/&gt; 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dispensa-se a moldura de qualquer ideologia sufocante. Nada disso ocorreu por acaso ou modismo, mas acompanhado de questões formais. No caso do rock, de uma sonoridade muitas vezes próxima do ruído bruto, que &lt;i&gt;resvala&lt;/i&gt; no antiartístico. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como negar a perspectiva e os temas sublimes não foram gestos gratuitos, o "barulho" no rock também não é. A música, abstrata por excelência, torna-se mais concreta, aproxima-se da realidade. Muitas bandas, ao tocar ao vivo, exploram as microfonias e os retornos dos amplificadores, porém mesmo nos &lt;i&gt;riffs&lt;/i&gt; mais assobiáveis, a guitarra é distorcida, contaminando a pureza da arte. Isso faz com que até nos momentos mais deleitosos, mais harmoniosos, permaneça alguma “sujeira”, alguma lembrança do mundo palpável. É comparável à presença forte e corrosiva da matéria de Pollock, cuja técnica, aliás, exigia tanto do corpo quanto da mente. No rock, o peso com que os instrumentos soam é quase tátil, e a performance nos palcos tem necessariamente uma presença corporal importante. A vida é invadida pelo som, tanto quanto invade os palcos. Quando a realidade exige luta, portanto, é enfrentada com a convicção de que a vida deve ser redentora como a arte. Não uma vida apenas 'correta', 'organizada', 'sob controle', mas intensa, variada e aventureira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os roqueiros, assim como os artistas modernistas, flertam com a morte da arte, mas o aspecto antiartistíco jamais é total. Se fosse total, não haveria permuta, não se poderia passar das promessas da arte para a realização na vida. Quebram os instrumentos mas logo voltam a afirmar sua potência. Há uma dança infinita da arte com a vida, ambas enlaçadas em uma paixão visceral. Vida e arte não chegam a se fundir, não desaparecem uma na outra – mas se tocam constantemente. Por isso o impacto, por isso a reverberação.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-7038083354331594906?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/7038083354331594906/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=7038083354331594906' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7038083354331594906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7038083354331594906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/08/nao-subestimar-o-rock.html' title='Não subestimar o rock'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/TLc07FaJpyI/AAAAAAAAAS4/rE5eZOAEuZU/s72-c/the-who-monterey.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-1115190388542672660</id><published>2010-07-15T21:43:00.002-03:00</published><updated>2010-07-15T22:17:28.925-03:00</updated><title type='text'>Trintando</title><content type='html'>Enfim, ontem cheguei aos trinta. Com um certo espanto: sobrevivi. Minha vida está bem melhor aos trinta do que aos vinte, sem a menor dúvida.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ligou para me dar os parabéns, meu pai disse que nasci às 7:14 da noite. Eu não sabia, acho que ele nunca tinha me dito. 7:14 do 14/07. Não entendo nada de numerologia, mas gostei dos números se espelhando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-1115190388542672660?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/1115190388542672660/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=1115190388542672660' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1115190388542672660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1115190388542672660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/07/trintando.html' title='Trintando'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-1525746385146650289</id><published>2010-07-08T00:03:00.008-03:00</published><updated>2010-07-08T09:13:34.993-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>Ah! Eh! Uh!</title><content type='html'>Ah! Botas. Esqueçam o salto alto. As feministas dos anos 60 deveriam ter se livrado do salto alto, não do amigável sutiã - que afinal as mulheres não deixaram de por, e os homens adoram o momento de tirar. Livrem-se do sapatinho de salto alto, mesmo que digam que é elegante. Algo que complica os movimentos e torna o passo mais contido é de uma época em que os homens não queriam que as mulheres fossem muito longe. Hoje elas não precisam andar como quem pisa em ovos. Ou a ideia é justamente que seja nos ovos deles, demarcando o fetiche? Prefiro as botas, que podem ser femininas mas mostrar personalidade, mostrar disposição para passadas mais largas. Desde coturnos pesados a aconchegantes calçados de inverno, com o cano alto torneando as pernas e um pouco de metal na fivela. Então, sim, para quem fizer questão, a bota pode terminar dando um salto, mas com a firmeza assegurada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eh! Unhas compridas. Toda mulher deveria deixar as unhas compridas e resistentes. Mais que isso: saber usá-las nas costas de seu amante, não tão forte a ponto de sangrar, mas com pressão o bastante para causar arrepios. Nada como a sinestesia de dez pequenos pontos patinando na pele, lascivos e destemidos. Uma mulher que domine esta técnica não precisa sentir a tal da inveja do pênis. Ela possui tanto quanto é possuída. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uh! A mulher pode, ou melhor, deve, ser tão participativa quanto o homem no jogo da sedução. O cu doce não vale nada, no século XXI deverá ser abolido. Vou contar para quem ainda não reconheceu a vanguarda. Quando a mulher se faz de difícil, ela pode estar pensando: "Gostei dele, mas vou fazê-lo trabalhar mais até me merecer." O erro é dele se avançou antes de aquecer, mas é erro dela - e sim, elas erram - se não trabalhar o aquecimento, só o balde de água fria. Um balde atrás do outro, o que pensa o homem comum? "O 'não' é igual a 'sim', assim são as mulheres até a gente calar a boca delas". Se a temperatura está em ascensão, mas ainda não ferveu, não diga 'não'. Protele um pouco, se quiser, mas não proteste. Homem pode ser mesmo direto demais, e a mulher mais curvilínea, mas não é jogando na defensiva que se faz ouvir. O homem retrógrado - que sobrevive apenas porque elas incentivam - quer um 'não' atrás do outro, pra no fim deixar claro que é ele quem afirma. O homem de vanguarda dispensa esse teatro, prefere que a mulher seja mais imaginativa. A sedução é uma arte poética escrita a dois, mas esse 'não' que significa 'sim' é literatura de décima quinta categoria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-1525746385146650289?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/1525746385146650289/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=1525746385146650289' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1525746385146650289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1525746385146650289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/07/ah-eh-uh.html' title='Ah! Eh! Uh!'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-4642031307409577375</id><published>2010-06-27T03:08:00.002-03:00</published><updated>2010-08-31T15:44:00.083-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Algo</title><content type='html'>&lt;i&gt;Meio resfriado em pleno sábado à noite, fiquei vasculhando textos antigos, e encontei esse, com eu-lírico feminino. Já não me lembro bem o que me inspirou na época, mas relendo, achei que rende um post razoável.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A você tudo parece fácil, mera questão de prosseguir, de força de vontade. Pode denominar fraqueza minha, pode vociferar o desprezo teu, não se poderá mudar. É sem delícias que me descubro, é com pesar que desvio – sempre; inevitavelmente – dos projetos com que poderia, se venturosa eu fosse, laborar a construção de&lt;br /&gt;Algo.&lt;br /&gt;Naquela última tarde, quando sôfrego você quis se fazer real, sem espaço para enganos, sem liames com os mais fracassados erros – sem infância, derrotando mais inimigos do que o número de monstros que eu julgava haver debaixo da cama, triunfante sobre a própria raiz do Medo – naquele instante, de tão poderoso, de tão forte, tão maior que eu, naquele instante....... me senti só como nunca jamais em dia algum. &lt;br /&gt;Não é assim que se protege uma moça em perigo. Não é sem mentiras que se faz as verdades do coração desconsolado de uma mulher. Não conto com nenhum recuo seu, com nenhuma nova transigência e ponderações que  possa me ofertar. Não vejo por onde nem por que haveria você de se reformular – muito menos por minha causa, que sou uma só e o mundo tão maior do que eu possa te transmitir. Meu afastamento não coincide com o fim do amor, mas por ora opto inelutavelmente pela distância. Peço que respeite minha decisão, sabendo o quanto me é difícil. Não fale comigo, não me faça desejar outra vez e deixe a memória cuidar de editar os vestígios. Sigamos por caminhos divergentes, porquanto meus soluços são contrações ao menos suportáveis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-4642031307409577375?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/4642031307409577375/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=4642031307409577375' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4642031307409577375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4642031307409577375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/06/algo.html' title='Algo'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-7810275589200512493</id><published>2010-06-27T02:00:00.004-03:00</published><updated>2010-07-30T02:48:43.362-03:00</updated><title type='text'>Discussão de Relacionamento - 1</title><content type='html'>&lt;i&gt;Sobre relacionamento de casal, mas igualmente sobre a relação entre vida e arte.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preste atençao, não pretendo repetir o que vou dizer agora. Bem maior que a habitual deve ser tua atenção, pois sequer pretendo dizer tudo. Há coisas que devem permanecer nas entrelinhas, coisas tão diáfanas que basta transpô-las à dimensão das palavras para deformá-las. Após tantos anos de desentendimentos, porém, algo precisa ser dito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo pelos teus dedos inquietos o quanto você se impacienta. No entanto, hesita entre pedir para eu falar tudo de uma vez ou para eu esperar até que você se prepare emocionalmente. Pegue um cigarro, abra uma janela, ajeite-se melhor no seu assento, como quiser. Você quer algo de mim, ou não levaria a situação ao ponto que chegou. Mas não sabe exatamente o que me pedir. De minha parte, só peço que me ouça, mas não a partir do lugar de vítima. Hoje não interessa quem é o homem e quem é a mulher; não estão em pauta os cromossomos.  Admita, finalmente: você conquistou muitas coisas. O direito de ser eterna vítima – ao menos disto você vai ter que abrir mão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero falar de mim, não sou tão valioso assim. Também não quero falar de você, pois você só me interessa quando te sinto por perto. Nem de mim, nem de você: só existimos em relação. Mas nunca quis me relacionar com o-que-a-tua-mãe-e-o-teu-pai-fizeram-de-você. Nem com o-que-as-pessoas-ao-redor-esperam-de-você. Nem mesmo com o-que-você-acha-que-eu-quero-ouvir. Quero me relacionar com tua verdade inalcançável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei muito bem, no entanto, que jamais nos ajustaremos perfeitamente um ao outro. Você também deveria saber disso. Ou melhor, você sabe e finge que não sabe. Ou melhor, você sabe que jamais nos ajustaremos perfeitamente um ao outro, e já parou de fingir que não sabe, mas continua, de certa forma, me culpando por isso. Esta tua nostalgia bastarda.  Tua maior sorte é nunca ter encontrado o parceiro que você idealiza, esse que não existe, nem poderia existir. Se você o encontrasse, veria o quanto é incapaz de lhe oferecer o que me cobra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cobra. Se serpenteamos, não é apenas por sermos venenosos. É para evitar as linhas retas, para evitar as formas perfeitas. Mesmo quando nos enroscamos, nossos encaixes devem ser escorregadios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mil anos, pensou-se que o universo girava em torno da Terra. Por mil anos, quem nascia para se calar não podia romper a lei.  Por mil anos, o maldito não podia ser dito e o bem visto não podia ser revisto. Saibamos celebrar por não ser mais assim. Ouroboros é ser mitológico. Aqui embaixo, o final jamais coincide com o início.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas gerações até que eu pudesse descer da torre para dizer que não quero mais te ver de cima para baixo? Que não te quero tão longe, que te quero mais perto? Gerações e gerações; e você, o que faz? Viu alguém descendo e, em vez de perguntar como se sobe, em vez de ajudar a construir aeronaves para ir cada vez mais longe, torce para que a descida continue. Mesmo que para isso, você também caia. Por despeito, por sentir que foi desrespeitada. Como pode pedir respeito se não conhece o significado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é tão fácil me derrubar. Se quiser muito ver uma queda, será a tua. É imaginação minha, ou ouço você dizer que não é isso o que quer? Não é vingança? Espero não estar ouvindo coisas. Este sorriso em teu rosto, é um sorriso sardônico ou de cumplicidade? Seja como for, continuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dê-me tua mão. Você já me deu a mão antes, vamos. É preciso que eu a aperte com força. Não para esmagar; é para você sentir que é de alguém forte a mão que, não faz tanto tempo, já te acariciou. É de alguém forte a mão de quem diz: Quero te levar na escalada. Mas você não pode ter medo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, faz algum tempo que o céu caiu. O que apenas significa que as distâncias diminuiram. O eterno não nos é mais terno. É hora de nos renovar. Dois filhos caídos que jamais retornarão ao paraíso. Sentindo juntos, e fabricando sentidos um para o outro. Comunicação oblíqua. Sujeito e objeto se revezando em dinâmica frenética. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu disse, só existo na relação. É você quem me cria. E basta crer. Basta crer, e você logo terá a mesma força com que aperto tua mão. Não falei por falar, estamos em terreno onde não importa quem é o macho e quem é a fêmea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois devem ser fortes juntos. Após anos de desentendimento, ao menos uma coisa aprendemos um com o outro. Sozinhos somos medíocres. Ao menos nisso concordamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um forte percorre vasto espaço interno, mas se abre para o que vem de fora. Explora-se em diversas direções e diversas combinações. Precisa do outro com a mesma necessidade que precisa de água. Do contrário, o oásis não passa de miragem. Falando sozinho, o mais animado dos discursos não passa de delírio. Não há dúvida de que o inferno são os outros, mas as festas no céu são mornas demais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fossem algumas ideias turvas – que sequer são tuas, mas das quais te convenceram quando você era estudante – você já saberia qual é o maior desafio que temos pela frente. Você sabia antes, mas em algum momento, se esqueceu. Vou refrescar a memória. Devemos criar tantos pontos de encontro quanto possível; porém, jamais, em hipótese alguma, pontos de fusão. Olhar bem fundo nos olhos, mas sem a confusão de um pelo outro. Não é tão fácil quanto parece. Relacionar-se, interpenetrar-se – mas, por favor, com vãos, com furos, com vazios – com espaço. Para dizer de modo mais simples: não me sufoque, ou a vontade de estar perto demais é o que vai nos afastar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a voz que ouço de tua garganta, se eu não a reconhecer como tua – o que você acha? Se eu não reconhecer a voz como tua, simplesmente não tenho motivo algum para continuar te ouvindo. Não quero na tua garganta a voz de tua mãe, de tua tatataravó, de teus professores, da crítica especializada, a voz do bom senso, nem a minha própria voz em eco. Para dizer de modo mais simples: surpreenda-me. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo em você que não se perceba em nenhum outro lugar. Meu ouvido não é tão ruim quanto você julga. Encontre aquela prosódia que é só tua, cada pessoa tem uma, é como a impressão digital. Encontre-a, só você a tem, e a realce, valorize-a. É o canto que eu quero ouvir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-7810275589200512493?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/7810275589200512493/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=7810275589200512493' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7810275589200512493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7810275589200512493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/06/discussao-de-relacionamento-1.html' title='Discussão de Relacionamento - 1'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-7934170564647596130</id><published>2010-06-19T19:49:00.005-03:00</published><updated>2010-06-27T01:59:57.583-03:00</updated><title type='text'>Discussão de Relacionamento - 2</title><content type='html'>Se você apenas grita em tom de vingança, a voz é esganiçada – ou seja, você ainda não encontrou teu canto. Se o discurso não tem mais do que acusações ou auto-indulgência, é um discurso pobre; reativo, e não ativo. Não, não quero que você se comporte, que corte as unhas. Não quero te adestrar. Pelo contrário, é bom que voce saiba cravar as unhas nas minhas costas quando fazemos amor. É preciso que voce não seja delicada demais, não se iniba, não recue, não se recuse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que um deve ser ativo e o outro reativo? Não podem ser ambos criativos? Saiba discordar de quem ama sem desacorçoar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando para o umbigo, você não encontra nem tua própria paisagem. Precisamos do olhar do outro como espelho. É nos encontros que o fogo arde mais forte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, a maldição decreta que: se realmente nos encontrássemos, sem qualquer proteção, seria como um sol encostando em outro sol. Não seria possível suportar. Por isso, os anteparos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis porque todos serpenteamos. Por que os jogos, por que as manhas, por que a insatisfação quando tudo parece bem, por que as discussões que irrompem sem motivo algum? Para evitar um contato frontal. 180 graus é rota de colisão. Há muito tempo, os espíritos dissseram: é preciso turvar o caminho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que se pensa, as fantasias românticas foram feitas para afastar, não para aproximar. São histórias histéricas: porque o ponto de fusão é morte certa. O faz-de-conta providencialmente impossível, para monter longe o que é Real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso habilidade de artista para que o âmago de um se aproxime do âmago de outro até o ponto que mais aquece, mas não estorrica. Não se toca o âmago nem de quem te parece mais próximo e mais brilhante, como não se toca o sol, mesmo que ele gere vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais tocarei o sol de teu sistema, você jamais tocará o sol do meu, mas na superfície nos entrelaçamos e sentimos o calor. Sinto tua gravidade, mas não forço tua órbita ao meu redor. Como eu poderia amar você como sujeito, se eu reivindicasse tua elipse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais que isso não digo. Falei demais, e se falo demais, canso-me de minha voz. Quero ouvir a tua. A voz que me informa remotamente sobre você, que sibila, que chama e afasta ao mesmo tempo, que cria as curvas e me leva a inclinar, que convida, que alude, que arranha e constrói. Tua voz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-7934170564647596130?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/7934170564647596130/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=7934170564647596130' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7934170564647596130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7934170564647596130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/06/discussao-de-relacionamento.html' title='Discussão de Relacionamento - 2'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-539909236217905917</id><published>2010-06-06T16:03:00.004-03:00</published><updated>2010-10-12T18:57:38.002-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Omito</title><content type='html'>Na manhã mais fria do ano&lt;br /&gt;quando menos esperava voltar a me fascinar por ti&lt;br /&gt;em uma louca epifania, descobri&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o encaixe&lt;br /&gt;a sintaxe&lt;br /&gt;o adágio mais sábio&lt;br /&gt;que me permite  &lt;br /&gt;te re-conhecer&lt;br /&gt;e uma vez mais me arriscar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quas’escapando da boca&lt;br /&gt;o louvor (o ardor) que me ocorreu &lt;br /&gt;que você nunca ouviu&lt;br /&gt;Nem nunca ouvirá &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as palavras são traduções&lt;br /&gt;Todas as palavras são traições&lt;br /&gt;Então: adivinharás melhor&lt;br /&gt;no brilho de meu olhar&lt;br /&gt;Intenso como nunca, ao te desvendar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A língua vibrando em silêncio&lt;br /&gt;Para não vibrar sozinha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desejo que sinto&lt;br /&gt;A chama que clama&lt;br /&gt;Será mais rútila &lt;br /&gt;Será mais límpida&lt;br /&gt;Se eu mentir sincero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso omito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-539909236217905917?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/539909236217905917/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=539909236217905917' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/539909236217905917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/539909236217905917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/06/omito.html' title='Omito'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-1752643223401122551</id><published>2010-05-24T04:21:00.017-03:00</published><updated>2010-10-12T18:56:38.484-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Divagando: sexo, sedução e envolvimento</title><content type='html'>* Se, apenas por um instante, eu tivesse acesso à mente divina, e pudesse escolher um único conhecimento, seria o do impossível da mulher. Simplesmente o mais labiríntico dos mistérios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* O maior erro que um homem pode cometer é tentar ler sua amante em linha reta. Estamos falando da mais sinuosa das criaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Duas pessoas não se movem juntas, a menos que rodopiem em passos de dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* A mulher vem adotando posições que antigamente eram do homem. A cultura, o pensamento e a política só têm a ganhar com isso. Por outro lado, homens e mulheres parecem cada vez mais perdidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Para não ficar para atrás, o homem vem se feminilizando. É uma reação desesperada ou estratégia certeira? Mudança real ou aparente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;* Será que há um &lt;i&gt;eterno feminino&lt;/i&gt;, acima de todas as variações históricas? Pode surgir uma überfrau, uma super-mulher? &lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;* Apesar das mudanças, a brasileira continua machista. Inclusive as que têm algum senso crítico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Por considerar que o homem é quem mete, a brasileira acha que seu poder está em valorizar o instante em que se sub-mete. A partir do momento em que deixou óbvio que tem vontade, a marcha ré remete a valores tradicionais dos mais ultrapassados. Pior: estimula o homem a seguir na mesma cartilha. Se ela não sustenta o desejo por conta própria, se precisa que o homem insista demais, é como se delegasse a responsabilidade para ele. A ação é toda dele, ele é o sujeito do verbo, e ela se deixa posicionar como objeto.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* O cu doce exagerado obriga o homem a ser muito &lt;i&gt;técnico &lt;/i&gt;no ritual de sedução. Ou seja, a partir de certo ponto, ele sabe que não deve levar a sério as negativas da mulher, e deve continuar avançando, com os dribles certos e movimentos calculados. Não há mais espontaneidade, é uma encenação mal feita. A mulher está, no fundo, ensinando o homem a desrespeitá-la: "Não acredite muito em mim. Quando digo uma coisa que te frustra, ignore e faça prevalecer tua vontade contra minha palavra". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Não é que não possa haver graça alguma nos joguinhos. Dependendo de como se os conduz, podem ser mais lúdicos do que retraídos. Por exemplo, no início do ano, saí com uma cabo-verdeana. Tão sensual quanto qualquer brasileira, a africana não cedeu à minha primeira investida. Poderia ser o que chamamos de cu doce, no entanto ela levou o momento&lt;i&gt; &lt;/i&gt;de uma maneira &lt;i&gt;ativa&lt;/i&gt;, muito à vontade com a situação, sem provocar uma mini-guerra dos sexos. Ela ria, fingia que não iria ceder, mas me acariciava calorosamente enquanto se desviava dos meus beijos. Bastou sentarmos para tomar uma cerveja para ela deixar acontecer, encerrando a brincadeira com um timing perfeito.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Lacan dizia que a mulher não existe. E as lacanianas, o que dizem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Poucas coisas me parecem mais raras do que relações onde os dois se posicionem como sujeitos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;*Em um casal, geralmente, um dos dois tende a se conformar com o papel de mais fraco e o outro a se aproveitar disso. Nem sempre o homem é o forte do casal - seu papel pode ser o de um castrado para o gozo fálico da histérica. E tampouco a histérica chega a ser um sujeito pleno, pois mal encontra força que não seja roubada do outro; ou seja, é reativa. Para que os dois &lt;i&gt;existam &lt;/i&gt;na relação, o equilíbrio de forças é delicadíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Acho interessante quando as mulheres tomam a iniciativa. É uma pena que muitos homens se apavorem quando são a caça, e não o caçador. Infelizmente, inúmeras mulheres evitam tomar a iniciativa sempre que gostariam, para não intimidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Das (poucas) vezes em que eu fui o alvo, achei relativamente fácil para um homem sair da condição de objeto e equilibrar o jogo. E uma mulher que aborda não se rebaixa facilmente a mero objeto, ela começa muito ativa. Nem que seja por uma noite, são duas pessoas assumindo plenamente seus desejos, sem pudores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Não só historicamente, como biologicamente, hormonalmente, o homem&lt;i&gt; &lt;/i&gt;tende a ser um pouco mais ativo no casal. Isso não mudará tão fácil, e talvez não tenha que se transformar completamente. Afinal, a marca distintiva do masculino é a penetração. No entanto, para nós, seres falantes, é mais excitante, mais honesto e mais recompensador permitir algum espaço para a mulher mostrar que tem poder. Claro, desde que ela saiba se aproveitar disso sem querer reduzir o homem a um objeto, castrando-o. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Mirem-se no exemplo das mulheres roqueiras. A expectativa romântica, no sentido &lt;i&gt;novela das oito,&lt;/i&gt; costuma ser bem mais baixa do que a da maioria. Isso é saudável. Não é preciso ser mulherzinha para ser feminina; pode-se falar e agir com a mesma potência que os homens sem deixar de ser sexy. O que não faz sentido é achar que a perfeição de uma mulher vem com a perfeição de algum príncipe encantado. Nada mais devastador para qualquer coisa real do que um ideal inalcançável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Enquanto o amor não vem, o sexo pode ser só sexo. Aliás, só os pudicos acham que ir para a cama com uma pessoa não pode ser o início de uma conexão forte e honesta. Pode ser uma oportunidade para conhecer alguém em sua intimidade, não só física. A nudez de duas pessoas na cama após uma noite de prazeres - só&lt;i&gt; depois&lt;/i&gt; desse tipo de proximidade é que há como saber realmente se vale a pena investir em uma relação duradoura.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Tanto homens quanto mulheres se boicotam muito. Para ser justo, não é só a mulher que tem discursos sinuosos, medos e inseguranças de toda sorte. É sempre mais fácil obter prazeres moderados do que se entregar a uma pessoa que realmente valorizamos. Quando sentimos que temos muito a perder, nos apavoramos. O problema é, em grande parte, falta de amor-próprio. A maior armadilha é depender demais do outro para se sentir bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Quanto mais temos uma reserva de auto-estima, mais podemos nos entregar a pessoas que nos toquem intensamente. Porque temos gordura para queimar, podemos nos arriscar sem o medo de que, caso percamos o parceiro, não nos sobre nada. Então, sim, nos aventuramos. Se não nos sentimos especiais, como sustentar o olhar de alguém que consideramos especial? Todos aqueles velhos clichês: só ganha quem está disposto a perder, quem não arrisca não petisca, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* A vida é uma só, mas as histórias podem ser muitas. É altamente recomendável experimentar-se tanto quanto puder. A melhor maneira de conhecer a si mesmo é nessa espécie de dialética com os parceiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS:&lt;br /&gt;* Já vivi uma situação em que do primeiro olhar ao beijo não foram nem quinze segundos - e foi um momento bem marcante. E situações em que o &lt;i&gt;vamos nos conhecer melhor&lt;/i&gt; não me soou como um fazer-se-de-difícil, apenas como o convite para um degelo mais lento. Quero apenas deixar claro que não se trata da velocidade, mas do quanto a mulher sabe ser ativa, íntegra e sincera na cumplicidade de uma aventura a dois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-1752643223401122551?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/1752643223401122551/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=1752643223401122551' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1752643223401122551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1752643223401122551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/05/notas-sexo-seducao-e-envolvimento.html' title='Divagando: sexo, sedução e envolvimento'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-2494773621136114496</id><published>2010-05-09T20:29:00.001-03:00</published><updated>2010-05-09T20:33:21.514-03:00</updated><title type='text'>Não é piada...</title><content type='html'>Minha mãe tem uma casa que pia! Não é piada, nem prosa fiada. Algum passarinho fez um ninho na tubulação do Suggar, que ninguém usava há anos. Não dá para ver os filhotes, mas quem vai à cozinha preparar um café, pode ouvir os pios. Várias gerações já compartilharam esse teto. Quando ficam grandes, da janela vemos os exercícios de seus primeiros voo solo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-2494773621136114496?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/2494773621136114496/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=2494773621136114496' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2494773621136114496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2494773621136114496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/05/nao-e-piada.html' title='Não é piada...'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-3399020668420117922</id><published>2010-05-07T10:01:00.001-03:00</published><updated>2010-05-07T10:02:41.332-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humor'/><title type='text'>Secretária Eletrônica - Caderno de Bobagens - 4</title><content type='html'>Trabalhando cerca de 12 horas por dia, não tem como não sentir o estresse. Para relaxar um pouco e seguir adiante, resolvi folhear meu velho Caderno de Bobagens. Uma das minhas bobagens favoritas, da qual eu estava quase me esquecendo, era gravar mensagens de saudações bizarras na secretária eletrônica. Adorava isso quando era moleque, e não sei como meus pais deixavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas telefonavam para minha casa, de parentes e amigos a cobradores e colegas de trabalho, e mesmo que não falassem com ninguém, saberiam que os Hegenbergs não eram muito convencionais. A secretária eletronica se incumbia de dar esse recado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, assustava. Entrava &lt;i&gt;Hit the light&lt;/i&gt; do Metallica para criar a atmosfera apocalíptica, seguida de minha narração: &lt;i&gt;O fim... O fiiiiiiiim está próximo.&lt;/i&gt; Guitarras rasgando. &lt;i&gt;E então, ouviremos a mensagem&lt;/i&gt;. Voz profética se elevando. &lt;i&gt;Mas antes...&lt;/i&gt; Deixava rolar a bateria acelerada, até uma pausa súbita. &lt;i&gt;Antes... o sinal.&lt;/i&gt; E então, o bip da gravação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra, antológica, tinha aquela trilha da Missão Imposível, que um amigo improvisava com a boca ao fundo. &lt;i&gt;Tananan, tananan, tananan, nanan&lt;/i&gt;. Em vez de pedir nome, telefone e horário em que ligou, eu falava sobre QG, códigos secretos e exigia informes sobre a próxima missão. Besteira, sem dúvida, mas era divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras intervenções eram um pouco mais dadaístas. Como uma anunciada e celebrada escovação de dentes. Muito antes de saber de Vito Acconci, eu falava da higiene bocal como se fosse uma performance imperdível para os ouvintes incautos. Ou então, improvisava um conto surealista que poderia ir de sapos a naves espaciais, sem o menor nexo entre as partes, só para deixar aquela cara de interrogação em quem queria ser recebido com um simples &lt;i&gt;Alô&lt;/i&gt;. Ah, também tinha essa, que aliás era meio manjada: dizer &lt;i&gt;alô&lt;/i&gt;, como se não fosse uma gravação, esperar o tempo da resposta, emendar um &lt;i&gt;tudo bem&lt;/i&gt;, e levar adiante, para que o pobre coitado na outra linha pensasse estar falando com alguém em carne e osso, em vez de uma voz gravada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente, essas saudações, por estúpidas que fossem, causavam um certo&lt;i&gt; frisson&lt;/i&gt;, até mesmo uma expectativa quanto a qual seria a próxima. Mas às vezes deixavam as colegas de trabalho de minha mãe apreensivas a ponto de se queixarem. Como uma em que o teclado lhes dava aquela frase lenta e hipnótica, aguda, tão familiar quanto desenraizante. Nem todo mundo gostava de saber que, com um simples telefonema, poderia entrar na Zona Além da Imaginação.&amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-3399020668420117922?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/3399020668420117922/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=3399020668420117922' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/3399020668420117922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/3399020668420117922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/05/secretaria-eletronica-caderno-de.html' title='Secretária Eletrônica - Caderno de Bobagens - 4'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-5344975106552444343</id><published>2010-04-29T15:49:00.004-03:00</published><updated>2010-05-09T20:18:40.730-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Crise dos 30</title><content type='html'>Este blog, com este nome, não vai sobreviver à minha crise dos 30. Que completo no dia 14 de julho. Data revolucionária, dia da Queda da Bastilha, o que sempre me deu um certo orgulho e um ímpeto por mudanças repentinas. Especialmente dos vinte até hoje, mal consegui atravessar dois meses sem enfrentar questionamentos bruscos de alguma ordem, fosse política, estética, afetiva, psicológica ou metafísica. É exaustivo, afinal dificilmente alguém consegue me acompanhar em tantas guinadas. Este blog mesmo... mal sei como tem sua média de 12 visitas por dia. Também nem desconfio como mantenho algumas amizades por 15 anos, se não sou a mesma pessoa por mais do que alguns instantes. Claro, eu só sobrevivo por ter esses parceiros de longa data,&amp;nbsp; mas sinto que só uma companhia me tem sido realmente constante: o espírito questionador, que em muitas situações mais me atrapalha do que ajuda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, se você traça linhas aleatórias por muito tempo, algumas começam a incidir com maior visibilidade do que outras. O desenho vai se tornando mais visível, certos caminhos se sobressaem. Após muitas reviravoltas, por exemplo, é com alívio que chego a um momento profissional satisfatório. Estou adorando fazer traduções para a Discovery Channel, acho que descobri um nicho onde sou competente profissionalmente. Meu inglês ainda não é impecável, mas tem alguma coisa nessa rotina multitask que vai ao encontro da minha personalidade: o trabalho com a língua; a atenção à imagem; bocas abrindo e fechando onde encaixar a dublagem; o aprendizado a cada documentário; e o próprio ritmo frenético de passar de uma janela para a outra me são viciantes. Além das traduções, tenho lecionado inglês, o que para mim é um desafio bem maior, mas também recompensador. Acima de tudo, essas aulas têm me deixado mais aberto a pessoas bem diferentes de mim. Com isso, venho flexibilizando meu ponto mais intransigente, mais "jacobino": eu costumava pensar que só tinha a aprender com quem mostrasse algo de espírito-livre. Posso estar ficando velho, mas levei três décadas para entender que a vida não é uma superação atrás da outra. É que meus pais não me ensinaram a ser gente, apenas a ser filósofo ou artista. E por melhor que você seja nessas áreas, é pouco; eu estava deixando de captar muitas frequências e agora eu quero captá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maldição de ser artista, ao menos um com a imodesta intenção de criar algo relevante, é que quanto menos concessões fizer, mais longe chegará. Não no sentido comercial, claro, isso tem sido inversamente proporcional, mas quanto à contundência. Concessão não é apenas o que você cede para o mercado, pode ser como você se adapta a qualquer nicho estabelecido. Muitos conseguem repoduzir, por exemplo, exatamente o que a Folha de São Paulo ou a USP esperam de um artista, moldando-se àquele formato, independentemente de concordarem ou não. Nem essa facilidade eu me permito, apesar de que, se eu quisesse, saberia muito bem como fazê-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acho que tenho uma natureza intrinsicamente beligerante, só não consigo ficar quieto quando enxergo erros hediondos que poucos percebem.&amp;nbsp; Nesse ponto, não dá para negar, sou definitivamente a minoria, talvez por isso subestimado. Foi com Nietzsche que aprendi o quanto a moral é inimiga da vida, mas quantos têm, mais do que inteligência, estômago para realmente absorver suas lições, 130 anos depois? Já Harold Rosenberg viu com muita clareza a farsa de grande parte da arte contemporânea, mas essa farsa não é percebida por quase ninguém com lucidez o bastante para contestá-la. O comunismo é uma ideia que chegou a me atrair, mas é impossível observar o homem em suas minúcias e julgá-lo capaz de sair da teoria à prática - mas quantos se dispõem a ver o homem com imparcialidade, sem véus confortadores? E, por fim, o amor, que não está em moda entre intelectuais, mas é sempre um filão para grande público. O pior é que eu acredito no amor, mas não como o vendem. A cada experiência que atravesso, repito a pergunta com maior decepção: cadê a coragem das pessoas para se abrirem ao outro sem se apoiar em um monte de mentiras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em plena crise afetiva, bem sei que não facilito a vida das mulheres. Muitas dizem que adoram aquele livro da Clarice, &lt;i&gt;Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres&lt;/i&gt;... É mais ou menos a história que eu tento tornar realidade, mas, em meio à crise dos 30, estou a ponto de desistir. O socialismo eu descarto porque acho impossível, não porque não ache belo, e a aprendizagem da Clarice me parece mesmo bela, mas está começando a me parecer utópica. Basicamente, é um homem ensinando uma mulher a ser tão forte quanto possível. Para isso, ele deve ensiná-la a encontrar forças em si mesma, não só nele, pois só então eles seriam dignos um do outro. Alguns dos ensinamentos são meio deprimentes, como ele não levá-la para a cama antes que o aprendizado se conclua. Clarice que me desculpe, isso não dá para seguir, mas não creio que minha falha esteja aí. A dificuldade está na própria falta de concessões. Que é também a grande questão no embate de minha vida artistíca &lt;i&gt;versus&lt;/i&gt; minha vida pessoal. Fato é que qualquer pessoa com quem eu venha me relacionar entra em um terrível &lt;i&gt;ménage a trois&lt;/i&gt;. Tenho como amante fiel uma entidade das mais exigentes, mas com quem tenho uma sintonia incrível e me dá um prazer enorme. Minha obra, é claro, por que não dizer que eu a amo, que estou feliz com ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos meus empregos, estou fazendo concessões o tempo todo, o que não é necessariamente ruim. Algum senso de realidade é preciso ter, e bem que encontrei tarefas que me ampliam os horizontes. Mas seja nas aulas ou nas traduções, não é o mesmo amor que eu tenho com a arte. Emprego algum poderia igualar, pois com meu trabalho pessoal o diálogo é outro, não tem restrições. Agora, se meu aprendizado amoroso vem principalmente da minha relação com arte, como produtor ou como fruidor, acho que uma única vez consegui traduzir isso para uma relação com uma mulher. Foi eterno enquanto durou, pouco mais de três anos. No caso, acho que foi uma espécie de &lt;i&gt;ménage a trois&lt;/i&gt;. Ela interferia diretamente na minha obra, criticando às vezes severamente, outras me elogiando com admiração genuína. Muitas vezes me sugeria leituras que me enriqueceram muito, mas tudo com enorme respeito. A sintonia era boa entre nós todos. Um tentava fortalecer o outro, mas, como no livro dos prazeres, não se faz isso sem pequenas - ainda que proveitosas - destruições. O que digo é que não havia muitas concessões, o que havia era um senso de desafio e uma tentativa radical de nos mantermos honestos um com o outro. Essa é a parte mais perigosa, e abre algumas feridas, mas era o que nos punha em verdadeiro contato um com o outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Próximo dos trinta anos, sinto que pela primeira vez estou em ótima fase tanto na vida profissional quanto na produção artistíca. Mas, quanto à vida amorosa, alguma coisa está faltando. Constanto que a imensa maioria das mulheres me pede uma relação que me soa mais com a que tenho com o trabalho, não a maneira com que funciono quando realmente amo. Devo ser complicado mesmo, e as mulheres não se importam tanto com quem você é, podem até te achar um gênio, elas se importam muito mais com o que você é e faz &lt;i&gt;para&lt;/i&gt; elas. Nesse ponto é que eu mais as decepciono, assim que elas percebem que meu compromisso com minha obra pode ser mais profundo do que meu compromisso com elas. A menos que uma delas, por algum motivo especial, consiga intervir e estabelecer uma relação a três, não há como eu ceder apenas para ser gentil. Eu sou irritantemente fiel à minha obra, apesar das amantes fortuitas de carne e osso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-5344975106552444343?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/5344975106552444343/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=5344975106552444343' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/5344975106552444343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/5344975106552444343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/04/crise-dos-30.html' title='Crise dos 30'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-2461701006058143998</id><published>2010-04-12T22:45:00.010-03:00</published><updated>2010-10-15T22:58:53.836-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><title type='text'>Pichadores convidados para a Bienal</title><content type='html'>Engraçado ver a notícia anunciada justo na &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u719425.shtml"&gt;Mônica Bergamo&lt;/a&gt;, pois não se trata de arte, mas de colunismo social mesmo. Alpinismo, holofote, vernisage, drinkzinho. Eu cantei a bola &lt;a href="http://ivanhegenberg.blogspot.com/2008/06/vandalismo-e-arte_16.html"&gt;dois anos atrás&lt;/a&gt;: os pichadores se encaixam tão bem na atual mentalidade de arte contemporânea que poderiam ser cooptados numa boa. Não há uma distância muito grande entre os ataques de Rafael Augustaitis e a antiarte das últimas cinco décadas. O que ocorre é uma espécie de ultimato: ou se desiste de muito do que foi pensado nas universidades a respeito da antiarte, ou se endossa &lt;i&gt;qualquer &lt;/i&gt;ataque à arte como vanguarda. O movimento inercial tem sido o da subtração, mais que da criação, e Rafael se valeu dessa brecha desde que começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ao menos esses caras pichassem mais as casas dos políticos ou propagassem mensagens como Maio de 68, eu poderia considerá-los, se não grandes artistas, ao menos terroristas poéticos. Eu já fiz isso - eu, cujo background de infância, comparado com o deles, é o de um filhinho de papai - por que não esses maloqueiros tão destemidos? Está provado que eles, assim como boa parte dos artistas "engajados" atuais, querem mais é aparecer, em detrimento de quem faz arte de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra a corrente sou eu. Por mim, as instituições podem considerá-los revolucionários - eu estou cada vez mais orgulhoso de seguir meu caminho sem tanta ansiedade pelo sucesso. E nem tenho um discurso anti-sucesso, como supostamente eles têm. Mas, do mesmo jeito que eu sabia dois anos atrás que eles poderiam escalar e ser cooptados, eu sabia também que meu caminho podia me deixar um tanto à margem. Ok, meus livros estão no mercado, tenho artigos na DASArtes, aceitei bolsa, mas corro meus riscos, e não me vendo sem um mínimo de coerência. E, isso eu tenho sentido na pele, especialmente estes dias: é muito, mas muito mais fácil engolir um Pixabomb do que um Ivan Hegenberg - por uma questão de densidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não me repetir muito, vou deixar o link de &lt;a href="http://diagnosticosdiferenciais.blogspot.com/2010/10/crepusculo-de-paradigma.html"&gt;Crepúsculo de Paradigma&lt;/a&gt;, o artigo onde fui mais a fundo em toda essa discussão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-2461701006058143998?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/2461701006058143998/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=2461701006058143998' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2461701006058143998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2461701006058143998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/04/pichadores-convidados-para-bienal.html' title='Pichadores convidados para a Bienal'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-7246463384011028828</id><published>2010-04-12T04:14:00.006-03:00</published><updated>2010-04-15T03:25:25.448-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>Nobody loves me</title><content type='html'>Nobody loves me&lt;br /&gt;It's true&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só depois de ouvir meio distraído muitas vezes, reparei no terceiro verso da canção:&lt;br /&gt;Not like you do&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela canta esse verso um pouco mais para dentro, mais abafado, do que o início do refrão. A voz de Beth Gibbons é melancólica, o trip hop da banda é introspectivo, o nome da música é Sour Times - "tempos amargos". Este "not like you do" me deixa com uma ponta de dúvida. Ninguém me ama "como você" ou "não (é verdade) que você me ame"? Ela fala em disfarces, clama por sinceridade, e aponta que as "circunstâncias vão decidir".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A canção do Portishead tem ido e voltado na minha cabeça diante da consideração de que ninguém me ama. Acho que nunca antes, em quase trinta anos de vida, despertei tanta admiração - mas amor? Há muito tempo que ninguém me permite uma única chance para o amor. As mulheres têm se relacionado comigo com todas as precauções imagináveis, abandonando-me ao menor sinal de que um sentimento mais forte possa surgir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu for otimista, posso entender o segredo sussurrante do "not like you do" como um "ninguém me ama como você". Mas não mudaria a atmosfera da música - continuaria melancólica, com vidas enterradas e memórias de ontem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não consigo mais dizer se o problema é meu ou delas. Estou pensando em amor, mas, assim como Beth Gibbons, desconfio de todos seus maneirismos mais codificados. Cavalheirismo, juras precipitadas, dez telefonemas por dia - na minha opinião, convenções sociais e neurose são um pouco diferentes de amor. A maioria das pessoas prefere assim mesmo, acho até que se sentem mais confortáveis com o mero simulacro do que com uma conexão verdadeira. Principalmente quem não se conhece muito bem, não permite uma relação onde os dois tentem se aproximar um do outro. Nada contra flores, mas qualquer mulher experiente deveria saber que os pseudo-cavalheiros as usam como disfarce. Mais ou menos assim: "Fique olhando para essas flores, mas não olhe por trás dos meus olhos, ok?". A ironia é que o acordo é aceito com um certo alívio; se a mulher apenas superficialmente quer conhecer seu homem, mas morre de medo do que pode encontrar no fundo, prefere o vermelho das flores do que o de seu coração pulsante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elogios à roupa, perguntas sobre como foi seu dia, presentinhos, bilhetinhos, um milhão de telefonemas - claro que em muitos casos isso pode conter um carinho sincero, mas em inúmeros outros, se reduz a apenas técnica, manutenção, procedimentos burocráticos que os homens, ao longo de gerações, aprenderam ser necessários para que a parceria funcione, independemente do que estejam sentindo. Ou apenas neurose, onde não se enxerga o outro, apenas se controla os papéis em cena. Não estou propondo o fechamento de todas as floriculturas - ora, eu já dei flores de presente - apenas que o foco esteja no que não é decorativo. Na minha opinião, o amor é a exceção da exceção. A cada dez casais que pensam que se amam, talvez apenas um se relacione com alguma verdade. A maioria das pessoas simplesmente não tem estômago para aceitar o parceiro tal como ele é, pelo motivo óbvio de que não aceitam a si mesmas tal como são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A simples &lt;i&gt;encenação&lt;/i&gt; de um namoro ou de um casamento pode parecer sublime, mas eu prefiro não confundir a personagem com a atriz. O momento de sedução sempre é um teatro, inevitavelmente, e eu até subo no palco e recito algumas falas decoradas. Mas quando ameaço tirar a maquiagem para que alguma coisa real tome lugar, geralmente é o início do fim. Elas nem mesmo esperam para ver se meu rosto ao natural lhes agrada ou não - é o próprio gesto de tirar a máscara que as assusta. Talvez porque se sentiriam impelidas a limpar o rosto delas também. Ao menos, esta é a minha versão do que tem me acontecido com uma irritante recorrência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem sou eu para falar de amor? Afinal, nobody loves me &lt;br /&gt;It's true&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-7246463384011028828?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/7246463384011028828/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=7246463384011028828' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7246463384011028828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7246463384011028828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/04/nobody-loves-me.html' title='Nobody loves me'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-2326015224563359978</id><published>2010-03-13T16:53:00.004-03:00</published><updated>2010-03-14T10:00:28.779-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Mulher</title><content type='html'>&lt;h1&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mulher sangra pra virar moça&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sangra ao conhecer homem&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sangra desde o início da vida&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sangra no último dia&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mulher quer, mulher sente&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;i&gt;Sente-se de perna cruzada, minha filha.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mira o homem, parece forte&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp; Quer troco, se zanga, questiona&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp; Desliza, compete, quer braço&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp; Carinho ou atrito, amasso&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;b&gt;Suporta no ventre o excesso da vida&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A natureza a violenta por dentro &amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No imo, por baixo, nas veias&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/i&gt; Ecoa as dores da criação. &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-2326015224563359978?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/2326015224563359978/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=2326015224563359978' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2326015224563359978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2326015224563359978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/03/mulher.html' title='Mulher'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-1275688503329486631</id><published>2010-03-03T17:00:00.002-03:00</published><updated>2010-03-03T17:19:12.178-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Jein no Arena Poesia</title><content type='html'>&lt;i&gt;Jein &lt;/i&gt;é meu mais novo poema, que vocês conferem no &lt;a href="http://arenapoesia.blogspot.com/"&gt;Arena Poesia&lt;/a&gt;. O site é administrado por Pedro&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Andrade Jr, um cara muito simpático e com boas ideias. Quem quiser colaborar com o site, entre em contato com ele: &lt;span name="id" title="pandrade66@hotmail.com"&gt;pandrade66@hotmail.com A cada edição do Arena Poesia, há um tema novo. Jein, no caso, é uma palavra alemã que combina o sim e o não (&lt;i&gt;ja &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;nein&lt;/i&gt;) para sugerir ambiguidade e imprecisão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale a pena contar, rapidamente, como conheci o figura. No final do ano passado, estávamos eu e meu irmão na fila da Funhouse, e puxamos conversa com um grupo de amigos para matar o tempo. Nos divertimos comentando a transformação da casa ao lado da boate: antes era uma casa de fetiches (bondage, sadomasoquismo), agora é uma escola infantil. Nossa imaginação doentia logo visualizou crianças pedindo palmatória e professores brandindo o chicote. O uniforme, claro, era composto de peças de couro, e quem não batia no colega ficava de castigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uma piada idiota e outra, descobri que o Pedro trabalha com cinema e escreve poesia. Trocamos e-mails e algumas dicas. Ele leu meu roteiro para longa-metragem e deu os melhores palpites que &lt;i&gt;Poesia Dissonante &lt;/i&gt;já recebeu. E ainda me deu de presente o tema para um poema que não é dos meus piores. Rock, cinema, humor infame, poesia... Uma pena que não sou gay, eu ia me apaixonar por ele fácil fácil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-1275688503329486631?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://arenapoesia.blogspot.com/' title='Jein no Arena Poesia'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/1275688503329486631/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=1275688503329486631' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1275688503329486631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1275688503329486631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/03/jein-no-arena-poesia.html' title='Jein no Arena Poesia'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-3053377160462781960</id><published>2010-02-24T00:27:00.003-03:00</published><updated>2010-02-24T11:39:19.487-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Guilherme de Almeida Prado</title><content type='html'>Em pleno sábado de carnaval, lá estava eu com este grande cineasta, na Lanchonete da Cidade, para trocarmos impressões sobre nossos trabalhos. Um dia antes de eu farrear encarnando um travesti, na Dorotéia de Boiçucanga, nada mais justo que encontrar ao vivo, depois de algumas conversas ao telefone, um diretor que não hesita em confudir gêneros. Gêneros sexuais, no que lembra Almodóvar, mas especialmente cinema com pintura, filme noir com pós-modernismo e diferentes referências musicais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele começou a carreira na boca do lixo, como assistente de pornochanchadas. Aliás, este é o assunto de seu proximo projeto, em uma comédia sobre os bastidores desse universo. Com A Dama do Cine Shangai, de 1987, ganha o prêmio do Festival Gramado. Seu filme mais redondo é &lt;i&gt;A Hora Mágica&lt;/i&gt;, onde explora com muita competência a transição da era do rádio para a era da televisão. Contudo, meu preferido dele é &lt;i&gt;Onde Andará Dulce Veiga&lt;/i&gt;, que vocês podem baixar gratuitamente &lt;a href="http://filmescopio.blogspot.com/2009/11/onde-andara-dulce-veiga-2008-de.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;. O filme não "vazou", foi o próprio Guilherme que liberou para a rede. Apesar de não ter sido bem compreendido pela crítica, é um filme que precisa ser visto. Guilherme interferiu diretamente no negativo, combinando padrões de cores arrebatadores com as cenas filmadas. Até mesmo pétalas de flores e asas de borboleta foram coladas na película. A Dulce Veiga do título é uma diva da música dos anos 60 há muito esquecida, interpretada por Maitê Proença. O jornalista Caio tenta resgatar seu passado quando é incumbido de cobrir a banda de sua filha, uma roqueira lésbica (Carolina Dickemann, em uma atuação ousada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas divas, mãe e filha, uma apresentando versões suaves, outra, estridentes, da mesma canção, confundem os sentimentos de Caio. O peso que a música ganha, de uma geração para a outra, sinaliza o quanto o mundo ficou mais elétrico e tenso. Quanto ao nome do personagem principal, não é Caio à toa - trata-se de uma adaptação de romance homônimo de Caio Fernando de Abreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta uma espiada nas cenas do trailer para concluir que a crítica especializada - no Brasil, careta a ponto de se chocar com Cleópatra de Bressane - bem que tentou anular o filme, mas este sobreviverá. Não dá para negar que estamos diante de uma obra das mais experimentais e singulares que já se produziu em nossas terras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=nsydV9u-ThI"&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/nsydV9u-ThI&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/nsydV9u-ThI&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-3053377160462781960?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.filmesparadownloads.com/onde-andara-dulce-veiga-nacional/' title='Guilherme de Almeida Prado'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/3053377160462781960/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=3053377160462781960' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/3053377160462781960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/3053377160462781960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/02/guilherme-de-almeida-prado.html' title='Guilherme de Almeida Prado'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-332674704985365938</id><published>2010-02-12T14:10:00.003-02:00</published><updated>2010-10-15T22:50:44.057-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Distâncias variáveis – amor, arte, vida</title><content type='html'>Trasferido para &lt;a href="http://diagnosticosdiferenciais.blogspot.com/2010/10/distancias-variaveis-amor-arte-vida.html"&gt;Diagnósticos variáveis para uma arte em crise&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-332674704985365938?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/332674704985365938/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=332674704985365938' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/332674704985365938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/332674704985365938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/02/distancias-variaveis-amor-arte-vida.html' title='Distâncias variáveis – amor, arte, vida'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-3057580746648453580</id><published>2010-02-03T21:43:00.006-02:00</published><updated>2010-03-26T09:53:37.124-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>A-moral</title><content type='html'>Quando pequeno, como toda minha turma da escola, era só a professora pedir um desenho pra fazer o mesmo esquema: traçar um risco meio torto no que deveria ser o centro da página, e de um lado desenhar o heroi, do outro o vilão. Nossos garranchos ainda assinalavam qual era o "bem" e qual era o "mau". Influência de He-man, Thundercats, Jaspion, Caverna do Dragão e Homem-Aranha, que nos livravam de tantos perigos, abençoados e justos que eram. Mas meu pai, incorrígivel, não me perdoava. Eu não tinha nem sete anos, ele já queria me ensinar que em lugar algum, fora da TV, existe 'bem' ou 'mau'. Com essa idade é um tanto difícil entender, mas a lição perdurava como um desafio na minha cabeça. Uns três anos depois, pra piorar, ele tentou me explicar Complexo de Édipo. Foi mais ou menos assim: &lt;i&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Filhinho, tá na hora de você saber que, no fundo, você quer matar o papai. Mas tudo bem, é só no inconsciente. Freud deixa&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;. E antes que eu me recuperasse do susto, arrematava: &lt;i&gt;E essa mulher aí do lado, sabe, a mamãe? Você tem vontade de meter o pinto nela. Mas eu não fico bravo, todo mundo é assim&lt;/i&gt;. Depois dessa, não tem mais volta, sua visão de mundo se distancia do senso comum, querendo ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai era um chato, isso é fato, e aí é que dava mesmo vontade de matá-lo, tal como Freud queria. O contra-senso é que ao matá-lo - simbolicamente, claro - eu lhe dava razão. O conflito de gerações ficou concentrado no gosto musical - meu pai detestando rock, inclusive Doors cantando &lt;a href="http://www.lyricsfreak.com/d/doors/the+end_20042686.html"&gt;The End&lt;/a&gt;. Quanto à visão de mundo, essa que o Dr. Mauro ensinava já era subversiva o bastante, seria difícil encontrar pontos de partida mais rebeldes. À parte o incesto e as discussões em família, resolvi pensar no que ele tanto queria me ensinar. E, com o tempo, fui entendendo que nada prejudica tanto a vida quanto a noção de 'bondade'. Aliás, qualquer criança deveria saber disso. Que as penitências, o medo do inferno, as inquisições, as convenções, as jihads, os gulags, os preconceitos, as perseguições - só são possíveis quando todo um povo crê firmemente estar do lado "certo". Quem acredita no 'bem' - digamos, o "bom filho", o "bom pai", o "bom marido" - é sempre o mesmo personagem, obedecendo ao ambiente que o circunda. Se está no auge da Inquisição, vibra ao ver queimar na fogueira quem não acredita em pecado; se está na China de Mao, apedreja casais jovens que quebram o decoro ao dar as mãos em público; se está no Brasil de Médici, acha que os dissidentes são maléficos terroristas; se cresceu numa família nazista, tem plena convicção de que os judeus é que são desumanos e traiçoeiros. Em todos os momentos históricos em que houve apoio maciço à imbecilidade, sempre encontramos um ponto em comum: a crença fanática de que estavam certos, e os inimigos, errados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando digo que prefiro uma ética extra-moral, não defendo o foda-se generalizado. Só está além do bem quando se ultrapassa também o mal. Do contrário, permanece aquela linha torta serrando ao meio, ainda estamos diminuídos, e ainda é nosso oposto dizendo quem somos, pelo avesso. A bondade jamais foi encontrada, nem pelos neurologistas, nem pelos psicanalistas, nem pelos amantes, nem pelos poetas. Por mais que mobilize as pessoas, não é nada mais que uma abstração. A empatia pelo outro, no entanto, esta se pode encontrar. Até mesmo em cães e ratos que testemunham maus tratos em outros de sua espécie, percebe-se respostas emocionais imediatas. Todo nosso processo de aprendizagem se apoia na imitação dos próximos. Cognitivamente, perceber ao outro ou a si mesmo requer atividade cerebral semelhante. Até mesmo torcer pelo Homem-Aranha só é possível porque nos identificamos com os demais. Isso não significa que nos identificamos com o Homem-Aranha porque ele representa nosso lado bom. Mais correto é que gostemos de vê-lo esmurrando inimigos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já nem lembro se foi antes ou depois da crítica de meu pai aos meus desenhos: às vezes eu via oBatman na armadilha e torcia mesmo era pelo Coringa. Torcia por Luc Skywalker, mas de repente a vontade era a de que Darth Vader o derrotasse. Eu não era uma criança nem boa nem má: em alguns momentos, tinha certeza de que ao crescer seria ecologista; em outros, era tão impaciente que esmurrava paredes e só respondia atravessado. E onde já se viu uma criança boazinha, sensata, um anjinho? Só se for muito tolhida, muito amedrontada; não é natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto àquele traço que separa o heroi e o vilão de maneira incólume, melhor mesmo apagá-lo cedo, não deixá-lo engrossar. Depois, fica mais doloroso desaprender. Conheço adultos muito inteligentes que, para meu desgosto, ficam ultrajados quando digo apenas o que eu sabia desde a infância. Por exemplo, que quando traçamos contornos para o bem, o que queremos, na verdade, é evitar com toda a força certas empatias. Não queremos entender que o nazista é um ser humano, que pertence à nossa espécie, portanto não é totalmente diferente de nós - e achamos que resolvemos tudo ao tomá-lo por "mau". A armadilha é que este é exatamente o mesmo mecanismo que o nazista usou para definir o judeu. Não é que devamos perdoar genocidas, mas não precisamos gastar nossa energia a fim de convertê-los em algo não-humano. Basta derrubar os conceitos de bem e de mal para que o pensamento genocida não mais se sustente. Para uma criança, um nazista pode ser apenas um homem que não sabe brincar; para um adulto, é o homem que mente para si mesmo, um recalcado, que não confia na liberdade. Uma vez desaparecidas as convicções maniqueístas, interessa apenas o que amplia horizonte, rejeita-se tudo o que torna o mundo mais estreito. Não é preciso moral para valorizar a diferença, a variação, a dignidade de cada um ser como é. Ao dispensar a moral, somos obrigados a nos reiventar constantemente, temos de ser criativos a todo instante - e ninguém cria nada sozinho, somente em diálogo com os demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito mais natural do que a fiança da moral é o ímpeto para ir além do ego. Não se joga futebol sozinho, não se namora sozinho, não se conta uma piada para si mesmo com a mesma graça com que se conta para os amigos. Nossos desejos sempre se remetem a outras pessoas, o que é motivo para se confiar em uma ética a menos coerciva possível. Quanto menor a moral, menor o sentimento de vingança, menor  a surdez nos diálogos e mais improváveis as reviravoltas fanáticas. Não que tudo seja belo, que ninguém se machuque no futebol, que o amor não tenha seus espinhos ou que todas as piadas tenham graça. Ainda assim, é com a inocência de uma criança que faço questão de ser &lt;b&gt;amor&lt;/b&gt;al.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-3057580746648453580?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/3057580746648453580/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=3057580746648453580' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/3057580746648453580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/3057580746648453580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/02/moral.html' title='A-moral'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-6733014387453362217</id><published>2010-02-01T13:21:00.001-02:00</published><updated>2010-02-01T13:22:21.450-02:00</updated><title type='text'>Hegenberg, Hagen, Alemanha</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/S2bxP1wMvDI/AAAAAAAAAPg/-0labfJSINw/s1600-h/hagen,+alemanha.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="267" src="http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/S2bxP1wMvDI/AAAAAAAAAPg/-0labfJSINw/s400/hagen,+alemanha.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;No Google Earth&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-6733014387453362217?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/6733014387453362217/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=6733014387453362217' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6733014387453362217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6733014387453362217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/02/hegenberg-hagen-alemanha.html' title='Hegenberg, Hagen, Alemanha'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/S2bxP1wMvDI/AAAAAAAAAPg/-0labfJSINw/s72-c/hagen,+alemanha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-7044919867486766506</id><published>2010-01-14T16:38:00.006-02:00</published><updated>2011-01-22T14:37:57.772-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Além dos bens e de Marx</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;Seja homem e siga a ti mesmo! &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;Não a mim, não a mim!&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Friedrich Nietzsche&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A leitura de Marx não pode fazer mal a quem tenha força para não se submeter acriticamente a mestre algum. Quem souber contrapor teoria à realidade, atualizar o velho, aceitar as lições da História, e tirar conclusões próprias em vez de aceitá-las prontas, muito se beneficiará de um estudo seminal sobre o capitalismo. O problema está em aceitar, junto com o que Marx tem de profícuo, uma série de premissas que já não nos servem e precisam ser questionadas. Estamos falando de um pensador que condenou a religião como ópio do povo, portanto nada mais justo que tenhamos o mesmo desapego quanto a dogmas ao refletir sobre suas ideias. Para começar, podemos perguntar se hoje Marx ainda seria comunista em sua versão totalizante. Até mesmo Einstein teve que recuar em alguns pontos de sua teoria – na constante cosmológica, em especial - e talvez Marx também recuasse diante de evidências que em seu tempo não pôde prever. Mesmo em sua época, ao menos para os jornalistas burgueses, ele dizia que a luta dos operários poderia variar de acordo com cada situação; que, por exemplo, na Inglaterra, a Revolução poderia dar lugar à negociação. Há grandes estudiosos de sua obra que se esquecem desses detalhes. Se desde aquele tempo Karl Marx podia ser mais flexível do que muitos de seus atuais seguidores, hoje há ainda menos motivos para se ouvir apenas a vertente mais intransigente da teoria. Caso a tentativa seja a de pensar em socialismo &lt;i&gt;científico&lt;/i&gt;, a experiência deve definir o escopo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Aos modelos científicos não interessam as angústias humanas, considerações moralistas, menos ainda ambições políticas de ocasião. Levando isso em conta, devemos pensar até que ponto o socialismo de Marx ainda pode ser considerado científico – apesar de aspirar à aceitação universal de seus pressupostos. Como, de maneira geral, os cientistas não propõem fuzilamento aos que rejeitam as teorias de Darwin, que os marxistas encontrem fundamentos tão ou mais sólidos para assegurar que sua própria teoria de evolução não implique em sofrimento equivocado. Claro que nem mesmo a seleção natural está acima de qualquer dúvida, é apenas aquela, que, até o momento, se demonstra a mais confiável – a ciência é sempre a ciência de certo momento histórico, passível de ser superada. Uma teoria política, ainda mais uma que reivindica &lt;i&gt;status&lt;/i&gt; de ciência, deve também provar ser a mais confiável em seu momento histórico. Se a cobaia é o homem, e se países inteiros podem servir como laboratório, cobrar por evidências não é pedir muito. A não ser que ainda estejamos no terreno da fé, não podemos nos permitir indulgências. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não há como discordar que alguns conceitos de Marx continuam sendo fundamentais para a compreensão de nossa época. A mais-valia, o fetichismo da mercadoria e a alienação, por exemplo, nos permitem criticar o capitalismo com ferramentas teóricas das mais incisivas. No entanto, ainda são muitos os que pensam que a vocação do marxismo vai muito além da análise, que se trata de uma preparação para a sociedade por vir, ou mesmo que a revolução será inevitável e redentora. Claro que é muito maior o número de pessoas que entende como obsoleto este modelo revolucionário, porém em muitos nichos intelectuais, a utopia resiste à Queda do Muro de Berlim, resiste a todas as decepções do socialismo real, e mesmo às respostas que grandes filósofos deram ao problema. A revolução comunista se faria em nome da emancipação humana, mas só parece empolgar a quem se recusa a enxergar o ser humano como ele é. Isto porque o ser humano, incluindo aí muitos de seus espécimes mais inteligentes, tende a procurar por líderes, por figuras tomadas como infalíveis que forneçam direções, e com tamanha paixão veem esses líderes que se cegam em relação a suas falhas. O homem é, ao mesmo tempo, muito mais limitado e muito mais fascinante do que Marx propunha. Mais limitado, pois não é capaz de assumir compromissos totalizantes sem em algum momento se deixar levar por desvios. E é mais fascinante, exatamente pelo mesmo motivo. A emancipação tal como Marx sonhava – com todos os trabalhadores em uníssono em nome do bem comum – jamais acontecerá, porque o homem não é capaz de se engajar de forma total. Por outro lado, é isso o que nos permite ver a liberdade possível: a recusa a se subsumir em um sistema. Inclusive o atual.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Marx tem algo a nos ensinar, desde que o vejamos como um homem, não um mito, portanto passível de errar. Se hoje ele deixaria de ser comunista é especulação, mas não se pode negar que algumas de suas previsões mais assertivas falharam. Ele estava convencido que a revolução começaria nas civilizações mais industrializadas, e o que se verificou foi o oposto: Rússia, China, Cuba, os países da cortina de ferro, do leste asiático e dos revolucionários da África, todos eram essencialmente rurais. Outra previsão que foi para o buraco é a de que a classe média iria minguar, acirrando uma dicotomia entre detentores de capital e operariado. Os números mostram que em muitos países, inclusive o nosso, a classe média pode se expandir junto aos avanços do capitalismo. Aliás, o fato de termos alguma mobilidade social é o que mais frustra os comunistas de hoje, pois é um dos fatores a dissuadir os mais pobres a se unirem em prol da revolução. Não sendo nossa sociedade de todo estanque, muitos dos que estão na pobreza preferem sonhar com uma escalada rumo a um &lt;i&gt;status&lt;/i&gt; diferenciado em vez de garantir sua parte em uma distribuição igualitária. A origem social não determina o comportamento individual de maneira tão definida quanto seria necessário para a revolução que Marx imaginou. O mais miserável dos trabalhadores talvez não seja tão diferente do chefe que o explora, pode estar apenas aguardando sua oportunidade. É na cegueira para tais instintos, aliás, que reside o equívoco maior do comunismo. Não se trata apenas de dificuldades acarretadas pela transposição da teoria para a prática – há questões que no papel já se afiguram extremamente problemáticas e perigosas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;b&gt;O “bem”&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O maior equívoco do marxismo está em sua necessidade de confiar na bondade humana. A transição de nossa sociedade injusta para uma sociedade igualitária só se faria à força, com violência, o que a princípio se justificaria por contrapor-se à falta de compaixão dos atuais poderosos, puníveis por não se importarem em olhar para a humanidade de cima para baixo. Concordo que falta compaixão a quem está no topo, mas faltou ver o quanto é ingênuo apostar na bondade dos que liderariam a transição. O simples fato de alguém se dizer comunista ou vir de uma camada social mais baixa não é garantia de que seu comportamento em algum momento não poderá ser traiçoeiro. Pelo contrário, é isso o que vimos em todas as tentativas de implantação do comunismo. Bakunin, o maior rival de Marx em seu tempo, não precisou esperar pelos abusos de Stalin, de Mao ou de Fidel para acusar o maior ideológo da esquerda de ingenuidade. Bakunin, anarquista, pode não ter conseguido sistematizar seus próprios sonhos com tantos detalhes quanto Marx, porém foi muito melhor psicólogo do que ele. Ele soube premeditar o que ainda hoje os comunistas se recusam a entender como fatalidade incontornável: o proletário, ou seu representante, ao subir até o poder, já não se comportará mais como proletário. O poder transformará sua essência, mesmo que em um primeiro instante ele acredite sinceramente em sua vocação revolucionária. Nós vemos isso acontecer muito de perto em nossos partidos de esquerda, como o PT, que por mais bem-intecionado, e até mesmo radical que tenha sido no início, está muito longe de permanecer incorruptível. Não há nada no comunismo que nos faça crer que seria diferente. Ou melhor, a diferença estaria na disponibilidade de força total para se usar contra “inimigos do povo”, contra “corruptores” e contra “dissidentes” – que, é claro, são sempre os outros, sempre bodes expiatórios. Eliminados os adversários e “traidores”, no entanto, teríamos que confiar cegamente nas boas intenções desses novos ditadores – não haveria mais ninguém com poder para regular suas ações.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A questão é quase esotérica, mas consinto que Trotsky parecia muito melhor do que foi Stalin. Um grande sinal de que Trotsky merecia alguma simpatia é sua boa disposição diante dos artistas. Breton frequentemente trocava cartas com ele, em seu refúgio no México, e concordavam em um ponto interessantíssimo: no comunismo de Trostsky, a arte seria anarquista. Não haveria controle estatal algum sobre a criatividade dos artistas, coisa que jamais ocorreu no socialismo real. Se isso fosse aplicado, a arte viveria uma liberdade sem precedentes. No capitalismo, não há como a arte ser totalmente livre, o mercado inevitavelmente impõe seus padrões, seu gosto, seus limites, mas Trotsky defendia um regime onde isso seria possível. Não quero dar a entender que o mais importante seja a política cultural, mas esse ponto me inclina a pensar que sua visão da emancipação humana tinha certa flexibilidade e sensibilidade. Se ele conseguiria colocar tal plano em prática já é levar muito longe o esoterismo, pois o principal a se ter em mente é que Stalin se impôs como sucessor de Lênin. É a pergunta que eu sempre faço aos meus amigos marxistas, e eles nunca me deram uma resposta convincente: uma vez montado um aparato ditatorial, o que garante que o melhor homem assumirá o comando? Mais provável é que aconteça sempre o contrário: que o mais ambicioso, o mais forte, o mais dissimulado ou o mais inescrupuloso saberá galgar degraus melhor do que o homem sensível. Sempre um Stalin em vez de um Trotsky, ou mesmo um Fidel em lugar de um Che. Marx queria dedicar sua obra máxima a Darwin, que ele muito admirava, mas este recusou. Não foi à toa: a evolução natural mostra que os mais fortes tendem a se converter em líderes, e os mais fortes, tanto no reino animal quanto no humano, não dispensam uma agressividade acima da média.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na tentativa de evitar este problema, a teoria marxista prescreve que seja temporária a existência de qualquer partido, que a ditadura do proletariado se dissolva assim que a igualdade esteja assegurada. Verificou-se, no socialismo real, uma procrastinação eterna desse momento em que o Estado deixaria de existir. Acreditar que os governantes, uma vez tendo sentido o gostinho do poder, aceitariam o momento de abandonar seus postos é o mesmo que esperar que nossos milionários saiam voluntariamente de suas mansões para morar em conjuntos habitacionais e distribuam tudo que têm de supérfluo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;De qualquer modo, não há como chegar a um momento em que o comunismo se torne natural o bastante para funcionar sem coerção. Se, uma vez estabelecida a igualdade, o Estado abandonasse sua função, em pouquíssimo tempo os homens voltariam a competir, voltariam a disputar cada pequeno degrau, restabelecendo uma situação cada vez mais semelhante à do capitalismo atual. Por amargo que seja, é preciso admitir que o capitalismo é mais espontâneo, é mais natural do que o comunismo. Se somos descendentes dos macacos, não podemos esperar um comportamento sem qualquer vestígio de brutalidade animal – devemos lidar com isso da melhor maneira possível, mas sem ilusões. Ao contrário do que Rousseau acreditava, não há um bom selvagem que a sociedade corromperia. Pelo contrário: a disputa por território, a exploração e a hierarquia não são exclusividade do capitalismo avançado. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;b&gt;Podre poder&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Toda relação humana é relação de poder. Seja com o Estado, com o trabalho ou na vida em família. Foucault entendia que até mesmo o amor só existe em uma dinâmica entre dominador e dominado, às vezes mais sutil, às vezes com maior tensão. Não é à toa, portanto, que a revolução cultural de Mao Tsé-Tung coibia demonstrações de afeto, livros e filmes românticos ou qualquer traço sensual nos trajes e cortes de cabelo femininos. A princípio, pode parecer que ele estava deturpando os ideais comunistas, no entanto o que exerceu foi mais uma interpretação literal demais do que uma traição. O que Mao notou é que, se o princípio da igualdade deve se sobrepor a qualquer desejo individual, até mesmo a paixão dos amantes seria, potencialmente, um sentimento adverso, na medida que os afastaria da coletividade. Quanto mais dessexualizado um homem e uma mulher, mais eles poderiam se comportar fraternalmente, sem a subjugação de um ao outro, tal como Foucault constatou. Lembramos também que Marx havia escrito, em seus textos mais panfletários, que os filhos deveriam se separar dos pais e ser entregues ao Estado assim que se concluissem os primeiros cuidados maternais. Parece-nos bruto, seco demais, e dificilmente um comunista moderno concordaria &lt;i&gt;ipsis litteris&lt;/i&gt;, no entanto pensamentos como esse coadunam com a dieta restrita de afetos que uma sociedade comunista requereria. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;No início, aliás, Mao tentou oferecer maior liberdade de expressão, lançando a Campanha de Cem Flores, com a intenção de que todas as vozes dissidentes fossem ouvidas – cem escolas de pensamento, inclusive contrárias ao comunismo, seriam ouvidas. Em 1956, assim ele dizia: “Como verdade científica, o marxismo não teme críticas. Se o fizesse e pudesse ser derrotado numa discussão, não teria validade.” A intenção de abrir espaço para críticas parecia boa, mas logo incorreu em uma onda de protestos tão caótica e contraproducente, que Mao voltou atrás e se viu obrigado a reprimir os desafetos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&amp;nbsp;Onde, quando e quanto se deve reprimir pode ser variável, no entanto, o igualitarismo pleno é impraticável sem o sufocamento de um grande leque de desejos e opiniões individuais. Se o Partido se arroga o direito de expropriar pessoas influentes de suas propriedades, de ocupar fábricas e empresas, e de decidir quem se incumbirá de quais funções na sociedade, só é capaz de fazê-lo ao legitimar sua autoridade junto ao povo. No primeiro momento, a repressão é &lt;i&gt;sine qua non&lt;/i&gt;, para impedir os antigos poderosos de se reestruturarem. Obtida a estabilidade política, o Estado ainda precisa impor constantemente sua autoridade, atuando com a capilaridade e onipresença que caracteriza uma ditadura. Caso relaxe em sua influência, os opositores se reorganizam e o processo revolucionário não se consuma, como Mao bem o percebeu. Não só as transformações objetivas devem ser asseguradas, como uma nova subjetividade deve ser criada. Este passo, que costuma incluir o culto à personalidade do dirigente, é de vital importância, para que as identificações burguesas sejam substituídas por novos valores e possa haver harmonia nessa sociedade. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Um problema é que os desejos burgueses, com todas as críticas que podemos lhes fazer, não são tão totalmente artificiais. Por mais que a publicidade use truques escusos para difundir desejos supérfluos, alguma vontade de consumir é autêntica. O dinheiro traz infelicidade para a sociedade, mas para o indivíduo pode ser prazeroso. Mesmo no imaginário dos mais pobres, há uma volúpia em torno do dinheiro que só se reprime a muito custo, usando força bruta contra os dissidentes, controlando-se a imprensa e a educação. Se a nossos olhos parece que o socialismo real cometeu exageros, não foi apenas pela idiossincrasia dos comandantes, mas porque a transposição da teoria para a realidade desperta resistências que só podem ser vencidas com mão de ferro. Tão difícil é esse controle que, para o Partido, o melhor é estabelecer laços simbólicos os mais entranhados possíveis. Com isso, uma grande energia é dispendida não com a instrução científica, mas com a propaganda mais emotiva e irracional. Não vejo em que medida isto seja menos pior do que a publicidade do capitalismo. O ditador, cultuado, assume as feições de grande pai, responsável pela vida de cada um, ensinando com severidade e atenção constante, influindo na maneira de pensar, de agir e de desejar de cada filho. Mesmo que não houvesse perseguições e fuzilamentos arbitrários, o comunismo já seria lamentável por infantilizar o povo, por afastar cada homem de sua potência, de sua capacidade de responder por si mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;b&gt;Duas acepções de economia&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Marx fala em emancipação humana. Com o fim do trabalho exploratório, o homem readquiriria sua dignidade. O trabalho já não seria reificante, pois o produto de seu esforço retornaria ao trabalhador de forma justa, desfazendo sua posição de inferioridade em relação ao empregador. Até aqui, o pensamento é de fato libertário. Constenador é perceber tudo que ficou de fora. Pode ser profícuo considerar, tanto quanto a noção marxista de economia, a maneira como Freud emprega a mesma palavra. “Economia”, no vocabulário psicanalítico, não diz respeito às finanças, mas ao fluxo da libido, à maneira como o inconsciente lida com as pulsões. As duas acepções da palavra podem ser pensadas conjuntamente, embora se costume esquecer do quanto uma economia interfere na outra.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Todas as correntes psicanalistas, por mais diversas que sejam, concordam que a agressividade é anterior ao surgimento da propriedade privada e faz parte da psique desde a primeira infância. O sofrimento psicológico é impossível de se erradicar – afinal nem sempre advém de situações concretas, muitas vezes sendo deflagrado por situações imaginárias. Para organizar sua economia psíquica, constantemente ameaçada de caos, cada indivíduo se vale de poderosas ilusões que nutre a respeito de si mesmo e do mundo. Trata-se de ilusões constituintes, necessárias, que podemos chamar de loucura cotidiana. Nem eu nem vocês estamos isentos dessa condição, que no entanto nos salva da loucura maior, patológica. Lembremos que o homem é um animal desgarrado da natureza, de que a sociedade se apoia em inúmeros artifícios, de que a consciência da morte nos oprime, e de que o pacto social, mesmo o mais justo, nos impinge um grande leque de dificuldades adaptativas. O marxismo não atribui o mesmo peso a tais considerações que a psicanálise. Caso confrontasse a economia material com a economia libidinal, teria que admitir que todos os comandantes do Partido estão sujeitos, como qualquer homem, à loucura cotidiana. A auto-ilusão pode ser encontrada, sem dúvida, nos governantes da democracia, porém ao menos não se lhes oferece poder totalitário. Na democracia, um presidente homofóbico pode ser eleito, mas tal sintoma terá que ser contido. Mesmo Berlusconi, um dos piores chefes de Estado da atual democracia, não pode dar plena vazão a seus preconceitos. Nas mãos de um ditador, a homofobia pode se externalizar em um decreto que condene o homossexualismo e toda a cultura gay, como de fato fez Fidel Castro em Cuba. Nem sequer vem ao caso falar em “crueldade”. Os ditadores comunistas que tivemos muito provavelmente sentiam-se fiéis ao legado de Marx – mesmo porque trata-se de uma ideologia estruturante, totalizante a ponto de organizar sua economia psíquica e acentuar convicções –, no entanto, nem mesmo a crença sincera na utopia garante que as neuroses ficarão de fora das decisões nacionais. Fidel Castro – ou mesmo Stalin – aparentemente sentiam-se bons cumpridores de seus deveres, por mais que sua rotina fosse sanguinária.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O próprio Marx, se tivermos um mínimo de honestidade com a História, possuía uma auto-imagem incompatível com algumas de suas atitudes. Filho da burguesia, o revolucionário defensor dos trabalhadores vivia às custas de Engels, pedindo-lhe empréstimos que não se destinavam à mera sobrevivência, mas ao aprumo nas vestimentas e na decoração de sua casa. Ele considerava fundamental ter uma apresentação vistosa, muito acima dos trabalhadores que defendia, para suas reuniões políticas. Diplomaticamente, talvez seja defensável, mas o que pensar de sua decisão, confessada em carta a Engels, de que suas filhas deveriam se casar com homens bem-posicionados? Ele diz com todas as letras que não era conveniente que suas filhas se casassem com proletários. Também encontramos em sua correspondência certos traços racistas, ou no mínimo colonialistas, sem grandes simpatias pela África. Esforço-me para não ser tendencioso, não é preciso manipular os fatos para fazer um retrato humano de Marx que não é de todo agradável. Homem algum, por maior que seja, passa incólume pela vida, isento de uma mancha ou outra. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Isto posto, devemos ter a clareza de que nenhuma filosofia onde se separe o bem e o mal pode ser tábua de salvação. Quando se tem uma auto-imagem envolta pela aura do “bem”, permite-se muitas indulgências para consigo. Quando se pressupõe a existência do “mal” como um absoluto, obtém-se permissão para liquidá-lo sem maiores explicações. O problema é que não há, &lt;i&gt;a priori&lt;/i&gt;, qualquer instrumento para aferir se o “mal” está realmente no inimigo, ou se pertence à dinâmica de auto-ilusão constituinte do comandante. Para se pensar o homem com alguma confiabilidade, é preciso ter coragem de pensá-lo além do bem e do mal. Em vez de apostar em um discernimento moral sobre-humano por parte do ditador, que nem mesmo Marx atingiu, é preferível uma filosofia que lide com a vida de maneira extra-moral – como o faz a psicanálise ou, antes dela, Nietzsche. Nietzsche assume os aspectos trágicos da vida, no entanto nos ensina a lidar com eles. O filósofo foi muito mais ético do que se costuma pensar. Ele é associado erroneamente ao nazismo, sendo que rompeu com Wagner devido ao anti-semitismo do compositor. Costuma-se também tachá-lo de niilista, quando na verdade trata-se do oposto. Se Nietzsche escancara os aspectos trágicos da vida é porque ao olhar para o abismo de frente pode-se aprender a atravessá-lo. É evidente que ele tem seu lado perturbador, pois abdica da tentativa de livrar o mundo do sofrimento. Que fique claro, no entanto, que assim faz porque qualquer tarefa totalizante só poderia ter como resultado novos enganos. Em vez de nos orientar ideologicamente, nos estimula a coragem para enfrentarmos as ilusões. A única grande ilusão que Nietzsche conserva é a arte, que, aliás, serve-lhe como exemplo de que o sofrimento pode render coisas belas e potentes. O filósofo viveu no fim do século XIX, época em que os ideais socialistas ganhavam força, e observando tais movimentos, considerou que um regime igualitário poderia, em tese, ser alcançado. A seu ver, contudo, tal regime só poderia se firmar através de uma série de ilusões, através de uma pressão constante e manipuladora, o que faria com que tivéssemos uma sociedade de “homens de rebanho”, sem voz própria. Se levarmos em conta o que se passou na arte da Rússia soviética, não deixa de ter sua razão. Com Trotsky e Breton afastados do governo, toda a vanguarda artística que havia no país, de Malevitch a Maiakóvski, enfrentou a prisão, o exílio ou o ocaso, ao passo que prosperou o realismo socialista, uma produção que pode ter sido boa propaganda, porém insípida como arte. A verdade é que a cultura se deteriorou em todos os regimes socialistas, recuperando-se apenas nos momentos de abertura. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Em um governo totalitário, seja de esquerda ou de direita, a tendência não é a de que a expressão livre prospere, mas a de que o programa político inclua o controle sobre a arte. Arte controlada só pode ser uma arte menor, e não se trata apenas de arte. Um pensamento crítico ao capitalismo sem dúvida é fundamental para que nos livremos da alienação, afinal nosso atual sistema divulga uma idéia muito limitada de liberdade, associada ao consumo voraz. Não vou me estender neste ponto, que já abordei em outros textos, mas a publicidade contamina nosso imaginário, desestimulando-nos a afirmar uma subjetividade mais autêntica, mais digna. No entanto, a emancipação planejada pelo comunismo pode ser ainda mais enganosa, e com menor espaço para dissidências do que temos na democracia. Lacan, por exemplo, paga seus tributos a Marx, mas entende que a alienação não acontece apenas nas relações de trabalho, de produção ou de consumo. Alienação, no vocabulário de Lacan, significa submissão ao Outro, onde os desejos pessoais ficam tolhidos. O fascínio que os ditadores populistas exercem sobre a população, que, como vimos, assume a mitologia de um grande pai, é extremamente alienante. Se não há uma distinção clara dos desejos do indivíduo em relação aos desse Outro, encarnado pelo ditador, não podemos sequer dizer que o sujeito esteja politicamente mobilizado. Sua subjetividade é coordenada por desejos alheios, vindos de cima para baixo. É um quadro de grande fragilidade e de infantilidade psíquica. Nas palavras de Nietzsche, é esse o homem de rebanho. &lt;span style="color: black;"&gt;Não é só a exploração material que deforma o homem; essa é, certamente, uma das coisas, no entanto Marx foi muito redutor. Também a hierarquia, a obediência a um líder e o trabalho não-criativo sufocam e atrofiam o homem. Marx teria suposto que a longo prazo tais problemas supostamente seriam resolvidos com o fim do Estado, porém, se este passo é impraticável, o estabelecimento de uma ditadura apenas os exacerba. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&amp;nbsp;A dificuldade maior, que até mesmo alguns dos grandes pensadores dos últimos tempos não souberam assimilar, é a compreensão de que não há como livrar o mundo de toda tragédia. É um erro ainda mais trágico, por parte dos sistemas totalitários, arrogar-se a pretensão de erradicar da humanidade suas inevitáveis angústias. A partir do momento que o homem se afasta da natureza, não há maneira de não se deformar. A alienação tem uma envergadura muito maior do que o marxismo considera. Não há, infelizmente, como renunciar a esta condição, embora se possa aprimorar ao longo da vida as maneiras de se responder pelo próprio desejo, em vez de se subordinar a diretrizes superiores. Tal noção de liberdade me parece mais generosa e mais ética do que a noção materialista. Uma filosofia trágica, tal como a de Nietzsche, não se confunde com uma visão pessimista, na medida que nos ensina a dizer Sim para a vida, apesar de seus conflitos. Não há uma “saída” finalista, mas uma busca por maior autonomia, ainda que incompleta, onde possamos escolher nossos próprios equívocos. Não se defende aqui o relativismo total, pois este sim seria niilista, mas uma resistência local, não-dogmática, e uma consciência que abarque também o inconsciente, o fugidio e o inexpugnável. A micropolítica, como defendem aqueles que melhor atualizaram Nietzsche, como Deleuze e Foucault, é preferível às políticas totalizantes, precisamente por considerar a economia libidinal tanto quanto a economia financeira. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Ao concentrar todos os fluxos em um único aspecto da vida em sociedade – o bem-estar material -, subordinando cultura, autonomia e liberdade individual a um sistema controlado, o ideal comunista desconsidera todos os outros devires, todas as demais batalhas e conquistas da humanidade. A compreensão de que o capitalismo é perverso denota um pensamento crítico, porém este termina assim que se obstina por soluções demasiado moralistas. Falha quem desconsidera a natureza humana no que esta tem de variado, de complexo, de sutil, e mesmo de incoercível. Um comunista ortodoxo talvez venha a tachar meus pensamento de conivente e conservador, quando se trata mais precisamente de uma desencantada, porém vigorosa lucidez. Prefiro-a do que a ilusão eloquente – o estrago é bem menor, e as possibilidades se abrem para o que podemos chamar com mais sabedoria de liberdade. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-7044919867486766506?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/7044919867486766506/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=7044919867486766506' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7044919867486766506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7044919867486766506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/01/alem-dos-bens-e-de-marx.html' title='Além dos bens e de Marx'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-1195813382727104131</id><published>2010-01-04T19:57:00.000-02:00</published><updated>2010-01-04T19:58:17.836-02:00</updated><title type='text'>Acho que sim</title><content type='html'>...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-1195813382727104131?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/1195813382727104131/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=1195813382727104131' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1195813382727104131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1195813382727104131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2010/01/acho-que-sim.html' title='Acho que sim'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-1489949799939934871</id><published>2009-12-20T18:48:00.006-02:00</published><updated>2010-10-03T13:23:08.676-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Mosquitos e Berlusconi</title><content type='html'>Pelas  minhas contas, no último mês matei uma média de 2,3 mosquitos por dia. Confesso que sinto orgulho desta marca e que é com muita felicidade que encerro a vida dos chupadores de sangue. Os jainistas se recusam a tirar a vida de qualquer criatura, por mais insignificante ou irritante que seja, mas nem com a mais profunda meditação eu suportaria  insetos zumbidores. Também não há consciência ecológica que supere a emoção de ver que o tapa foi certeiro, que o bicho aprendeu que há alguma distância entre homem e artrópode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e quanto a chupadores de sangue maiores e mais perigosos, tal como Berlusconi, primeiro ministro italiano? Todos devem ter visto, na televisão ou na internet, a porrada que ele tomou de Massimo Tartaglia. A imprensa se apressou a desconsiderar o gesto de Tartaglia como ato político, devido a seu histórico psiquiátrico. Na verdade, a imprensa está sempre esperando uma oportunidade para igualar ativismo e insanidade, e não perderia essa. Não estou defendendo o gesto de Tartaglia, logo mais digo por que, mas acho que há muita ignorância em pressupor que quem busca tratamento psiquiátrico não possa ter opiniões sobre a maneira como seu país é conduzido. Há nuanças para a loucura, nem todos os casos são extremos a ponto de não restar juízo crítico. Meus pais militaram pelo movimento antimanicomial, justamente para contestar ideias como essa. Artaud e Van Gogh foram internos e criaram obras brilhantes. E ninguém aí leu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O alienista&lt;/span&gt;? Na minha opinião, o melhor conto de Machado de Assis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesquisando um pouco na web, vemos que Tartaglia era um artista. Apesar de não muito conhecido, ele teve inteligência o bastante para criar o que chamou de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;music picture&lt;/span&gt;, quadros cujas cores e formas mudam de acordo com os sons. Eu, como quase ninguém, jamais tinha ouvido falar nele antes, mas aí abaixo está a reprodução de uma obra sua, onde podemos ver dispositivos eletrônicos para acender as luzes. Não parece uma obra-prima, ele não é um Van Gogh contemporâneo, mas vale como prova de que ele não era de todo alienado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/Sy6cuXOrpKI/AAAAAAAAAPY/zN9d7QuMjbI/s1600-h/music+picture.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417439722096796834" src="http://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/Sy6cuXOrpKI/AAAAAAAAAPY/zN9d7QuMjbI/s320/music+picture.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 240px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tartaglia não é o único que sentia vontade de dar um murro no mais polêmico e autoritário governante que a Itália viu desde Mussolini. Não é à toa que, logo após seu ataque, surgiram fã-clubes seu no Facebook com milhares de adeptos. Berlusconi é acusado de corrupção, é conhecido por comentários racistas e machistas, tem exercido a censura, tem sido um rolo compressor contra os imigrantes, para não falar na confissão de mafiosos, alegando que têm envolvimento direto com ele.  Com uma fortuna de US$ 20 bilhões e a propriedade de uma grande emissora de TV, recursos para impulsionar a popularidade não lhe faltam, mas o homem por trás da tela não é nada agradável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que senti um certo prazer ao ver o rosto de alguém tão detestável desfigurado pelo ódio de alguém que, se é mais louco do que nós, fez o que muitos queríamos. Podemos somar toda alegria que tive em me vingar das dezenas de mosquitos nos últimos tempos, deve ter sido esta a emoção que Tartaglia sentiu. Podem chamá-lo de louco, mas nós, os sensatos, estamos sempre apenas observando. Observamos Berlusconi tornar o mundo mais fascista, e observamos confortáveis uma reação que tentava desequilibrar a situação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Multo bene&lt;/span&gt;. Eu queria falar um pouco do prazer, porque uma parte de mim quer sair por aí distribuindo porrada em todos os corruptos, manipuladores e proto-fascistas que nos sugam o sangue. Para ser ainda mais franco, não vejo até aí grandes problemas éticos, não acho moralmente "feio". Acho que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;status quo&lt;/span&gt;, apesar de legitimado pelo pacto social, pode ser muito mais violento do que um gesto como o de Tartaglia. Dois dentes quebrados e um inchaço no rosto não são nada em comparação com a fome, a pobreza, a alienação e a perda de liberdade que Berlusconi impinge. Alguma agressividade é necessária para não se acabar exangue. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, não necessariamente agressividade física. No fim das contas, a vingança falhou, pois a maioria dos italianos não percebe que seu primeiro ministro é um inseto asqueroso. Quase jainistas, sentem piedade por quem lhes retribui com desprezo e vileza. A popularidade do "pobre coitado" subiu sete pontos em uma semana! As pessoas fazem questão de oferecer a outra face, nem percebem de quem estão apanhando. Mesmo assim, a FAI (Federação Anarquista Italiana), se empolga, acha que vai ser ouvida e comete um &lt;a href="http://prod.midiaindependente.org/pt/blue//2009/12/461180.shtml"&gt;atentado&lt;/a&gt; a bomba em uma universidade... Ninguém se feriu, mas, mais uma vez, acho que o governo pode se fortalecer com isso. As pessoas ficam assustadas, não consideram o contexto político para além do que a TV vomita, tampouco têm ímpeto revolucionário para se engajar numa luta sangrenta. O resultado acaba favorecendo quem está no poder, não tem a menor graça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta ao fascismo deve ser agressiva, porém dificilmente funcionará se escorrer sangue. O inimigo - não só na Itália - é dono da mídia. Tem se mantido no poder com a manipulação dos fatos, portanto é numa guerrilha de contra-informação que se deve engajar. Eu sinto que venho fazendo minha parte com meus textos, mas não é privilégio de escritor. Qualquer um tem capacidade para se tornar um vetor de transformação, seja através de blogs, de ativismo criativo, terrorismo poético, em conversas nos bares, corredores, universidades, em intervenções urbanas, em manifestações culturais e contraculturais, contestando tudo que nos degrada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-1489949799939934871?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/1489949799939934871/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=1489949799939934871' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1489949799939934871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1489949799939934871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/12/mosquitos-e-berlusconi.html' title='Mosquitos e Berlusconi'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/Sy6cuXOrpKI/AAAAAAAAAPY/zN9d7QuMjbI/s72-c/music+picture.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-8486163351400303995</id><published>2009-12-12T20:44:00.017-02:00</published><updated>2010-08-31T15:36:07.574-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Os dias da peste</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SyWDFVZ-tqI/AAAAAAAAAPA/ZYLarlB2r-c/s1600-h/peste.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5414878254651586210" src="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SyWDFVZ-tqI/AAAAAAAAAPA/ZYLarlB2r-c/s400/peste.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 267px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ficção científica, o debate mais quente tem sido o do experimentalismo formal &lt;span style="font-style: italic;"&gt;versus&lt;/span&gt; foco no conteúdo. É uma falsa oposição, mas é um tanto aborrecido notar que muitos especialistas do gênero fiquem tão tímidos diante de certos desafios, como os propostos por Nelson Oliveira em &lt;a href="http://rascunho.rpc.com.br/index.php?ras=secao.php&amp;amp;modelo=2&amp;amp;secao=3&amp;amp;lista=1&amp;amp;subsecao=58&amp;amp;ordem=3133"&gt;As três leis&lt;/a&gt;. O que Nelson vem propondo em seus artigos é extremamente alvissareiro para escritores de FC, ao menos para os que querem sair do nicho e ganhar atenção de um público e de uma crítica que ultrapassem os limites do gênero. Assim como Rubem Fonseca não é estimado apenas por fãs de romance policial, a ficção científica pode ir mais longe do que tem ido. Aliás, no exterior a sci-fi tem se repensado, o Brasil é que está atrasado - e que graça pode ter uma ficção especulativa que não olha para a frente? Olhar para a frente não significa pegar 1984 e jogar para 2084 - também pode ser, mas há outros links a se fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o pseudônimo de Luiz Bras, Nelson aponta que a literatura mais aceita pela crítica, herdeira de Clarice, Guimarães ou do mesmo Rubem Fonseca, tem se repetido demais. Por maior que seja o apuro formal dos escritores contemporâneos, estes têm sido pouco inovadores, especialmente no conteúdo. Podem monopolizar os elogios dos críticos com uma escrita consciente e madura, porém têm propiciado inevitáveis sensações de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;déjà vu&lt;/span&gt;. A ficção científica, por outro lado, sempre se esmerou pela inteligência inventiva, lidando com um vasto repertório de possibilidades narrativas. O conteúdo tem sido o forte da sci-fi; a forma, o triunfo da literatura considerada "séria": por que um não pode aprender com o outro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há resistências dos dois lados, preconceitos, posições identitárias, preguiça. Por isso que uma das minhas maiores alegrias literárias do ano foi &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os dias da peste&lt;/span&gt;, de Fábio Fernandes. Antes mesmo de abrir o livro, a conversa que eu tive com o autor no lançamento já me sinalizou que os intercâmbios são possíveis. Leitor atento de Leminski e Borges, Fábio defendia o cuidado com a linguagem e atacava o purismo de ambos os lados. No bar da Bela Cintra, ressaltava que há tecnologia em tudo, até mesmo na camisa que vestimos, portanto, por mais humanista que se queira ser, não há como se livrar dos aparatos, recusar a ciência, ignorar as máquinas. Isto não significa que todo escritor deva escrever sci-fi ou ser expert em mecatrônica, apenas evitar a negaçao de um fato consumado. Aliás, Fábio diz estar mais interessado na reação das pessoas à tecnologia do que nos &lt;i&gt;gadgets&lt;/i&gt; em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SyWDoEbjIaI/AAAAAAAAAPQ/CW5Ym0xX-zQ/s1600-h/fabiofernandes.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5414878851390185890" src="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SyWDoEbjIaI/AAAAAAAAAPQ/CW5Ym0xX-zQ/s320/fabiofernandes.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 320px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 210px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste exato momento, estamos recorrendo à internet. É consenso que tal ferramenta vem transformando nossa maneira de comunicar, de interagir com os outros, e consequentemente nossa maneira de pensar. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os Dias da Peste&lt;/span&gt; faz um excelente retrato do pensamento &lt;i&gt;internético&lt;/i&gt;. Brincamos ao apelidar o Google de Deus, já o tomamos como uma entidade, um cérebro gigante, mas até o momento cremos tê-lo sob controle, afinal nos asseguramos de ter alma e os computadores, não. Mas por quanto tempo teremos esta certeza? As primeiras páginas do romance são a apresentação de Lucida Sanz, uma curadora que em 2109 resgata os antecedentes da chamada Convergência, a partir da qual, nós suspeitamos, a inteligência dominante passará a ser pós-humana. O que isto significa, vamos decifrando aos poucos, em notas de rodapé preparadas pela curadora. O livro se organiza em torno das anotações de Artur, blogueiro de nossos tempos, em diários virtuais que começam em abril de 2010. Artur tenta desvendar o súbito comportamento anormal que acomete os computadores de todo o planeta. Trata-se de uma peste digital com consequências caóticas - aeroportos parados, economia estagnada, população em pânico. Não parece um vírus comum, pois cada máquina responde ao usuário de maneira única, recorrendo às informações arquivadas para dialogar e pedir para não ser desligada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a história avança por posts e podcasts, é pelos rodapés que compreendemos, paulatinamente, para que novo mundo apontam. Para os leitores pós-humanos de 2109, nosso presente é visto com estranhamento, pois mesmo a ideia de um mundo físico causa dificuldades de compreensão. São cômicas as interpretações não muito lúcidas desses historiadores do século XXII. Eles sofrem com as gírias, com as piadas e com as ambiguidades. Por exemplo, quando o blogueiro diz que se fodeu "em verde e amarelo", o rodapé comenta que "não foi encontrada na BioWeb nenhum registro de relações sexuais envolvendo tintas". Muito se perde, não se tem mais registro nem de Napoleão Bonaparte, embora a maior perda pareça ser a de nossa subjetividade. Estamos diante de uma nova mentalidade, mais limitada em alguns aspectos, mas turbinada em outros. Desde as vitórias de Deep Blue sobre Kasparov, os computadores nos humilham, no entanto fomos nós que os programamos, eles amplificam possibilidades de nossas próprias mentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Lucida Sanz e seus leitores, a narrativa linear é coisa do passado. Os links e o hipertexto oferecem sempre uma camada a mais, numa continuidade incessante de referências onde a obra fechada não mais se sustenta.  A convergência de Fábio, vamos notando, é a do universo da ficção científica com a semiótica, ambas imbricadas em pesquisas com inteligência artificial. É difícil ler Steven Pinker (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como a mente funciona&lt;/span&gt;), e não concordar que a inteligência humana, até certo ponto, pode ser elucidada pela informática, pois muitos de seus processos são semelhantes. A hipótese de que um dia se possa criar máquinas com volição não é de todo fictícia, pois a linguagem humana também recorre a procedimentos que podemos considerar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;automáticos&lt;/span&gt;. Não é preciso esperar por 2019 para se inquietar com isso. Os artigos - muito bem escritos, por sinal - de Oliver Sacks também nos mostram o quanto somos maquínicos, pois basta um defeito no cérebro para fazer com que um homem não distingua sua mulher de um chapéu, não retenha memória recente ou perca completamente sua personalidade sem deixar de realizar tarefas lógicas. Onde está, portanto, a subjetividade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomamos um comprimido contra a depressão e nos tornamos outra pessoa - nossa "alma" era melancólica ou tínhamos um problema na recaptação da serotonina? A ciência nos propõe questões tão ou mais perturbadoras que o existencialismo ou a psicanálise. Correr para a igreja para não enfrentá-las não nos salva dos comportamentos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;automáticos&lt;/span&gt;, apenas reforça o determinismo psíquico. O otimismo do livro - também o meu - é o de que o homem ultrapassa os aspectos artificiais da inteligência ao usar o humor, a palavra poética e ao se deixar levar pelos afetos. Contudo, do Deep Blue aos computadores "artistas" de &lt;a href="http://www.mediaartnet.org/artist/seaman/biography/"&gt;Bill Seaman&lt;/a&gt;, estamos ameaçados a menos que enfrentemos nossos padrões pré-programados com uma vida criativa. A linguagem coloquial, "espontânea" de Artur é colocada sob suspeita pela lógica da inteligência artificial, no entanto esta não dá conta - os sentimentos mais simples são os mais herméticos para as Inteligências Construídas, para as máquinas que tentam inutilmente compreender o homem. Não é por exibicionismo que Foucault, Deleuze ou Umberto Eco são citados no livro, pois devemos nos preparar para desafios à nossa própria humanidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as inúmeras citações, ganham destaque os diálogos de Artur com um escritor consagrado, Sant'Anna (livremente inspirado em Sérgio Sant'Anna). Sant'Anna não disfarça seu desprezo pela literatura de ficção científica, no que representa a opinião majoritária da academia. Artur tinha feito uma oficina literária com o mestre em sua juventude (assim como o próprio Fábio) e tenta, inutilmente, convencê-lo de que há boa sci-fi, desde que se separe o joio do trigo. São mundos distantes, Sant'Anna permanece refratário a esse universo, no entanto o blog de Artur, de maneira didática, convida o leitor a deixar de lado seus preconceitos e conhecer o que a sci-fi tem a oferecer. Os embates de Artur com Sant'Anna, me parecem, são a tentativa do próprio Fábio de ser reconhecido como escritor competente, não só entre os aficcionados pelo gênero. Não seria o primeiro brasileiro a ganhar esse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;status&lt;/span&gt;, uma vez que Bráulio Tavares, merecidamente, recebeu elogios de ninguém menos que José Paulo Paes. Em minha opinião, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os dias da peste&lt;/span&gt; é um livro essencial, não só para leitores de sci-fi, mas para qualquer um que acompanhe literatura contemporânea. Lamento apenas alguns falhas na edição - erros de datilografia, na cronologia e outros pequenos lapsos. Nada que não possa ser resolvido numa segunda tiragem, mas são detalhes que mereceriam melhor cuidado. No mais, torço para que o livro tenha a longevidade de muitas edições, por mais que não saibamos o que o futuro (do livro em papel, da literatura, da humanidade, das Inteligências Construídas) nos reserva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-8486163351400303995?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/8486163351400303995/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=8486163351400303995' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/8486163351400303995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/8486163351400303995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/12/os-dias-da-peste.html' title='Os dias da peste'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SyWDFVZ-tqI/AAAAAAAAAPA/ZYLarlB2r-c/s72-c/peste.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-4752717458556408208</id><published>2009-12-06T23:59:00.005-02:00</published><updated>2010-02-06T23:45:52.373-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>Na torcida</title><content type='html'>O Campeonato Brasileiro mais imprevisível da história bem que merecia um post bacana. O Flamengo campeão foi a cara da temporada - depois de tanto vacilo dos favoritos, tinha mais que ser um time vindo bem abaixo na classificação, desorganizado, numa escalada que, por mais meritória que fosse, deixou claro o quanto a zebra estava solta. Palmeiras, São Paulo ou Inter só não levantaram a taça porque escorregaram muito, especialmente no final. Mais surpreendente do que os tropeços bisonhos dos times favoritos, foi o Fluminense, que tinha seu rebaixamento dado como certo, mas se livrou na última rodada, após uma campanha quase milagrosa no segundo turno. Mesmo com meu time fora da dísputa, achei o campeonato mais emocionante dos pontos corridos, pela quantidade de surpresas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas desculpem, não vou me estender no futebol. O assunto poderia render, mas não tô no meu melhor humor. Não só por alguns problemas pessoais, mas porque minha torcida maior, nesses dias, tem sido pela saúde do Mário Bortolotto. Ele foi baleado na madrugada de sexta pra sábado na Praça Roosevelt, reagindo a um assalto. Ele quis defender uma atriz, mas o assaltante não quis conversa, agora o Mário está internado em estado grave. O episódio todo é um saco. Eu morei por um tempo a dez minutos da Praça, sempre via o Mário lá e conversava um pouco com ele. Um cara gente boa, com fôlego para escrever, atuar, cantar blues, e ainda fazer da boemia uma arte própria, um estilo. A maior ironia é que seu blog e último livro se chama "Atire no dramaturgo", mas o imbecil não precisava levar ao pé da letra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: As últimas notícias são de que ele tá bem melhor, apesar de ainda estar respirando por aparelhos.&lt;br /&gt;Quem quiser dar uma força e doar sangue pra ele, dê um pulo na&lt;br /&gt;Santa Casa. Rua Cesário Motta Jr, 112&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-4752717458556408208?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u662645.shtml' title='Na torcida'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/4752717458556408208/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=4752717458556408208' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4752717458556408208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4752717458556408208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/12/na-torcida.html' title='Na torcida'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-5432583421870551573</id><published>2009-11-27T12:19:00.004-02:00</published><updated>2009-12-13T18:35:38.946-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Volta pra cadeia, Maluf - e leva o Tuma junto!</title><content type='html'>Cadeia não deveria servir pra punir crime famélico, mas pra conter arroubos fascistas. &lt;br /&gt;Eu não sei nem como é que Maluf tá solto, como que ele faz o que quer e não perde o mandato, muito menos como é que ainda votam nele. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ele rouba, mas faz&lt;/span&gt; é deprimente. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Estupra mas não mata&lt;/span&gt;, é de embrulhar o estômago. Agora Maluf e o comparsa Tuma finalmente estão sendo acusados de envolvimento com os assassinatos da ditadura. Eles ajudaram a ocultar corpos em cemitérios da prefeitura. &lt;br /&gt;Dois nazistinhas. Eles queriam mudar a lei para que se pudesse cremar indigentes sem autorização da família - ou seja, para fazer sumir corpos com maior facilidade.&lt;br /&gt;O processo que está correndo contra eles é muito leve. Estão cobrando uma indenização, mas sequer perderiam o mandato, menos ainda iriam pra trás das grades. &lt;br /&gt;Será que nunca vamos ver o momento de justiça poética, essa corja que tanto defendeu o regime autoritário mofando na jaula?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://br.noticias.yahoo.com/s/26112009/25/politica-maluf-tuma-responderao-ocultar-mortos.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-5432583421870551573?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/5432583421870551573/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=5432583421870551573' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/5432583421870551573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/5432583421870551573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/11/volta-pra-cadeia-maluf-e-leva-o-tuma.html' title='Volta pra cadeia, Maluf - e leva o Tuma junto!'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-4629920659846980182</id><published>2009-11-19T09:29:00.010-02:00</published><updated>2009-11-23T02:57:55.457-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>De como se desperdiça energia</title><content type='html'>A Lucila, minha "amiga colorida", detestou as fotos do palhaço. Disse que me prefere mil vezes homem do que palhaço. Ora, eu também, não pretendo me fantasiar todos os dias. Tinha mais, e ela até me pediu licença pra falar o que pensava. Achei que viria um sermão humilhante, mas quis ouvir. O que ela disse foi só que o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;feeling &lt;/span&gt;dela era de que se eu gastasse mais energia em arte, eu iria dar certo como artista plástico. Só isso? Sem piadinhas infames sobre meu nariz vermelho ou a mímica desengonçada? Fui contando pra ela de meus projetos artistícos em andamento, e de como eu jamais desisti de ganhar a vida com arte. Estou me matando em um livro de ensaios com desenhos, mas vou tocando junto com o que possa me render um troco. Então ela disse algo que é o oposto do que sempre me dizem. Que eu deveria colocar TODA minha energia na arte, e sentia que iria dar certo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria mesmo uma maravilha, mas o que mais me zumbe na orelha é "como pagar as contas"? E minha pobreza deplorável? Eu tenho é conseguido pouco trabalho - minhas roupas estão se despedaçando e eu mal tenho comprado livros. A pobreza material é muito triste, mesmo que seu espírito esteja rico. No programa de TV, se é que vai mesmo vingar, ao menos faço o que sei fazer melhor, que é escrever (a palhaçada foi só pro piloto). O programa é de turismo, num formato que não é dos mais tradicionais, então pra mim está ótimo. Ganhar um troco como redator em uma equipe composta por grandes amigos meus e viajando em serviço - porra, é inspirador. Um trabalho desses me deixaria alegre, é claro, e não me atrapalharia tanto a continuar criando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admito, no entanto, que tenho gastado minha energia de maneira muito &lt;span style="font-style:italic;"&gt;espalhada&lt;/span&gt;. Deve ser por isso que ando tão pobre. Quando você se concentra em uma direção só, basta um mínimo de talento pra fazer sua carreira. Mas como minhas raízes crescem na horizontal, não tenho um crescimento profissional tão linear. Infelizmente, quem se dá bem nesse mundo são os hiper-especialistas, aqueles que se dedicam a um assunto só. Mas nem namoro fixo eu tenho... Ou seja, não tenho o perfil do especialista, e se escrevo bem é por me interessar por um pouco de tudo, por fazer associações as mais diversas. Minhas sinapses colidem arte visual com literatura, filosofia com futebol, psicanálise com ciência, sem muitas barreiras. É por isso que acho mais é que todo intelectual deveria saber rir de si mesmo, com ou sem roupas bufantes. De que vale ler Deleuze e não aprender a rir de Kafka? Ou ler Nietzsche e rejeitar Dionísio, ler Lacan e insistir no semblante do saber? Se todas essas leituras culminarem numa gargalhada, aí sim, você terá aprendido algo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que gravamos o piloto, com a cara pintada e trejeitos doidos, eu descobri ao menos uma coisa incrível. Descobri que posso me exprimir com o corpo muito melhor do que eu pensava. Mérito do Gabriel, que é um diretor excelente, mas se eu tivesse ficado com vergonha, talvez passasse a vida toda sem saber. É algo que pretendo explorar mais, quem sabe em leituras de poesia performáticas. Ainda não sei, é como um link a mais que eu tenho na mente, que eu vou acessar quando interessar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os jobs que desperdiçam sua energia são os das tarefas repetitivas, que não te trazem novos links. Às vezes, temos que encará-los por sobrevivência, nem sempre temos escolha. Pelo menos pra mim, além do desgaste dessas tarefas, tem um esforço extra, que é o gasto de energia pra não me desconcentrar, pra deixar de lado toda a poesia, todos meus projetos pessoais, arregaçar a manga e encarar a roubada. Acontece, às vezes, de isso ser mais difícil do que a tarefa em si. Já um trabalho onde há um bom consumo de energia é o que naturalmente te acrescenta - seja pelo ambiente, seja porque os desafios te instigam, seja porque a tarefa te satisfaz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou encerrando, que amanhã começa uma semana meio puxada. Espero pra mim e pra vocês que o ganha-pão seja cada vez mais criativo, honesto e significativo, sem abusos e com conteúdo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-4629920659846980182?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/4629920659846980182/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=4629920659846980182' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4629920659846980182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4629920659846980182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/11/de-como-se-desperdica-energia.html' title='De como se desperdiça energia'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-4126951028838659982</id><published>2009-11-17T17:11:00.009-02:00</published><updated>2009-11-17T17:37:24.422-02:00</updated><title type='text'>Já que sou mesmo um palhaço</title><content type='html'>Estão todos se esquecendo de que o filósofo mais decisivo que o mundo já viu, Nietzsche, dizia, sem pestanejar: "Sou um bufão".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SwL1n-g0O1I/AAAAAAAAAOg/yS24JmFxKRg/s1600/PB140416.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SwL1n-g0O1I/AAAAAAAAAOg/yS24JmFxKRg/s400/PB140416.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405152569942358866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que todo intelectual deveria se vestir de palhaço de vez em quando. Como terapia, para não se levar a sério demais. Todo saber é poder: potencialmente tão nefasto quanto a ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SwL2SNp5EDI/AAAAAAAAAOo/vFS_-8e-PLg/s1600/PB140423.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SwL2SNp5EDI/AAAAAAAAAOo/vFS_-8e-PLg/s400/PB140423.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405153295561461810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi planejado. Aliás, eu não gostava de palhaço quando criança. Adulto é que eu adorei a brincadeira. Como foi? Eu escrevi o roteiro para o piloto de um programa de TV, onde um palhaço boêmio daria um susto em um viajante. Na falta de atores, me escalaram. Sempre que me pergunto "por que não?" e não tenho uma resposta boa, eu topo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SwL3WbAbL5I/AAAAAAAAAOw/TpfIoakTRFE/s1600/PB140424.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SwL3WbAbL5I/AAAAAAAAAOw/TpfIoakTRFE/s400/PB140424.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405154467376738194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vida de palhaço não é fácil. A gente faz rir porque sabe que não tem solução. Na vida, na arte, no amor, na luta, no trabalho: até onde se deve ir? Até onde se puder rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SwL4cL3q4fI/AAAAAAAAAO4/6Z0LHb-EyFY/s1600/PB140432.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SwL4cL3q4fI/AAAAAAAAAO4/6Z0LHb-EyFY/s400/PB140432.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405155665904329202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-4126951028838659982?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/4126951028838659982/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=4126951028838659982' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4126951028838659982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4126951028838659982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/11/ja-que-sou-mesmo-um-palhaco.html' title='Já que sou mesmo um palhaço'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SwL1n-g0O1I/AAAAAAAAAOg/yS24JmFxKRg/s72-c/PB140416.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-7792490780574966323</id><published>2009-11-15T11:19:00.006-02:00</published><updated>2010-08-31T15:26:54.046-03:00</updated><title type='text'>Superpopulação</title><content type='html'>Gritam que o mundo está saturado de imagens, por isso que o artista contemporâneo deve abortar, deve se castrar, deve se retirar. O mundo não está saturado apenas de imagens, também está sobrecarregado de pessoas. Comparando, vemos que a resposta antiartísca é algo como “Não tenham filhos! O mundo já os tem demais, não vamos piorar o problema”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este “controle de natalidade” é uma estratégia fracassada sob qualquer ponto de vista. Se os homens mais conscientes se recusam a ter filhos, os conservadores não o farão. Muito pelo contrário, ampliarão sua influência devido à retirada da esquerda. “Ninguém mais faça arte, temos arte demais” – e é então que a indústria cultural ganha mais força, pois se prolifera sem qualquer força contrária em evidência. Nossos filhos, aqui, são as obras de arte, e um artista mais consciente deve, sim, visar uma perpetuação de seus valores, e para isso contará com filhos bem criados,tantos quanto puder sustentar, desde que haja alimento para crescerem fortes e contestadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será com tais filhos, não pela renúncia, que se propagarão ideais de uma vida mais digna. Não perdemos o foco na saturação: a distribuição de anticoncepcionais para um controle populacional consciente nas regiões mais pobres faz parte, sem dúvida, dos planos. Não se trata de elitismo: um trabalhador pobre com família muito grande não prospera, apenas provê mão-de-obra barata, lúmpen que os poderosos explorarão. Tambem não queremos nada como o sistema chinês, a proibição impiedosa que acarreta em assassinatos no seio da família, mas condições de planejamento, visando qualidade de vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-7792490780574966323?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/7792490780574966323/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=7792490780574966323' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7792490780574966323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7792490780574966323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/11/superpopulacao.html' title='Superpopulação'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-2008998447255412830</id><published>2009-10-27T11:43:00.002-02:00</published><updated>2009-10-27T11:44:43.766-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>A filha do poeta</title><content type='html'>Conto inédito no site Germina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só &lt;a href="http://www.germinaliteratura.com.br/2009/ivan_hegenberg.htm"&gt;clicar&lt;/a&gt;, espero que gostem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-2008998447255412830?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/2008998447255412830/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=2008998447255412830' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2008998447255412830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2008998447255412830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/10/filha-do-poeta.html' title='A filha do poeta'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-3771897926659414171</id><published>2009-10-19T20:30:00.003-02:00</published><updated>2009-10-19T20:35:36.560-02:00</updated><title type='text'>Fuga</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Arte é vazão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; Mata e mete&lt;br /&gt; Mas remete&lt;br /&gt; É remissão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Arte é alusão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; Conduz ao pó&lt;br /&gt; Mas é polida&lt;br /&gt; É ilusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Arte é parte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; É o que te parte&lt;br /&gt; É contraparte&lt;br /&gt; Não é lição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; É especular&lt;br /&gt; Espetacular&lt;br /&gt; Experiencial&lt;br /&gt; Especulação&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; É fuga em lá&lt;br /&gt; Nem maior &lt;br /&gt; Nem menor&lt;br /&gt; - ar te insufla - &lt;br /&gt; Sem salvação&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-3771897926659414171?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/3771897926659414171/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=3771897926659414171' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/3771897926659414171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/3771897926659414171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/10/fuga_19.html' title='Fuga'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-1881583049499669885</id><published>2009-10-12T11:45:00.006-03:00</published><updated>2009-10-12T12:51:42.178-03:00</updated><title type='text'>Último Dia das Crianças</title><content type='html'>Não sei exatamente quando, mas está decidido: este blog não completará mais um ano de atividade. Talvez eu comece outro, mas não quero assinar como L'enfant Le terrible por muito mais tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou perto dos 30 anos, querendo fazer mestrado, cansado de não ser levado tão a sério quanto mereço, e acima de tudo, cansado da infantilidade das pessoas - quase todas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terrível, continuarei sendo, mas já não sou um principiante. E é preciso deixar claro para os outros que meu pensamento é maduro, e a alcunha tá começando a atrapalhar. Fazia mais sentido quando eu me orgulhava dos meus textos como um moleque vibra com sua rebeldia, mas isso já não basta. É preciso crescer, fazer com que as palavras atinjam um público vasto e interessado. Contra a corrente eu estou há muito tempo e sempre causarei incômodo, mas se tenho algo a dizer, quero mais é ser ouvido e que minhas ações ecoem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de parar o blog, no entanto, vou me despedindo com ousadia. Dizem que até os 30 anos determinamos nossa personalidade, então vou fazer o possível para mostrar envergadura, para avançar o máximo que puder e marcar posições. Quero lembrar de L'enfant le Terrible como programa resumido do que desenvolverei ao longo de toda a vida. Se eu mantiver a jovialidade - e, me arrisco a dizer, a novidade - do que esbocei aqui, me darei por satisfeito, terei sido um artista e um pensador pertinente. A partir de agora, tenho no máximo um ano para juntar minhas sementes. O tempo é curto: cada post deve ser um rito de passagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-1881583049499669885?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/1881583049499669885/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=1881583049499669885' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1881583049499669885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1881583049499669885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/10/ultimo-dia-das-criancas.html' title='Último Dia das Crianças'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-959175351118252184</id><published>2009-09-29T22:45:00.009-03:00</published><updated>2010-01-03T01:28:31.611-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='&quot;metafísicas&quot;'/><title type='text'>Incognoscível</title><content type='html'>Hilda Hilst: "você está se esquecendo do incognoscível. O incognoscível? É, velho Ruiska, não se faça de besta. Levanto-me e encaro-o. Digo: olhe aqui, o incognoscível é incogitável, o incognoscível é incomensurável, o incognoscível é inconsumível, é inconfessável. Ele me cospe no olho, depois diz: ninguém está te mandando escrever sobre o incognoscível, estou te dizendo não se esqueça do incognoscível. Ah, está bem. Finjo que entendo. Ou entendo realmente que não devo esquecer do incognoscível?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro livro se chama &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A grande incógnita&lt;/span&gt;. O conto que dá o título foi escrito em 1997, e de lá para cá eu passei por algumas experiências que vêm desafiando minha vã filosofia. Em 1997, sequer um deus espinosiano, que não guarda qualquer resquício de religião, poderia me causar mais do que bocejos, apesar de eu devorar Clarice Lispector, que desde sua estreia enveredava por uma espiritualidade um tanto maldita com forte inspiração em Espinosa. De Clarice, eu sorvia a força das palavras, mas entendia suas aleluias e epifanias de maneira bem cética, materialista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresci sob um ateísmo imperturbável, que me permitia dormir tranquilo mesmo após entrar em igrejas falando palavrão. Tamanha era a minha certeza de que a metafísica é mera ficção que eu me divertia provando que o trono de Deus é vazio, e blasfemava em seus palácios. Não creio que sequer em um nível inconsciente me senti muito culpado por isso, de tão convencido eu estava de que não há governo superior ao dos homens. A &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Grande Incógnita&lt;/span&gt; aborda reencarnação, no entanto nem por um segundo me pareceu que a metafísica pudesse ser mais do que um belo conto. Uma amiga espírita leu a história e disse que não era muito condizente com a doutrina de Allan Kardec, mas não era essa minha intenção. E até que eu me pus à prova: a convite de  amigos, tomei o chá do Santo Daime, três ou quatro vezes. De todas as visões que eu tive, nada me pareceu exigir explicações que fugissem da psicologia. Ao longo desses anos, fui anotando meus sonhos, porém, mesmo que eu procurasse, não encontrei muito o que justificasse o simbolismo de Jung ou explicações transcendentais. Um ou outro episódio, confesso, me deixou intrigado, mas as pistas falsas eram abundantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu fosse, desde o início, e ainda hoje, mais agnóstico do que ateu. A rigor, o agnosticismo é uma posição mais científica do que o ateísmo, pois não se pode provar a inexistência de Deus. O que se pode - ou melhor, se deve - é contestar a convicção dos fanáticos, que vomitam dogmas sem qualquer evidência de que agem seguindo a Verdade. O mais engraçado é que, onde procurei com maior afinco, nada encontrei. Talvez porque eu procurasse para não achar - onde tantos pensam ver Deus, só percebi a imaginação dos homens. No entanto, pegando-me desprevenido, de quando em quando me acontecem situações como a do Daniel Seda, cujo e-mail eu transcrevi no último post, e quem eu conheci na semana passada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SsQBW2Dt63I/AAAAAAAAAOQ/CNTppZNCE8c/s1600-h/daniel+seda.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 278px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SsQBW2Dt63I/AAAAAAAAAOQ/CNTppZNCE8c/s320/daniel+seda.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5387432546221812594" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de falar dessa coincidência tão improvável, vamos combinar uma coisa. Não quero que ninguém acredite em mim só por voto de confiança. Se eu contar com algo tão insólito quanto a fé, valho tanto quanto um padre, e poucas coisas causam mais sofrimento no mundo do que os dogmas. Quero que cada um tenha fé em si mesmo, acima de qualquer autoridade ou qualquer palavra. Quem me lê deve ter fé em si mesmo mais do que em mim, portanto deve guardar uma dúvida, deve perguntar se eu não estou louco, ou se não foi tudo armado entre mim e Daniel Seda. Quanto a mim, venho preferindo fazer como o Ruiska de Hilda Hilst. Tenho lidado com o incognoscível como inconfessável, não me esquecendo dele mas raramente falando abertamente sobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei ao certo sequer se eu deveria ter colocado o e-mail do Seda no ar. Em primeiro lugar porque é inconsumível - vide o silêncio nos comentários, apesar da boa visitação. E principalmente porque não consigo juntar o que penso sobre "metafísica" e os demais assuntos que me interessam, de arte à política. O Daniel é bem diferente de mim nesse aspecto: ele fala de telepatia sem muitos rodeios, vendo na internet um potencializador desses fenômenos e um prelúdio para uma sociedade mais igualitária. Pelo que me diz, ele vê tal potencial de maneira semelhante ao que eu descrevi no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Será&lt;/span&gt;. Claro, ele sabe que, se eu escrevi &lt;span style="font-style:italic;"&gt;A grande incógnita&lt;/span&gt; sem intenção de divulgar Kardec, também não escrevi &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Será&lt;/span&gt; para ser lido ao pé da letra. "Será", em ficão, deve ser lido como "Seria", do contrário não se defenderia a distância necessária entre arte e vida. Contudo, a aproximação entre Seda personagem e Daniel mostra até que ponto o diálogo entre as duas instâncias pode ser dinâmico e estreito. Não apenas a maneira como Daniel chegou até o livro, relatada no e-mail, mas certas semelhanças de nossas trajetórias surpreendem. Também ele se formou em artes plásticas mas tem se aproximado cada vez mais da literatura, buscando unir as duas linguagens. Também ele estudou Deleuze e anotou seus sonhos durante anos. E gastou horas e horas tentando imaginar como transpor um pouco da mentalidade anarquista para a realidade, sem se perder na utopia pela utopia. Se eu não fosse o próprio, acharia que esse Ivan Hegenberg batizou o personagem de Seda como homenagem, já conhecendo Daniel há tempos. Acho saudável que duvidem, mas eu não posso me dar esse luxo sem considerar que minha memória deve ter pulado alguma parte, pois não estou avisado da armação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faço a menor ideia de porque atraio sincronicidades e fenômenos afins. Lembro, no entanto, que diversos escritores que se empenharam em levar a linguagem ao seu limite acreditaram tocar no incognoscível. Hilda Hilst pensava poder captar as vozes dos mortos; James Joyce se convenceu de que sua filha era telepata; Clarice falava de Deus com tão estranha proximidade que foi convidada a um simpósio sobre bruxaria; Guimarães Rosa hesitou por anos em aceitar a cadeira na Academia, como se soubesse que morreria três dias depois da honraria. Nenhum desses episódios vale como prova de nada, a não ser, talvez, de uma correlação entre uma certa compreensão da linguagem poética e uma experiência de mundo que crê ter intimidade com a "metafísica". Talvez. Há também a física quântica, que me faz a um só tempo esperançoso e cauteloso. Estou aguardando, não quero especular muito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda prefiro a ciência, gaia que seja, à fé pura e simples. Em poucos anos, o acelerador de partículas de Genebra ajudará a explicar os fenômenos não-newtonianos. Para quem não sabe, na física de partículas observam-se situações tão desnorteadoras que teorias como dimensões extra ou a simultaneidade entre passado, presente e futuro são consideradas com a maior seriedade. Há também quem esboce uma correspondência profunda entre matéria e informação, para não falar em teorias mirabolantes como as divulgadas no esquisitíssimo &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/What_the_Bleep_Do_We_Know!%3F"&gt;Quem somos nós?&lt;/a&gt;. Estima-se que em dois ou três anos, teremos algumas respostas para essas questões. Já imaginou o incomensurável tornando-se comensurável? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto é tão confuso para mim quanto pode ser para os leitores, mas estava difícil passar para qualquer outro assunto enquanto o e-mail do Daniel ficasse flutuando sem reflexão. Agora, até mesmo pela incapacidade de avançar nesses mistérios, vou voltar à programação "normal".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-959175351118252184?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/959175351118252184/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=959175351118252184' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/959175351118252184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/959175351118252184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/09/incognoscivel.html' title='Incognoscível'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SsQBW2Dt63I/AAAAAAAAAOQ/CNTppZNCE8c/s72-c/daniel+seda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-6037399627501095537</id><published>2009-09-14T17:03:00.005-03:00</published><updated>2009-09-14T17:23:50.557-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='&quot;metafísicas&quot;'/><title type='text'>Sincronicidade estarrecedora</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Um e-mail tão surpreendente que eu ainda tô digerindo... Juro que eu nunca tinha ouvido falar do Daniel Seda antes, é uma coincidência "telepática" esquisitíssima. Acho que vou conhecê-lo esta semana e ver como é que a coisa se desdobra. Estou colando o e-mail que ele me mandou pra vocês entenderem do que eu tô falando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oi Ivan,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sexta-feira passada, dia 4 de setembro, fiz uma apresentação de um projeto meu ( http://www.namahaiku.com ) na Casa das Rosas. Depois da apresentação, um amigo que estava fazendo as vezes de assistente me trouxe um livro que ele havia encontrado no porão da Casa, onde estava localizado nosso camarim improvisado. O que havia chamado a atenção dele para o livro é que ele o abriu bem na página onde a personagem "Seda" é apresentada. Ele achou a coincidência curiosa (meus amigos me chamam de "Seda", meu sobrenome) e pegou o livro de presente pra mim (o livro estava alí, meio jogado).&lt;br /&gt;Resolvi ler o livro e estou achando ele uma agradável surpresa e uma curiosa coincidência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou numas de "ler os meus contemporâneos", ou seja, escritores que nasceram entre os 70 e os 80 e que fizeram e continuam fazendo um bom uso da Internet para desenvolver sua obra. Escrevo e publico na web desde 1996, sempre coisas mais experimentais, juntando imagens e palavras em pequenas narrativas poéticas.&lt;br /&gt;Recentemente (há uns dois anos) comecei a escrever coisas no formato "livro" e agora estou na batalha pra publicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto receber por acaso um bom livro de sci-fi brazuca é uma ótima surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a coincidência maior do seu livro com o meu nome é que eu, há uns anos, desenvolvi uma espécie de narrativa desconstruída chamada "Telepatia". É esse projeto aqui: http://telepatia.blogspot.com Desenvolvi uma idéia geral, escrevi alguns fragmentos, fiz alguns videos e atualmente esse projeto está em animação suspensa devido a outras coisas mais urgentes que estou desenvolvendo.&lt;br /&gt;E o seu livro tem muito a ver com algumas idéias de lá. Atribuo isso ao "espírito da época", claro. Quando eu desenvolvia o "telepatia", tinha uma nítida sensação de que outras pessoas estariam pensando e desenvolvendo coisas semelhantes. E o seu livro é só uma evidência disso. Talvez porque a conexão "telecomunicações móveis" &lt;-&gt; "telepatia" seja um tanto óbvia, pelo menos pra mim e isso está inscrito no espírito de nossa época. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, é isso. Resolvi escrever para dar um feedback em relação ao livro, que estou achando muito bom, e em relação à essa coincidência de nomes e inspirações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah é, consegui o seu contato com o Romeu Martins, a quem acompanho no Twitter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel Seda&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-6037399627501095537?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/6037399627501095537/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=6037399627501095537' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6037399627501095537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6037399627501095537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/09/sincronicidade-estarrecedora.html' title='Sincronicidade estarrecedora'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-491019638483074444</id><published>2009-09-08T09:09:00.002-03:00</published><updated>2009-09-08T09:12:19.481-03:00</updated><title type='text'>Testando, som</title><content type='html'>Como eu disse antes, concedi uma entrevista à Rádio UNESP, a primeira vez que fui ao rádio. Tirando uma ou outra besteira que falei por nervosismo, acho que não fui mal no teste. Quem quiser conferir, é só clicar &lt;a href="http://aci.reitoria.unesp.br/radio/perfil_literario"&gt;aqui&lt;/a&gt; e procurar a entrevista número 258. Falei sobre processo criativo, sinestesia, rock, entre outras coisas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-491019638483074444?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/491019638483074444/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=491019638483074444' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/491019638483074444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/491019638483074444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/09/testando-som.html' title='Testando, som'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-8224534874754361403</id><published>2009-09-08T08:29:00.006-03:00</published><updated>2009-09-08T21:16:08.557-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humor'/><title type='text'>Patriotismo</title><content type='html'>Eu nunca fui tão patriótico quanto neste feriado. Assim como nosso estimado D. Pedro II às margens do Ipiranga, eu estava com um desarranjo retumbante. Não pude comer feijoada, assim como a Independência é cheia de restrições. Dizem que o berço é esplêndido, que o colosso é impávido, e salve salve(-se quem puder). Nosso hino deveria ter ao menos um verso sobre a indigestão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-8224534874754361403?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/8224534874754361403/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=8224534874754361403' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/8224534874754361403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/8224534874754361403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/09/patriotismo.html' title='Patriotismo'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-8947899340754760553</id><published>2009-09-01T22:01:00.002-03:00</published><updated>2009-09-01T22:17:55.203-03:00</updated><title type='text'>Celuzlose + Zappa</title><content type='html'>Saiu agora a segunda edição da &lt;a href="http://issuu.com/celuzlose/docs/celuzlose_02"&gt;Revista Celuzlose&lt;/a&gt;, editada por Victor del Franco. Para quem gosta de literatura, é um prato cheio: Márcio André, Rodrigo de Souza Leão, Danilo Bueno, Donny Correa, Flávia Rocha, Greta Benitez, Luiz Roberto Guedes, Marcelo Ariel, Alan Mills, Javier Díaz Gil, Peter Finch, Valeria Meiller, Alejandro Mendes e trechos do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Puro enquanto&lt;/span&gt; e do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Será&lt;/span&gt;, do enfant terrible que aqui bloga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra dica boa, para quem estiver em São Paulo, é o filme 200 Móteis, de Frank Zappa. Amanhã, no Cinesesc (Rua Augusta, 2075), 21h30. Pela primeira vez, o filme será exibido com legendas em português. É uma raridade, e tão alucinado quantas as músicas do roqueiro mais experimental que o mundo já viu. Um dia ainda vou escrever sobre essa figura. Ringo Starr interpreta Zappa e Keith Moon é uma freira pervertida. Imperdível!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O QUÊ: Sessão do Comodoro - 200 Motéis - Dir.: Frank Zappa &amp; Tony Palmer&lt;br /&gt;QUANDO: Quarta, 2 de setembro, às 21h30&lt;br /&gt;ONDE: CineSESC - Rua Augusta, 2075&lt;br /&gt;QUANTO: GRÁTIS&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-8947899340754760553?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/8947899340754760553/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=8947899340754760553' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/8947899340754760553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/8947899340754760553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/09/celuzlose-zappa.html' title='Celuzlose + Zappa'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-48495866835513989</id><published>2009-08-28T16:19:00.004-03:00</published><updated>2009-08-28T17:26:57.458-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fortuna Crítica'/><title type='text'>Resenha no Guia da Folha</title><content type='html'>Antes da resenha, um recado importante. Na Folha, como em outros lugares, vocês verão o preço do livro como r$ 40,00, o preço normal de livraria. Vocês podem pagar &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;metade&lt;/span&gt; do preço se comprarem direto no &lt;a href="http://www.annablume.com.br/comercio/product_info.php?cPath=52&amp;products_id=1221"&gt;site da editora&lt;/a&gt;. O livro entrou no site esta semana, aproveitem!   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; Puro enquanto – por Caio Liudvik&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A descoberta da traição, a tentativa de suicídio, o coma. Este é o ponto de partida do romance “Puro enquanto”, de Ivan Hegenberg. O protagonista é um publicitário que, até o desastre, vivia sob a autoignorância e lucrava com o sonambulismo coletivo e os pseudosonhos à venda na sociedade de consumo. &lt;br /&gt; E, por ironia, é no “sono” da inconsciência, à beira da morte, que ele despertará para uma nova lucidez, deixando emergir a voz interior numa torrente de lembranças e fantasias verbais e visuais (belas ilustrações do próprio escritor, que é artista plástico de formação).&lt;br /&gt; O tônus da narrativa também cresce pelo fato de Hegenberg se inspirar em seus sonhos, coletados ao longo de dez anos, o que aproxima ainda mais o leitor da linguagem estranha e familiar do inconsciente como “natureza” que, diz o demônio a certa altura, “não precisa de lógica para saber o que faz”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Avaliação: ótimo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-48495866835513989?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/48495866835513989/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=48495866835513989' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/48495866835513989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/48495866835513989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/08/resenha-no-guia-da-folha.html' title='Resenha no Guia da Folha'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-7743685391211617617</id><published>2009-08-16T15:14:00.010-03:00</published><updated>2009-08-18T01:02:00.138-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Mais lançamentos no mês do cachorro louco</title><content type='html'>Eu já disse antes, e provavelmente vou dizer mais vezes, que comigo as coisas acontecem todas ao mesmo tempo. E, na verdade, agosto costuma ser um mês repleto de eventos na agenda literária, para tirar o atraso de julho, um dos meses mais fracos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indo direto ao ponto, neste mês do cachorro louco, tenho mais dois lançamentos! No dia 18, terça-feira, na &lt;a href="http://www.livrariadavila.com.br/"&gt;Livraria da Vila&lt;/a&gt; (R. Fradique Coutinho, 915, V. Madalena) estarei com os outros contistas de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Futuro Presente&lt;/span&gt;, a partir das 19h. A antologia foi organizada por Nelson de Oliveira, sempre firme na ambição de aproximar ficção científica da literatura contemporânea mais aceita. A Editora Record comprou a briga, e eu mesmo estou louco pra ver o resultado de perto (eu quero o meu, caramba, ainda não vi!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SohPooaKvAI/AAAAAAAAAOA/7m0KDmjn5fA/s1600-h/FuturoPresenteDia18.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SohPooaKvAI/AAAAAAAAAOA/7m0KDmjn5fA/s400/FuturoPresenteDia18.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370630115099851778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sequencia, dia 21, vou a uma mesa redonda no Espaço Terracota (R. Lins de Vasconcelos, 1886, na Vila Mariana.), às 19h30, com outros autores do &lt;a href="http://projeto-portal.blogspot.com/"&gt;Portal Stalker&lt;/a&gt; para falar do projeto. Lembrando que o Portal Stalker NÃO SERÁ COMERCIALIZADO. A tiragem é dedicada apenas a jornalistas e aos leitores mais fanáticos de ficção científica. Se você quiser um exemplar, com sorte pode ganhar um no dia da mesa-redonda - portanto, apareça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SohVHPJe4lI/AAAAAAAAAOI/dpv0iCBggZ4/s1600-h/ConviteStalker.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 314px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SohVHPJe4lI/AAAAAAAAAOI/dpv0iCBggZ4/s400/ConviteStalker.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370636138453066322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hoje é só - e a semana, só começando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-7743685391211617617?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/7743685391211617617/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=7743685391211617617' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7743685391211617617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7743685391211617617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/08/mais-lancamentos-no-mes-do-cachorro.html' title='Mais lançamentos no mês do cachorro louco'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SohPooaKvAI/AAAAAAAAAOA/7m0KDmjn5fA/s72-c/FuturoPresenteDia18.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-6116932714377250975</id><published>2009-08-13T12:26:00.003-03:00</published><updated>2009-08-13T12:35:42.508-03:00</updated><title type='text'>Entrevista no rádio</title><content type='html'>Amanhã, às 13h, serei entrevistado por Oscar D'Ambrosio na Rádio UNESP FM. Estou quase famoso, não? Mas fiquem tranquilos, não vou deixar isso subir à cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje, vocês já estão sabendo, é o lançamento do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Puro enquanto&lt;/span&gt;. Quem não estiver com gripe suína, apareça para o vinho e para o livro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços, até logo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-6116932714377250975?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/6116932714377250975/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=6116932714377250975' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6116932714377250975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6116932714377250975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/08/entrevista-no-radio.html' title='Entrevista no rádio'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-2944817712107841515</id><published>2009-08-10T18:12:00.004-03:00</published><updated>2009-08-10T19:04:25.409-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Puro enquanto'/><title type='text'>Lançamento de Puro Enquanto!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SoCYoVPvQVI/AAAAAAAAAN4/caApKUEVcmg/s1600-h/PURO+ENQUANTO.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 359px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SoCYoVPvQVI/AAAAAAAAAN4/caApKUEVcmg/s400/PURO+ENQUANTO.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368458574490976594" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Lançamento do romance Puro Enquanto no Espaço Barco Virgílio. Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, n° 426, São Paulo, a partir das 19h.  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Amigos&lt;br /&gt; Convido a todos para, no dia 13 de agosto, celebrarmos uma série de erros. O primeiro deles, claro, é a pretensão de um jovem de se declarar escritor em pleno século XXI e em um país de iletrados.  Os erros não param aí: o autor poderia ao menos escrever sobre auto-ajuda, ocultismo, fofoca, feng shui ou dicas de relacionamento. Não, o pobre insiste na literatura. Consome dez anos em um livro, tão sonhador quanto o personagem principal, tão afastado da realidade quanto aquele que delira em coma. Ousa experimentar, mistura texto e arte visual, procura a dicção dos sonhos, e apesar dos pesares, acredita que a arte está viva. Falando um pouco mais sério, Puro enquanto já começa sob um certo fracasso. Ganhei uma bolsa para realizá-lo – o PAC, Programa de Ação Cultural - mas o livro estourou o orçamento. A vontade de inovar custou caro, e mesmo com patrocínio, estamos no vermelho. Isto significa que, se eu não contar com o prestígio de vocês, simplesmente não vou poder lançar voos semelhantes no futuro. Quem é da área sabe o quanto é difícil convencer um editor a correr riscos, e se o livro não chegar aos leitores, meus próximos projetos não vão deslanchar. Peço, humildemente, para que me deem uma força da maneira que puderem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compareçam, tragam amigos, divulguem, participem.&lt;br /&gt;Grande abraço para todos e até logo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-2944817712107841515?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/2944817712107841515/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=2944817712107841515' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2944817712107841515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2944817712107841515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/08/lancamento-de-puro-enquanto.html' title='Lançamento de Puro Enquanto!'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SoCYoVPvQVI/AAAAAAAAAN4/caApKUEVcmg/s72-c/PURO+ENQUANTO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-6433382764122405079</id><published>2009-08-02T12:24:00.006-03:00</published><updated>2009-08-11T14:24:27.748-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Mordendo a língua</title><content type='html'>Mordo a língua. Mas o gosto do sangue é adocicado. Depois de tantos combates, tenho maior clareza do que eu sentia pelo inimigo. Melhor admitir que desde cedo eu me inclinava para a dentada. Mordo a língua, porém sem me trair, pois é da linguagem, e não do músculo, que estou falando. De qualquer modo, não era apenas repúdio o que guiava meus ataques à arte pós-moderna. Entendo que havia, simultaneamente, uma atração. Uma proximidade com o limite, com o momento em que a linguagem se contorce sobre si mesma. Ficou muito claro, para mim mesmo, a partir do último conto que escrevi, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Esquizóide&lt;/span&gt;, publicado no &lt;a href="http://projeto-portal.blogspot.com/"&gt;Portal Stalker&lt;/a&gt;. O personagem passa a suspeitar que é um personagem, ele se pergunta o que pode haver além do espaço metafórico onde está inscrito. A ficção refletindo sobre si mesma. Como num Mito da Caverna invertido, o personagem, de formas ideais, tem sua origem no mundo imperfeito do autor. É a partir de dentro que o pacto ficcional sofre um abalo e o espaço da arte se revela em seu processo, perdendo sua realidade autônoma. Basta isso para se chegar muito perto do instante da Morte da arte - embora meu convite seja para olhar a margem do abismo, não para se atirar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acho que todos os artistas contemporâneos entendam a diferença entre olhar para a morte sem medo e cometer de fato o assassinato (ou o suicídio). Meu reconforto é compreender que não estou agindo como mera contraparte, minha ação não é mera reação. Poupando o dinheiro do analista: não era só pelo poder do inimigo que eu me chocava com a morbidez de seus discursos, tinha a ver comigo mesmo. Era urgente discernir o que os antiartistas faziam e o que eu mesmo pretendia fazer. A diferença é enorme, embora tenha sido muito complicado entender qual era, e a confusão tenha me levado a muitas dúvidas quanto ao meu próprio trabalho. Quanto à estupidez de alguns deles, mantenho o que eu disse antes, até com maior convicção, de que denigrem não só a arte como a vida. Os argumentos estão no Crepúsculo de Paradigma e em outros artigos, não preciso repetir. Acrescento apenas que se eles não existissem, teria sido mais simples, porém a partir do momento em que eles fizeram um estrago enorme, precisei quebrar a cabeça. O que teve seu lado bom, me forçou a pensar a arte até o fim (até a "morte"). Foram anos até entender como levar a linguagem tão longe quanto eu queria sem incorrer nos erros deles - na quase literal Morte da arte, para resumir. Fico aliviado em perceber que não era tanto por eles que eu estava obcecado. Seria impossível continuar testando limites em meu trabalho se eu não compreendesse onde traçar minha bifurcação e escapar das armadilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde meu primeiro livro, que comecei a escrever aos 17 anos, muita vezes estive próximo da destruição do espaço ilusório. Alguns de meus contos brincavam com os sinais gráficos, como em &lt;a href="http://ivanhegenberg.blogspot.com/2006/07/o-homem-que-de-fato-morreu_04.html"&gt;O homem que de fato morreu&lt;/a&gt;, onde um ponto final se converte em formiga esmagada; ou em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Neurocirurgia&lt;/span&gt;, onde a linguagem da narrativa se desagrega em meio a um surto psicótico do protagonista. Foram coisas que escrevi por instinto, não conhecendo praticamente nada das teorias pós-modernas. Em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Puro enquanto&lt;/span&gt;, já consciente dos debates atuais, o que coloco em cena é justamente o embate entre ilusão e realidade. No romance, a linguagem fragmentária é a de alguém em coma, tentando despertar porém demasiado fascinado pelo mundo dos sonhos (ou da arte). Porém, mesmo explorando tensões, a busca pela riqueza estética deixa poucas dúvidas quanto minha crença na força da fantasia. Com este último conto, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Esquizóide&lt;/span&gt;, mais explícito na auto-referência, estão acentuados os vetores &lt;span style="font-style:italic;"&gt;contra&lt;/span&gt;a ilusão. É algo que só interessa se você tiver uma boa noção de até onde a ilusão &lt;span style="font-style:italic;"&gt;resiste&lt;/span&gt;. Se sacudimos a arte, podemos trazê-la mais perto de nós. Se ela passar por algumas provações, nos parecerá mais forte, interagindo com maior proximidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De modo geral, acho que os escritores contemporâneos souberam não arruinar a literatura, ao passo que muitos artistas visuais se esforçaram para realmente impossibilitar a arte. Muitos dos mais jovens têm outra pegada, mas ainda vemos retardatários. Minha maior dúvida, hoje, é se as especifidades da arte visual eram tais que a antiarte seria inevitável (por questões históricas, econômicas, do suporte, etc). Se comparo com o que houve na literatura, a tentação é a de dizer que nem seria preciso teoria pesada para evitar o sangramento: a intuição mesma&lt;br /&gt;poderia dar conta. Bastaria não confundir a auto-mutilação dos penitentes com a ousadia dos aventurosos. Os escritores souberam roçar o limite sem esgarçá-lo (mesmo porque, se você leva ao esgarçamento, algo se afrouxa). Contudo, se eu, que detestava a antiarte, levei dez anos para traçar a diferença, acho que na artes plásticas estava mais difícil de percebê-la do que na literatura. De fato pareceu que para ampliar o campo da arte, seria preciso matá-la, e também eu estive confuso quanto a avanços e recuos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em muitos momentos, um verdadeiro espírito livre precisa testar um limite, e se sentirá um covarde se não o fizer. Cravar os dentes nas palavras em fluxo, ou sentir na boca o sabor das tintas. Um artista ou um escritor pode morder a língua sem que o gosto sutil de sangue cause grande mal. O sangue só será amargo se jorrar demais e atravancar a fala. Agora mordo a língua e a sinto doce.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-6433382764122405079?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/6433382764122405079/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=6433382764122405079' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6433382764122405079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6433382764122405079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/08/mordendo-lingua.html' title='Mordendo a língua'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-8179187710057650925</id><published>2009-07-17T00:17:00.003-03:00</published><updated>2009-07-17T16:36:14.763-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>Sufoco no aniversário</title><content type='html'>Já é uma tradição pessoal tudo acontecer ao mesmo tempo. Minha mãe estava há quase um ano na expectativa de uma cirurgia, uma histerectomia. Não foi ela quem marcou, soubemos em cima da hora, mas coincidiu com meu aniversário. Nem tudo segue conforme o planejado: havíamos marcado um jantar em família, e comida de hospital não era a primeira opção. Tínhamos até combinado que desta vez não haveria discussões ou “terapia de grupo”, só um momento à mesa conversando amenidades. Em vez disso, é como se o médico soubesse, preferiu que eu levasse minha mãe para o quarto 604 do Santa Catarina, logo nesse dia. E o medo de minha mãe morrer no meu aniversário? Não era uma cirurgia de alto risco, tudo correu bem, mas admito que bateu um certo medo de que Deus finalmente viesse cobrar minhas ofensas.  Não ia dar nem pra continuar bancando o escritor maldito: “Seguinte, gente, minha mãe morreu na mesa de operações e a culpa deve ser minha. Deus só pode ser aquele vingador maníaco do Velho Testamento, não tem outra explicação.” Felizmente, foi só uma sincronicidade, não uma praga divina daquelas.&lt;br /&gt; Dezenas de pessoas me mandaram mensagens de aniversário e eu não saberia como explicar a um por um que o aniversário não estava tão alegre quanto poderiam pensar. Não acho que era só preguiça, alguma coisa naquele dia bem que podia ser suave, então evitei o anticlímax. Para que preocupar todo mundo, se até o paranóico aqui sabia que no final não haveria castigo pela Santa Catarina?  Agora explico a quem acabou sabendo pela metade: a cirurgia foi chata mais pelo lado emocional do que físico. Minha mãe se mostrou uma verdadeira guerreira e em poucas horas mostrava um bom humor maravilhoso. Nem mesmo a ironia de perder o útero no andar da maternidade onde havia dado à luz meu irmão a impediu de dar risada. Afinal, a gente encontra saúde vencidos os maiores desafios. Agora sim, sabendo que está tudo bem, posso comemorar mais um ano que completo, e, mais importante, a confirmação de que minha mãe é mais forte do que eu imaginava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-8179187710057650925?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/8179187710057650925/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=8179187710057650925' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/8179187710057650925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/8179187710057650925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/07/sufoco-no-aniversario.html' title='Sufoco no aniversário'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-6415973234375614786</id><published>2009-07-09T01:16:00.003-03:00</published><updated>2009-08-09T23:02:57.719-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Puro enquanto'/><title type='text'>Uma mensagem amiga</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Veio em boa hora esta mensagem. Obrigado, Aline, eu tava precisando de um pouco de confiança pra encarar o que vem pela frente.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ivan&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Cara, acabei de ler o livro. MUITO BOM! Eu sei q não sou nenhuma crítica literária, mas também sei que livros não são escritos para críticos e sim para pessoas como eu! E eu digo que para me prender eu tenho que gostar muito do livro. E eu digo "GOSTEI! MUITO!" Me apaixonei pela maluquinha da Michele (confesso que já entrei em um ônibus só para ver onde ele ia, e o que ele me mostraria. E adorei o tanto de palavrões que ele fala, porque é assim que a gente fala (ou pensa!). E adorei entrar nos sonhos pirantes que as vezes parecem com os meus e outras nem tanto, mas que se eu pudesse lembrar de todos meus sonhos sei que seriam loucos assim.&lt;br /&gt;E gostei da segunda chance dele ter vindo do amor puro, porque é isso que nos salva.&lt;br /&gt;Muito bom trabalho!!!! Espero ver em breve outros livros! novos e os já lançados também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/photos/alineos/page2/"&gt;Aline OS&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-6415973234375614786?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/6415973234375614786/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=6415973234375614786' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6415973234375614786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6415973234375614786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/07/uma-mensagem-amiga.html' title='Uma mensagem amiga'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-5862907992460141751</id><published>2009-06-19T12:17:00.005-03:00</published><updated>2009-06-20T13:11:08.265-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Improviso onírico</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tenho lembrado muito dos meus sonhos, pela manhã. Nós sonhamos todos os dias, não sei se vocês sabem, e às vezes nos lembramos, às vezes, não. Eu venho anotando muitos sonhos, mas ainda não sei se vou escrever outro livro como &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Puro enquanto&lt;/span&gt;. Ao menos para não perder a prática, fiz um improviso com o sonho de ontem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi com a Lucila, que não é exatamente minha namorada, é com quem eu tenho saído nos últimos tempos. Eu falava com ela, meio ansioso, sobre minha visão sobre arte, até cansar. De repente, ela me pede que eu lhe faça uma música. Me sinto meio contrariado, pois não tenho talento pra isso. Eu tento beijá-la, mas ela sorri e desvia o rosto, não consente até que eu atenda o pedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a descrição narrativa do sonho, mas quem disse que os sonhos cabem em uma narrativa linear? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucila, luciluzente, não quer mais saber de morte ou de Marte. Ela quer Dionísio, quer música, quer dlin-dlon-dlin. Ela se dá musa, toda-toda, mas se sou surdo, não me beija. Não queixo  –  certa ela, dona das ondas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando a gente fica junto, co-pulando na cama, na sanha – é o que pergunto – não são os ritmos? Da fúria aos furos, como quem come, sssorvendo os poros, lambendo os pelos? Melodia malícia, Lulu. Dionísio sodomiza Afrodite; quem não vê beleza que vade reto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-5862907992460141751?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/5862907992460141751/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=5862907992460141751' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/5862907992460141751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/5862907992460141751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/06/improviso-onirico.html' title='Improviso onírico'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-6132353809080769570</id><published>2009-06-13T14:33:00.007-03:00</published><updated>2009-06-13T14:44:16.905-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Trecho de Puro enquanto</title><content type='html'>&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CIVANHE%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CUsers%5CIVANHE%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CUsers%5CIVANHE%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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	mso-hansi-font-family:Calibri; 	mso-hansi-theme-font:minor-latin; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sombrão. Assombração; sombrão.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;          &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Arrepio; é muito real, não sabia que coisa dessas existisse. Dois metros de altura, atávico (um Ante-passado). Feito sombra - e denso como pedra. Voz que atravessa os tempos, assustadora penetrante, enredante.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;‘Sabe o que escondem os quadros de Dali?’ Dali? Dali ou Da Vinci? Ou Dadá... ali, ou vindo, ou a dar? ou vencendo? Vislumbre de Mona Lisa. Mas é como um rosto de um manequim de loja, sem peruca e com rosto pontilhado. Tem algo por trás do quadro, um objeto, entre a moldura e a tela pintada. Teria que se cortar a tela, (a Mona Lisa), e pegar com as mãos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;Mona Lisa é todo retrato de pessoa viva&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; disse uma vez Clarice. Ou mais de uma vez.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Abrindo a terceira gaveta do armário da televisão. A gaveta é que vai lentamente se abrindo, fantasmagórica. Ao redor, paredes se inclinam, como navio à deriva (e nós, tripulantes em meio à tempestade). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;font-size:85%;" &gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;font-size:85%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;font-size:85%;" &gt;Medo, ainda, da sombra. Não olhar para a esquerda, onde ela está. Não ver, evitar de enxergar a alma, e o que quer que seja de olhos vermelhos. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-6132353809080769570?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/6132353809080769570/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=6132353809080769570' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6132353809080769570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6132353809080769570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/06/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html' title='Trecho de Puro enquanto'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-7548871039124806418</id><published>2009-06-13T13:26:00.006-03:00</published><updated>2009-06-19T20:48:18.859-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Obs:</title><content type='html'>O livro é baseado em dez anos de anotações de meus sonhos, que só poderiam ser "amarrados" descontinuamente, em uma linguagem delirante. Levei a palavra escrita o mais longe que pude, próxima da desagregação do "eu" de nossos pensamentos inconscientes. Contudo, mesmo esquizofrenizando a palavra, eu não estava satisfeito. Nos sonhos há sempre algo da ordem do não-dito que poderia ser simulado, mas que minhas frases mais loucas ainda não transmitiam como eu queria. Eu queria sensações inalcançáveis pelo pensamento verbal. Isso me levou a misturar as palavras com diversas &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/ivan_hegenberg/?saved=1"&gt;imagens&lt;/a&gt; visuais, muitas delas abstratas. As pinturas entram como aquilo que o discurso não alcança, aquilo que foge do racionalizável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos uma tradição de milênios em que o mundo da arte o mundo dos sonhos são comparados um ao outro, confundindo-se. Sendo assim, e já que não vivemos só dos devaneios, é natural que a discussão sobre os reflexos da arte na realidade tenha alguma consistência. O protagonista de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Puro enquanto&lt;/span&gt;, cuja voz conhecemos apenas por meio de seu inconsciente, nos leva a um mergulho no universo fantástico dos sonhos e da arte. Porém, por mais que encaremos este mergulho como aventura pungente, repleta de descobertas viscerais, as incursões pelas profundezas ecoam a agonia de quem se afasta da realidade. O protagonista percebe-se em coma, percebe-se alienado, e procura despertar. Não é tarefa fácil, pois para captar algo da realidade, para não tomá-la pelo mundo dos sonhos, todos temos de nos haver com nossos maiores delírios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-7548871039124806418?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/7548871039124806418/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=7548871039124806418' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7548871039124806418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7548871039124806418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/06/obs.html' title='Obs:'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-5578069923064820269</id><published>2009-06-10T00:19:00.004-03:00</published><updated>2009-06-10T00:36:35.453-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Finalmente, nas livrarias!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/Si8oUDO0_UI/AAAAAAAAANw/CxzYzel9TII/s1600-h/capa_puro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 344px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/Si8oUDO0_UI/AAAAAAAAANw/CxzYzel9TII/s400/capa_puro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345535607642062146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Até que enfim, quando ninguém mais acreditava, eis que meu romance está à venda! Ainda não definimos data de lançamento, mas quem já quiser ver, cheirar e degustar o livro, ele está disponível no site da &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2818293&amp;amp;sid=1021442241161789782191474&amp;amp;k5=D4A6824&amp;amp;uid="&gt;Livraria Cultura&lt;/a&gt;, que entrega para o Brasil todo. Além da Cultura, qualquer livraria que trabalhe com a Editora Annablume (e são muitas) pode encomendar o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o final desta semana, está mais do que prometido, vou postar um trecho de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Puro Enquanto&lt;/span&gt;. Não é nada parecido com qualquer coisa que eu tenha escrito antes: é a língua que eu falo nos sonhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-5578069923064820269?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/5578069923064820269/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=5578069923064820269' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/5578069923064820269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/5578069923064820269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/06/finalmente-nas-livrarias.html' title='Finalmente, nas livrarias!'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/Si8oUDO0_UI/AAAAAAAAANw/CxzYzel9TII/s72-c/capa_puro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-973006175973658549</id><published>2009-06-09T23:27:00.004-03:00</published><updated>2009-08-03T01:31:59.176-03:00</updated><title type='text'>Tempo (e a falta de)</title><content type='html'>Uma das minhas angústias mais frequentes costumava ser a falta de tempo. Não era fácil conciliar as tarefas do ganha-pão com o tempo necessário para criar, para pensar e para falar de arte. Sempre uma urgência desesperada de me expressar, e eu seguia frustrado porque outros deveres me chamavam. Hoje, ao menos aquilo que de fato eu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;precisava &lt;/span&gt;fazer e me deixava sem dormir está em boa parte concretizado. Terminei o &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2818293&amp;amp;sid=1021442241161789782191474&amp;amp;k5=D4A6824&amp;amp;uid="&gt;Puro enquanto&lt;/a&gt;, livro que me tomou dez anos para realizar e que termino com grande felicidade. E alívio, vocês não sabem como foi difícil. Nos próximos anos vou ficar só nos contos e nos poemas, mais fáceis de espremer entre uma obrigação e outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto às minhas leituras, sinto que, na medida do possível, pude pô-las em dia - nos últimos anos, li tanta filosofia, tanta teoria estética e tanta literatura que ao menos não me sinto mais numa dívida constante. A sensação de que não posso escrever um artigo decente até entender o que Nietzsche ou Rosenberg queriam dizer, ou que eu não posso me considerar escritor de verdade até ler os principais autores, já foi quase neurótica, hoje está bem mais suave. Só passou com as muitas horas de vôo, depois de ler muito. Em muitos momentos, foi um grande prazer; em outros nem tanto, pois a gente não lê só os autores com que tem afinidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei agora, não é à toa que em um de meus romances, estico meu tempo até o século XXIII, e nesse novo, o tempo é puro enquanto. À minha maneira, eu quis ampliar a experiência temporal, revirar o cotidiano. Torná-lo mais musical, extrair ritmos. Não me contento com o tempo objetivo, pois sei que ele coexiste com o tempo dos sonhos e dos devaneios. Percepção e memória são inseparáveis, e a mais remota infância ecoa em cada um de nossos gestos. Se entrarmos em física quântica, então, a coisa se complica ainda mais, pois há teorias que entendem o passado, o presente e o futuro como como ocorrências simultâneas. Mas essa é uma conversa que deixo para um outro dia - pra que a pressa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me interessa não é só o tempo, mas a temporalidade, os ritmos, a possibilidade de ver vida e arte numa dança. Aquela história de "morte da arte", na minha opinião, aniquilava tudo isso, percebessem ou não seus defensores. A gente faz o melhor que pode para ser um bom terrorista poético, ou seja, para não se esquecer de dançar enquanto briga, mas nem sempre é fácil. Acho que hoje, finalmente, estou bem seguro de que minhas opiniões sobre arte contemporânea estão embasadas o suficiente para o assunto não me drenar tanto as energias. Organizando os artigos já escritos e alguns inéditos,  até o fim do ano reúno o material todo em um livro e lanço grátis em PDF.  Assim, dou minha conclusão à querela, em que eu gastei tanto tempo e neurônio que minha pressão estava sempre alta, e também evito deixar monotemático este tão querido blog. Exatamente porque o tempo é precioso, quero postar mais sobre atos criativos, meus e dos outros, e menos reclamações sobre a anticriação. Os dois ou três melhores artigos inéditos contra a antiarte eu ainda vou postar avulsos, porque talvez sejam os mais fortes, mas comecei a sentir essa querela como um contra-tempo, e acho que o barato é vencê-la logo, para ajudar a arte de modo geral a recuperar também seu tempo perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carpe diem et carpe noctem!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-973006175973658549?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/973006175973658549/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=973006175973658549' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/973006175973658549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/973006175973658549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/06/angustias-com-o-tempo.html' title='Tempo (e a falta de)'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-3238236971628920978</id><published>2009-05-29T05:55:00.007-03:00</published><updated>2010-08-31T15:04:11.441-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>05h43</title><content type='html'>A essa hora da manhã, de pé, arritmia e a irritação de um sonho ruim. Quantas vezes não levantei para rabiscar anotações oníricas, para depois convertê-las em poesia? Anos e anos, e agora também. Dessa vez, tenho pouco mais de uma hora pra elaborar, antes de sair, então vou juntar as tarefas. Eu queria algo no método Kerouac, despejando um monte de frases sem muito cuidado e sem voltar atrás - há algum tempo eu queria fazer isso diretamente no L'Enfant Le Terrible. Outra tarefa: deixar claro que eu tenho coisas melhores a fazer do que aquilo que acabo fazendo, que eu perco tempo demais com bobagens alheias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ponto de sonhar com as bobagens... Uma aula de arte sobre Hélio Oiticica e Lygia Clark, em um museu, onde a professora dizia que as instalações deles estavam entre as últimas obras de arte. Depois daquilo já não seria mais possível fazer arte. A pintura, ela insistia, estava irremediavelmente morta, como o próprio Hélio fazia questão de dizer. Putaquepariu, Hélio, não dei permissão pra você ocupar tanto espaço na minha cabeça, muito menos a essa hora da madrugada. Ok, até no sonho eu disse que gostava um pouco da sua obra, e que isso te sirva de consolo, mas até abaixarmos tua bola, você atrapalha mais do que ajuda. Respeito de verdade, com admiração, eu tenho é pela Lygia - a obra dela, no meu sonho, estava bem mais deslumbrante que a do Hélio, e não posso fazer nada, meu inconsciente é que vê assim. A Lygia, a antiartista que entendeu a piada de mau gosto que é vender antiarte no salão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente lembro que o Caetano, que divide aluguel comigo, está a um passo de acreditar em fantasmas. Por causa do porteiro do trabalho dele, que tem falado com o antigo proprietário do prédio. O porteiro, que é pai-de-santo, revelou meses atrás segredos do morto que a família descobriu há apenas 10 dias - sobre uma filha não reconhecida. Fiquei arrepiado quando ouvi. Mas não acredito nem desacredito. Foram várias as experiências "metafísicas" que eu tive e nem sei se queria ter tido, porque não vou ao ponto de lhes tirar as aspas em definitivo. Se deus existe, não sei dizer se ele gosta muito de mim, então não sei se me agrada a ideia de um Deus chefão guiando meus passos. Nesse ponto não tenho tanto a ver com Kerouac, tô mais pra Breton, faço uma ginástica enorme para explicar a mim mesmo os acasos objetivos, os recados inconscientes das coincidências. Talvez Deleuze me dê os vetores, os devires ou até um Deus espinosiano - que não é bem Deus, certo? - em que me permito acreditar. Apesar daquele dia em que a porta do banheiro se trancou por dentro, sozinha, sem qualquer vento... Não importa: estou vivo, um dia morro e descubro, não é coisa que em que eu queria pensar até girar em falso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pode ser, pode ser sim, que Hélio seja um fantasma que vaga por aí, e além de expor neoconcretos nos meus sonhos, possa me ouvir de alguma forma. Quem sabe não sejam boicotes inconscientes, nem Deus, nem mau-olhado, mas sim o orgulho dos mortos que me faz tão azarado? Quem sabe os antiartistas mortos não tenham se incomodado mais que os vivos com as pedras que eu jogo em suas tumbas? Então é melhor falar direto pra ele: Hélio, você nunca deveria ter dito que sua obra enterraria a pintura. Foi cagada, Hélio, você falou bosta. E eu perco um puta tempo pra desfazer a tua cagada, quando eu deveria estar concentrado na minha própria arte. O saco é que tem gente demais ouvindo as ideias um tanto afetadas da tua geração, e o olhar mesmo, para onde foi? Está a deriva, já não consegue mergulhar. Foda que não resolve nada simplesmente dizer "para mim, o Hélio Oiticica não mata a pintura, o problema é dele". Também não dá para isolar a questão, dizer que só puseram a pintura na berlinda, porque toda uma noção de arte iria junto - poemas, filmes, romances, teatro, etc. A mera presença física de obras da geração dele implica em questões difíceis pra cacete, por mais que repletas de sofismas. Talvez eu nem devesse falar palavrão, pra que os intelectuais que dão as cartas não me tomassem por um falastrão qualquer. Mas essa é entre mim e o Hélio, e ele também carregava no vocabulário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prestando a atenção que ninguém prestou para Rosenberg e Nietzsche, eu sinto que realmente consegui reverter o estrago daquela geração de antiartistas. Mas, missão cumprida, já não vejo tanta graça nisso, acho que foi uma perda de tempo enorme. Eu só limpei a sujeira dos outros, não era o que eu realmente teria prazer em fazer. Gastei um tempo que não era meu, um contra-tempo, contra cinquenta anos de absurdos que poderiam muito bem ter sido evitados. Se a literatura soube evitar, as artes plásticas também poderiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem à noite, aquilo sim, aquilo era vivo, pulsante. O sarau do CAI MAL, organizado pelos Maloqueiristas. Apesar do nome, cai muitíssimo bem. Maloqueiristas eles são mesmo: poetas de rua que sabem se organizar e sabem anarquizar. Impressionante como eles juntam um monte de gente boa, alguns dos quais eles vão caoticamente conhecendo na rua - inclusive este escriba aqui. O mais próximo que se chega de uma fusão entre arte e vida é um evento anárquico como aquele, onde os poetas se revezam e contaminam os ouvintes. A noite poética é um evento completo, circula no sangue. Não é com o assassinato da arte que esta se torna mais próxima de nós, como na teoria idiota que o Oiticica comprou. A obra do Hélio pode até ser um pouco melhor do que a teoria - e não é por medo de fantasma que eu digo isso - mas acho que muito do que ele, um tanto forçosamente, queria ver como a intimidade maior entre arte e vida, eu vi ontem, com uma naturalidade que a geração do Hélio parece ter visto mas não ter compreendido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia está viva, e é incrível como nem os carros, nem os helicópteros, nem a televisão ligada, nem a futilidade de nossa época conseguem silenciá-la. Só não era para eu sonhar com a maldição. Não era para ninguém, jamais, sonhar com a morte da arte, e eu acho mesmo que perco tempo demais com ela. Ao menos como vitória moral (atrasada em décadas), pretendo liquidar com o assunto até o fim desse ano. Vou matar a "morte da arte", e quem quiser que aprenda a matá-la também. O que me interessa não é essa matéria asquerosa, mas a força que se obtém com a quebra de seus átomos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Excomungo-te de meus sonhos, antiarte, porque sei o que é sagrado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-3238236971628920978?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/3238236971628920978/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=3238236971628920978' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/3238236971628920978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/3238236971628920978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/05/05h43.html' title='05h43'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-8786132961300619933</id><published>2009-05-20T16:20:00.005-03:00</published><updated>2009-05-20T18:21:06.938-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>Três grandes passos em um só dia</title><content type='html'>Ontem foi um dia de grandes transformações em minha vida por três motivos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - Fui à gráfica acompanhar a impressão do meu livro. Até que enfim, estão rodando! A Yangraf programou a impressão para a uma da manhã, e lá estava eu, naquela fria madrugada paulistana, passando coordenadas para os técnicos. Não é obrigação do autor esse tipo de acompanhamento, mas faz uma boa diferença calibrar a saída de cores. E fiquei feliz de estar ali, como um pai na sala de parto. Os técnicos foram muito gente fina, e apesar do barulho infernal de dezenas de prensas trabalhando, a gente se entendeu bem. Acho que eles se envolveram com o projeto para além da mera obrigação. Agradecimentos especiais ao Ninja, que chefiou a máquina onde o livro foi gerado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - Eu tenho escrito artigos para a revista &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Leituras de História&lt;/span&gt;. O último texto foi sobre Guerra Civil Espanhola, e entre os próximos estão a Segunda Guerra Mundial e a vida de Constantino. Pois foi lendo vorazmente sobre Constantino, ontem à tarde, que eu tive um lapso de lucidez, encaixando peças em um quebra-cabeças que há muito eu queria entender. Sempre achei estranhíssima a conversão de um imperador romano ao cristianismo, deflagrando a maior reviravolta da cultura ocidental. Em um post rápido não vou conseguir explicar o que andei estudando e pensando, só vou falar por alto. Ao que parece, nem Constantino se converteu plenamente à religião daquele que os romanos pregaram na cruz, nem estava usando o cristianismo apenas pragmaticamente, como querem outros, a fim de dar coesão ao império. Para se chegar a uma resposta mais sofisticada, é preciso captar tantas sutilezas que ao final o que se tem é uma percepção muito rica de como nos tornamos o que somos hoje. O que é bacana entender é que a passagem da cultura helênica para a cristã não foi tão brusca quanto parece. Continuo preferindo Dionísio aos santos católicos, mas uma coisa é a História da Europa, e outra as histórias do Olimpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - Já que ando me inspirando nos antigos, resolvi levar a sério o ideal de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mente sã em corpo são&lt;/span&gt;. Vamos admitir: levantamento de copo não é esporte - mesmo que mate a sede, te mantém sedentário. Com isso em mente, eu comprei pela internet um saco de boxe, para dar umas pancadas nos momentos de stress. Talvez seja mais importante publicar um romance ou estudar a genealogia da nossa moral, mas se eu não tiver onde descarregar a tensão, não há exercício mental que dê conta. Faz tempo que eu quero um saco onde desferir uns socos, e até que enfim tomei juízo. Encontrar o equipamento completo em promoção no Mercado Livre me pareceu quase tão revolucionário, em minha vida pessoal, do que os outros dois passos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lançando livro, estudando Constantino ou distribuindo socos: nos três casos, é um novo Ivan que se apresenta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-8786132961300619933?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/8786132961300619933/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=8786132961300619933' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/8786132961300619933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/8786132961300619933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/05/tres-grandes-passos-em-um-so-dia.html' title='Três grandes passos em um só dia'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-2462545545676906780</id><published>2009-05-07T00:35:00.015-03:00</published><updated>2009-05-10T17:55:34.609-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><title type='text'>Fenômeno</title><content type='html'>Na minha área, dizem que nada desse tipo existe. Na área adversária, ele faz o que parecia impossível. Uma plasticidade poucas vezes vista, neste ou em qualquer outro campo. Um artista habilidosíssimo. Por que não chamar pelo nome? Gênio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certos críticos de arte deveriam assistir a alguns jogos de futebol. Ao menos para ver Ronaldo lidando com a bola com a mesma graça que Miró com as tintas. Após o replay mostrar o lance perfeito, com que cara podem insistir que "não existem gênios"? A teimosia pós-moderna faz com que qualquer amante de futebol entenda de beleza mais do que especialistas com anos e anos de tagarelice acadêmica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SgLnteeHdoI/AAAAAAAAANg/yTU14P2rK1Y/s1600-h/ronaldo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 375px; height: 260px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SgLnteeHdoI/AAAAAAAAANg/yTU14P2rK1Y/s400/ronaldo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333079677219600002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não preciso muito para provar meu ponto: como parábola, me basta a trajetória da bola em direção ao gol do Santos, na &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZO3TdrvFrTA&amp;feature=related"&gt;final do Campeonato Paulista&lt;/a&gt;. O atacante compensa sua idade e peso escondendo a bola por trás, livrando-se da marcação cerrada com movimentos sutis, e conclui com perfeição. Vem sendo assim a cada jogo, depois de muitas intempéries, quando ninguém mais acreditava. Após três cirurgias no joelho, após um episódio que a moral vigente julga constrangedor, após convulsões, escândalos, descrença e problemas físicos, podemos prever que a trajetória de Ronaldo será lembrada com matizes de lenda. Ultrapassando o terreno do esporte, ele ficará para a História como um exemplo de superação: a alternância de seus momentos de glória e de tragédia comoverão gerações que ainda nem nasceram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de tantos acontecimentos, como insistir, como fazem os invejosos profissionais, que todo gênio é uma farsa, mero constructo ideológico? Nem Michelangelo nem Picasso convenceram os críticos que azedam o ambiente em que vivo, mas no esporte os resultados são menos subjetivos que na arte, e talvez Ronaldo me ajude a vencer a má filosofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Todos somos iguais", não é mesmo? Se eu afirmo o contrário, se eu digo que Miró é melhor do que 99,999999% dos artistas de nosso tempo, certos acadêmicos se sentem no direito de me tachar de reacionário. Afinal "essa exaltação ao individualismo é retrógrada, burguesa, alienada, etc". Futebol, então, nem entra em cogitação, pois não pode ser outra coisa além de um meio de controlar as massas, "pão e circo"... Estou errado por me sentir em melhor companhia em um boteco, falando de futebol, do que perto de uma gente tão ressentida? Os acadêmicos mais torpes que façam seus gols contra, quero estar com quem torce por vitórias. Não porque eu queira me alienar e me aburguesar, mas, muito pelo contrário, porque um Ronaldo me mostra maior inteligência com as pernas do que aqueles outros com a boca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho de milhões de habitantes do país do futebol é ser como o Ronaldo. Uma grande parte de seus fãs se esforçou para ser como ele; muitos tentaram exaustivamente, treinando todos os dias, extremamente focados, com um empenho impecável. Mas o que lhes falta para chegar lá não é proporcional ao esforço. Predestinação, genética, histórico familiar, um devir especial? Difícil dizer. Mas qualquer um que já tenha batido numa bola sabe o quanto é ridículo pensar que a distância entre um Ronaldo e um jogador mediano seja apenas o quanto cada um se dedicou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogador não tem apenas uma coordenação motora avantajada ou um arranque fora do comum.  Isso sim, claro, do contrário não veríamos aquele &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=q58jqqjXn2Y&amp;feature=related"&gt;gol contra o São Paulo&lt;/a&gt;, em que o "gordinho" de 32 anos e três cirurgias vence a corrida contra o zagueiro e finaliza antes que o goleiro chegue à bola. O mais impressionante não está no físico, mas no quanto Ronaldo percebe o campo e o quanto ele é capaz de se antecipar aos movimentos de seus adversários. Por exemplo, na &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=TsusWQUMOgk"&gt;vitória contra o Atlético Paranaense &lt;/a&gt;pela Copa do Brasil: ele ameaça o chute, mas não bate, e assim faz com que o adversário se lance em vão. Com isso, abre um espaço que não existia, e por baixo das pernas encontra o caminho do gol. No segundo lance, temos uma finta impressionante sobre dois adversários, coisa que comentaristas experientes, como o Neto, disseram nunca ter visto no futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é à toa que o chamam de Fenômeno. Agora, se algo como um pseudo-marxismo mal-ajambrado acha feio dizermos que o talento de algumas pessoas as torna excepcionais, pior para o pseudo-marxismo. Todo esforço para manter-se pseudo desmorona diante da facilidade com que o atacante desloca as defesas adversárias. Prefiro falar em poesia, em linhas de fuga, ou na inteligência espacial extraordinária que ele demonstra a cada jogo. Aqueles que se recusam a ver distinção entre um Ronaldo, seja da área que for - um Ronaldo das artes plásticas, da literatura, da filosofia, não importa - e um homem qualquer, que tente marcá-lo na pequena área como se ele fosse apenas "bem treinado", como se ele não fosse diferenciado. Eu terei o maior prazer em assistir à goleada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só se pára um craque na porrada, como fizeram com Pelé em 62 - mais ou menos a mesma época em que artistas e críticos apelaram para o antijogo. Estaríamos vendo muito mais jogadas geniais nas artes plásticas se os invejosos não estivessem quebrando os ossos dos talentosos. Basta coibir as jogadas desleais para deixarmos acontecer uma grande virada na arte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-2462545545676906780?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/2462545545676906780/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=2462545545676906780' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2462545545676906780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2462545545676906780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/05/fenomeno.html' title='Fenômeno'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SgLnteeHdoI/AAAAAAAAANg/yTU14P2rK1Y/s72-c/ronaldo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-4350423391426351199</id><published>2009-04-28T23:02:00.007-03:00</published><updated>2009-06-19T17:08:21.066-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Harold Rosenberg</title><content type='html'>Saiu agora um artigo meu na revista &lt;a href="http://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/34/harold-rrosenberg-diante-da-morte-da-arte-situando-se-entre-133349-1.asp"&gt;Filosofia, Ciência e Vida&lt;/a&gt;: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Harold Rosenberg diante da morte da arte&lt;/span&gt;.Fiz uma aproximação entre meu crítico de arte favorito e a filosofia de Nietzsche, mostrando que os dois juntos derrubam muito do que se pensou sobre arte das últimas décadas. Gosto de Rosenberg porque ele nunca fugiu da briga, percebendo quais eram os desafios intelectuais de nosso tempo e respondendo à altura. Ele foi brilhante ao combater a antiarte com argumentos muito superiores aos de seus adversários, sem cair em simplismos, com uma capacidade quase nietzschiana de avaliar diversos lados ao se posicionar. A antiarte não conseguiu refutá-lo, apenas ignorá-lo bem cinicamente, como muitos fazem até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impossível resumir o texto em poucas linhas, mas vou deixar um trecho só para mostrar que a artilharia é pesada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;Percebendo o quanto a aceitação incondicional do novo é comodista, Rosenberg desdenha do que chama de opiniões da geração, não reconhecendo nestas muito mais do que modismo. Não é de todo gratuito, portanto, que acusa seus colegas de “embusteiros profissionais”. É evidente que declarações como essa não o tornavam especialmente simpático por parte de seus contemporâneos, o que também deve ter contribuído para seu isolamento. Contudo, ele não poderia ter herdado de Nietzsche apenas o espírito contestador sem um tanto de sua virulência. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-4350423391426351199?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/4350423391426351199/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=4350423391426351199' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4350423391426351199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4350423391426351199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/04/harold-rosenberg.html' title='Harold Rosenberg'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-4529672625887406389</id><published>2009-04-17T14:42:00.002-03:00</published><updated>2009-04-17T14:48:29.404-03:00</updated><title type='text'>O que eu quero</title><content type='html'>Encontrar o mundo na saída um pouco mais interessante do que estava na minha chegada. &lt;br /&gt;Causar algum estrago. Deixar meu recado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-4529672625887406389?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/4529672625887406389/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=4529672625887406389' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4529672625887406389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4529672625887406389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/04/o-que-eu-quero.html' title='O que eu quero'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-1788246522000759799</id><published>2009-04-04T15:30:00.012-03:00</published><updated>2010-08-31T14:54:13.948-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Os reativos</title><content type='html'>É um tanto deprimente considerarmos as últimas consequências antes mesmo do primeiro gesto, mas não fazê-lo pode ser suicida. Não que o suicídio seja sempre condenável, mas é bom saber se a lâmina na mão é para escanhoar ou para cortar a garganta. As atitudes mais eletrizantes são as kamikazes, são as entregas absolutas que não se contentam com a realidade, que ambicionam ultrapassá-la. O amor de Romeu e Julieta jamais se acomodaria às imperfeições do cotidiano, assim como tantas outras voluptuosas utopias. Eu mesmo estou mais próximo do Kamikaze do que do cauteloso, mas estou tentando considerar os movimentos do judô. Preciso lembrar que o golpe que desfiro pode ser usado pelo meu adversário, bastando-lhe aplicar uma alavanca. Quanto mais impetuoso eu for, maior pode ser meu tombo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que algo pungente ganha força, seja o que for, um movimento reativo se contrapõe. O golpe militar no Brasil reagia às propostas transformadoras de Jango, que não cabiam na cabeça pequena da elite da época. A ditadura de Franco, na Espanha, foi uma resposta aos avanços da esquerda, que terminou ainda mais sufocada pelo autoritarismo do que antes. Quanto à arte pós-moderna, foi principalmente uma arte anti-moderna, uma rejeição muito mal argumentada à vivacidade anterior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez fosse impossível cobrar dos anarquistas espanhóis da década de 30 que antecipassem o revide fascista; ou que Jango fosse mais diplomático com os empresários que apoiariam o golpe; ou que Greenberg, principal crítico de arte modernista, não forçasse uma polarização no cenário artistíco. Era impossível fazê-los se conterem, porque estavam fruindo sua convicção mais íntima, a comunhão com suas maiores verdades. Não digo que tenham alcançado qualquer Verdade, mas foram verdadeiros, e já isso é raro. É tão árduo o processo que nos leva a uma honestidade maior, honestidade conosco mesmo que, uma vez lá, parece insuportável ceder às concessões. Ainda que algumas concessões talvez signifiquem consequencias menos trágicas. Venho pensando mais nos reativos, embora sem muita clareza do que fazer a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha opinião, influenciada por Espinosa, é reativo aquele que depende da força do adversário para se sentir forte. A anti-arte nem sequer existe se não houver uma arte ainda mais poderosa onde se atracar. O fascismo não se consagra se não houver um inimigo de quem roubar a atenção. Tampouco os padres são ouvidos se os fiéis não acreditarem em Satanás. É conveniente, para os reativos, que seu inimigo seja forte. Quanto maior a força do inimigo, maior a eficácia da alavanca. Por isso que o reativo tem vantagem sobre lutadores medianos, mas não costuma ser o melhor do tatame. Ao se confrontar com quem domina as mesmas técnicas de combate, dificilmente irá ganhar, por não ter força própria. O que, aliás, complementa a filosofia do judô. Principalmente no pensamento, temos que achar a força em nós mesmos, não no adversário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ultimamente, venho tentando ser mais judoca do que kamikase (ou um anarquista espanhol). Eu não soube ser judoca por pensar, com um certo exagero, que judô é o esporte dos reativos, valendo-se demais da força do inimigo. Creio que Jango, os anarquistas e Greenberg pensaram de forma semelhante, ao neglicenciarem o adversário, ao recusarem qualquer proximidade corporal no combate. Em certa medida, até fui um judoca 'faixa amarela" (o nível a que cheguei quando pratiquei o esporte na infância), pois usei muitos dos golpes adversários contra eles mesmos. Meu erro pode ser o de não me contentar com isso. A antiarte chegou a representar, para mim, tudo o que há de reativo em nosso tempo, tudo que há de exangue e de parasitário. Me causava tanto desgosto ver que algo assim sufocava a arte que considero mais verdadeira, que eu ataquei sem me proteger. Eu mal me importei em como estaria minha saúde após o combate, e o que poderia ter sido um confronto desportivo no tatame eu considerei uma guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei não reduzir meus artigos a um mero rebate, mas o que eu queria era derrotar rapidamente o que considerei meu maior inimigo. Agora, vejo sinais de que a arte está finalmente vencendo a antiarte. Só não sei o que os reativos farão, mas eles estão se enfraquecendo. Ainda tenho alguns disparos fulminantes a disparar, depois disso, talvez prefira passar para o tatame. Talvez seja melhor eu lutar de acordo com regras comuns, seguindo o "comitê olímpico". O ambiente mudou muito rápido, já me parece bem possível chegar à vitória sem "derramamento de sangue". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, me preparei tanto para uma guerra mundial, e pensei tão pouco na minha própria sobrevivência - inclusive sobrevivência material, no sentido mais imediato - que quase tenho mais vontade de abraçar a morte honrosa do Kamikase do que me prolongar no corpo a corpo. Ao menos os anarquistas da década de 30, completamente ignorantes quanto ao destino da Espanha nos anos seguintes, agiram com grande coerência entre sua consciência e seus atos. Deram à sua morte uma beleza e uma integridade dignas do famoso casal shakespereano. Acho que era para essa direção que eu estava caminhando: aceitei tão bem o papel do anarquista que minha morte biológica não estava fora dos planos. Pensei muito pouco em carreira, dinheiro, comida, nada disso me importaria se a arte permanecesse ameaçada. Tenho meu saldo bancário como testemunha. E agora, depois da guerra, como é que o veterano se adapta a combates mais amenos? Mais importante: como fazê-lo sem se tornar, ele mesmo, reativo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-1788246522000759799?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/1788246522000759799/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=1788246522000759799' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1788246522000759799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1788246522000759799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/04/os-reativos.html' title='Os reativos'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-3517807754014956573</id><published>2009-03-18T00:47:00.011-03:00</published><updated>2009-03-18T11:55:34.483-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>De volta ao novo</title><content type='html'>Este deve ser um dos blogs mais imprevisíveis de toda a web. Um dia você encontra piadas idiotas, no outro um programa de tevê é comparado com alta literatura, e de repente surge um artigo como &lt;a href="http://www.cronopios.com.br/site/critica.asp?id=3875"&gt;De volta ao novo&lt;/a&gt;, recém-saído no Cronópios. O mesmo homem que faz o &lt;a href="http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/03/caderno-das-bobagens-3.html"&gt;Caderno de bobagens &lt;/a&gt;dispara um texto que nem os maiores dos pós-modernos poderiam refutar. Se eles acham que podem, que o tentem, mas na mão deles a arte estava morrendo, e eles mesmo diziam isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pensamento sobre arte é dos mais sérios, nem por isso faço a figura do acadêmico sisudo. Personagem por personagem, o Dr. House, diagnosticista excêntrico, me cai melhor. Meus procedimentos são heterodoxos e meu comportamento talvez seja constrangedor, mas posso salvar um paciente à beira da morte. Onde os cautelosos vêm provocação, eu provo eficácia com intervenções cirúrgicas. Compreendo o que é preciso extirpar para que o todo sobreviva. Percebo que causo sofrimento, até mesmo a colegas próximos, mas aceito o risco de enfiar o bisturi quando ninguém mais tem coragem. Cada vez me sinto mais seguro de que eu estou certo, de que tenho apontado as causas do mal-estar. Ao notar que o paciente pode reagir, como notei na exposição do CCBB, meu humor melhora consideravelmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí as piadas. De arte contemporânea nem todo leitor deste blog entende, mas talvez possa imaginar um quadro de extrema neurastenia que esteja progredindo para a "morte do humor". Os artistas contaminados, que conheci às dezenas, geralmente tinham grande dificuldade de rir. É o sintoma secundário que completa o quadro: se a arte sucumbe, como é que a graça poderá resistir? Eu encontrei a arte em péssimo estado, só se pensava em sacrificá-la. Hoje, com alguns anos de experimentos inusitados, o que tenho a oferecer são o diagnóstico e a receita. Mas quem assiste &lt;em&gt;House&lt;/em&gt; sabe que ainda resta um problema: nem sempre o doente quer se curar. Daí nosso humor ter seu lado cáustico, ainda que contenha sabedoria sobre a saúde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-3517807754014956573?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/3517807754014956573/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=3517807754014956573' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/3517807754014956573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/3517807754014956573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/03/de-volta-ao-novo.html' title='De volta ao novo'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-7052533513093036924</id><published>2009-03-16T12:43:00.007-03:00</published><updated>2010-08-31T14:40:28.124-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>House, de David Shore</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/Sb5zv6s8HUI/AAAAAAAAANY/0A7moc4XWyY/s1600-h/house.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313811877392555330" src="http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/Sb5zv6s8HUI/AAAAAAAAANY/0A7moc4XWyY/s400/house.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 300px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que heroína pode viciar na primeira dose, o que me leva a ficar longe dela, apesar de dizerem que não há Terra qualquer prazer comparável. Mas de&lt;i&gt; House&lt;/i&gt; eu não escapei. Não faz muito tempo que tomei a primeira dose e já estou obcecado. O programa passa todos os dias na Universal às 20h e na Record quinta-feira à meia-noite. Trata-se de um médico mal-humorado e sádico, que não demonstra qualquer compaixão pelos pacientes ou respeito às regras do hospital. Em compensação, é brilhante como um Sherlock Holmes ao diagnosticar os casos clínicos mais enigmáticos. Sua equipe tem que aguentar diariamente suas tiradas sarcásticas, os pacientes passam pelos procedimentos mais invasivos, e mesmo assim, talvez protoganize o que há de mais humanista na televisão. As situações vão ao limite, porque também o espectador precisa de procedimentos radicais, precisa que a agulha penetre o coração e que os neurônios se rearranjem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dr. House é o personagem mais complexo que já se criou para a televisão, pois somente ao longo de muitos episódios conseguimos notar o mínimo de afeto que ele tem pelos demais. Misantrópico, escapando da depressão pelo brilhante humor sarcástico e pelos desafios intelectuais, ele tenta a seu modo vencer as dificuldades que tem para sentir algo pelas pessoas, para se importar até mesmo com seus colegas mais próximos. Em um dos episódios, Foreman, seu braço direito, se infectou em serviço, e, mesmo próximo de sucumbir, aparentemente não arrancava o chefe de sua frieza racional. Por mais que já esteja no senso comum a figura do médico como alguém cujo olhar é excessivamente técnico, impassível diante do sofrimento alheio, a anestesia moral do protagonista pode ser chocante. Ele não hesita ao sacrificar um recém-nascido, desde que com isso possa diagnosticar outros. O médico e o monstro são uma pessoa só, no entanto ele salva vidas, o que põe qualquer julgamento sobre seu cárater em suspensão. Com um vigor filosófico mais comum em Sartre do que na tevê, abundam as situações em que é a própria agressividade que permite à mente dissecar os problemas, ir à raiz, e encontrar a cura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nos detalhes sórdidos que muitas vezes o diagnosticista encontra a chave para os maiores quebra-cabeças. O detetive pressiona cada paciente até as lágrimas para extrair informações relevantes, beirando a tortura para se certificar que o paciente não está escondendo nada. "Todo mundo mente", inclusive para si mesmo, como os histéricos, criando falsos sintomas e mantendo em segredo o que realmente corrói os órgãos. Ao perceber que é preciso ir além do que se mostra, o espectador vai, aos poucos, delineando a luta entre vida e morte que agita o doutor. Uma bengala é o apoio para a perna doente que o atormenta com dor constante, mas sua luta é menos física do que existencial. O que lhe acomete é a náusea da falta de sentido, é o tédio diante das convenções sociais que tornam qualquer vida uma questão meramente estatística. House sofre o efeito colateral do excesso de inteligência, o desencanto de quem atravessa a superfície dos homens, tanto as vísceras quanto o cérebro. A investigação nos torna mais aptos a encontrar a cura, no entanto precisamos de antídotos para que a inteligência mesma não nos torne catatônicos. O que sustenta a série há mais de cinco anos não é o diagnóstico de cada paciente do hospital, que, por complexo que seja, a equipe resolve em algumas horas ou dias. É a tarefa, muito mais difícil, de arrancar o próprio Dr. House de sua beligerência contra a vida. Uma mais ampla noção de saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com David Shore, roteirista da série, podemos flexibilizar a hierarquia costumeira que coloca os livros sempre acima dos programas de televisão. Enquanto meio, a tevê não é necessariamente mais limitada que o cinema, que também pode ter o foco na audiência ou na qualidade. Embora na imensa maioria das vezes o foco esteja na audiência, Shore se confessa impresionado com a não-interferência dos produtores sobre seu programa. De fato se nota que ele tem grande liberdade para ousar e fazer de House uma série surpreendemente autoral. O personagem pode causar inveja a qualquer escritor que lhe preste atenção, os diálogos são polifônicos a ponto de nos lembrar de Dostoievski, a trama é ágil e captura. Há em David Shore uma inteligência de quem não se limita às fórmulas fáceis, não importa o veículo em que trabalhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impressionado eu fico ao constatar que um programa tão dilacerante tem sido a série mais assistida. Um programa que vai além do entretenimento fácil, que exige cérebro e estômago do espectador, que o obriga a formular algo em vez de apenas absorver passivamente. Não passa de academicismo insistir que o feito não seja possível, se já temos o prognóstico, e é positivo. Neil Gaiman fez algo semelhante nos quadrinhos, e Matt Groening nos desenhos animados. David Shore conseguiu se infiltrar na cultura de massas e proporcionar a uma imensa multidão algo de que ela é carente, que podemos chamar de arte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-7052533513093036924?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/7052533513093036924/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=7052533513093036924' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7052533513093036924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7052533513093036924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/03/house-de-david-shore.html' title='House, de David Shore'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/Sb5zv6s8HUI/AAAAAAAAANY/0A7moc4XWyY/s72-c/house.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-8849495630343277443</id><published>2009-03-02T09:18:00.006-03:00</published><updated>2010-08-31T14:36:08.428-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humor'/><title type='text'>Caderno de bobagens - 1</title><content type='html'>&lt;i&gt;Um dos maiores perigos de todo intelectual "sério" é cair no politicamente correto. Como antídoto, decidi resgatar um caderno de juventude, em que eu anotava as piadas infames que eu e meus amigos inventávamos. Até que rendeu um caderno grosso, que gostei tanto de reler que, de tempos em tempos, vou reproduzir aqui.&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Vou começar com uma "música de abertura", que eu cantava sempre que estava bêbado e feliz, cambaleando com os amigos pelas ruas:&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanta besteira&lt;br /&gt;Aí, quanta besteira&lt;br /&gt;Quanto besteira&lt;br /&gt;Aí, planto bananeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yo soy un hombre sin cerebro&lt;br /&gt;No sé bater palma&lt;br /&gt;Yo soy un hombre sin cerebro&lt;br /&gt;No sé bater palma&lt;br /&gt;Y antes de morir yo quiero&lt;br /&gt;Encuentrar una alma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanta besteira&lt;br /&gt;Aí, planto bananeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Experimente cantar no ritmo de Guantanamera)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-8849495630343277443?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/8849495630343277443/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=8849495630343277443' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/8849495630343277443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/8849495630343277443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/03/caderno-de-bobagens-1.html' title='Caderno de bobagens - 1'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-1857152338367358602</id><published>2009-03-02T09:07:00.004-03:00</published><updated>2009-03-02T09:18:04.450-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humor'/><title type='text'>Caderno de bobagens - 2</title><content type='html'>Texto de 2004:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu pra perceber que o mercado de moleques lavando vidro de carro foi totalmente superado pela nova onda de malabarismo no semáforo. &lt;br /&gt;Imagino que tenha havido reuniões, MBAs e palestras:&lt;br /&gt;- Meu amigo, você tem que perceber que o mercado do rodinho, lavar carro, já era. Talvez dure mais dois ou três meses, mas tá obsoleto. Se você quiser se preparar para os novos tempos, invista na carreira do malabarismo, que é a profissão do futuro. E outra coisa. Quem sobe no ônibus dizendo que um filho tá doente, o outro tá passando fome, ou que tá contaminado com AIDS não pega mais. Acabou, não dá mais lucro, o público precisa de novidade. O empreendimento mais garantido nos ônibus é a venda de chocolates. Vocês precisam acompanhar as mudanças.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-1857152338367358602?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/1857152338367358602/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=1857152338367358602' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1857152338367358602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1857152338367358602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/03/caderno-de-bobagens-2.html' title='Caderno de bobagens - 2'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-6455576827794542623</id><published>2009-03-02T08:57:00.006-03:00</published><updated>2010-08-31T14:34:13.686-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humor'/><title type='text'>Caderno de bobagens - 3</title><content type='html'>&lt;i&gt;Minha versão para Sampa. Por nada não, mas eu conheço a cidade melhor que o Caetano.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma coisa acontece em meu coração&lt;br /&gt;Que só quando tusso contaminado por toda essa poluição&lt;br /&gt;É que quando eu cheguei por aqui eu quase morri&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aguda buzina aberta a cada esquina&lt;br /&gt;A violência escrota de duas quadrilhas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não havia para mim bronquite&lt;br /&gt;Nem a safena da operação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma coisa acontece no meu coração&lt;br /&gt;Que só quando vejo a 12 de um ladrão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-6455576827794542623?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/6455576827794542623/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=6455576827794542623' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6455576827794542623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6455576827794542623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/03/caderno-das-bobagens-3.html' title='Caderno de bobagens - 3'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-1935508304323853399</id><published>2009-02-23T13:42:00.007-03:00</published><updated>2009-08-09T23:08:52.984-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><title type='text'>Mais imagens do Puro Enquanto</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SaLVgxMB9mI/AAAAAAAAANI/9trJH8afvwg/s1600-h/05.+mijar+na+comida+deles.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 310px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SaLVgxMB9mI/AAAAAAAAANI/9trJH8afvwg/s400/05.+mijar+na+comida+deles.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306038069932193378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Completei o upload de imagens do Puro Enquanto no Flickr, estão &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/ivan_hegenberg/?saved=1"&gt;aqui&lt;/a&gt;. O Flickr não foi muito fiel, mas ok, é só pra dar uma prévia. Logo mais eu deixo aqui um trecho do livro, pra vocês degustarem a linguagem delirante que eu criei pra dar conta do universo dos sonhos. Dia de lançamento? Perguntem ao editor, o livro tá com ele há meses, já poderia ter saído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também estou cheio de artigos na gaveta que vão sair em revistas e sites ainda no começo do ano. "Enfrentando o vazio" está na nova edição da DASartes, o primeiro texto polêmico que eu consigo infiltrar em um terreno especificamente de artes plásticas. Ótimo, a única saída confortável dos antiartistas nos debates que eu coloco é me ignorar, e isso tende a ficar cada vez mais difícil. Nos últimos anos eu me senti um perseguido político, os antiartistas implacáveis contra a pintura, e só agora, com o Puro enquanto no prelo e os últimos artigos que eu escrevi é que eu sinto que derrotei esses meus inimigos. Nem que seja na minha mente, eu superei todos aqueles assassinos, os tapados que não deixavam a pintura respirar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes sinto que deve soar meio chata a minha militância, mas se você notar que até mesmo artistas que se consagraram na pintura, como Luiz Zerbini, sofrem tanta pressão que absorvem o discurso do inimigo, seria covardia minha ficar quieto. É este o momento da arte que eu sou obrigado a presenciar, onde até os mais destacados pintores brasileiros podem deixar de pintar e se lamentar como um viúvo, dizendo "eu sei que a pintura morreu", mas que "não param de pensar nela". Alguém precisava oferecer um contra-discurso com toda a vitalidade necessária, alguém precisava superar quase cinquenta anos de mentalidade Gulag. Para que a pintura sobreviva, não basta pintar bem. Não adianta exibir saúde se tem alguém apontando uma arma para você - é preciso desarmar o agressor antes. Como não vi quase ninguém indo para o front, deixei muitos projetos de lado para contra-atacar com toda força. Agora sinto alívio, acho que o pior já passou. Obtive boas vitórias e tenho visto pessoas importantes mostrando que pensam parecido comigo. É questão de tempo até virar o jogo, basta que o trabalho que temos feito se propague para que a repressão seja coisa do passado. Em poucos anos, nem pensaremos muito na morte da arte, não nos apegaremos aos traumas. Vocês verão que um bom período para a arte está por vir, e eu sinto orgulho por acreditar que deixo minha colaboração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-1935508304323853399?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/1935508304323853399/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=1935508304323853399' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1935508304323853399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1935508304323853399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/02/mais-imagens-do-puro-enquanto.html' title='Mais imagens do Puro Enquanto'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SaLVgxMB9mI/AAAAAAAAANI/9trJH8afvwg/s72-c/05.+mijar+na+comida+deles.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-2752404323125408652</id><published>2009-02-14T13:38:00.001-02:00</published><updated>2009-02-14T13:50:44.414-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poemas'/><title type='text'>Pletora</title><content type='html'>Esta energia que não gasto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Que não acaba &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Que me arrebata &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Com que me maltrato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que me faz servil          (ser vil)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que tenho de mais alto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-2752404323125408652?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/2752404323125408652/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=2752404323125408652' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2752404323125408652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2752404323125408652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/02/pletora.html' title='Pletora'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-211984472971118114</id><published>2009-02-10T22:35:00.006-02:00</published><updated>2010-08-31T14:32:11.467-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Humor'/><title type='text'>Que conto?</title><content type='html'>- E agora, Ivan, o que é que você está escrevendo?&lt;br /&gt;- Contos de foda.&lt;br /&gt;- Ah, que bonitinho, contos de fada?&lt;br /&gt;- Não. De foda. &lt;br /&gt;- Ah... tá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-211984472971118114?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/211984472971118114/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=211984472971118114' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/211984472971118114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/211984472971118114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/02/que-conto.html' title='Que conto?'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-892056405481994998</id><published>2009-02-06T00:05:00.008-02:00</published><updated>2010-10-15T22:53:16.406-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Deturpações do socialismo</title><content type='html'>Transferido para &lt;a href="http://diagnosticosdiferenciais.blogspot.com/2010/10/deturpacoes-do-socialismo.html"&gt;Diagnósticos diferenciais para uma arte em crise&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-892056405481994998?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/892056405481994998/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=892056405481994998' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/892056405481994998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/892056405481994998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/02/deturpacoes-do-socialismo.html' title='Deturpações do socialismo'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-6975169704004713858</id><published>2009-02-03T00:35:00.013-02:00</published><updated>2011-06-28T19:19:30.467-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Sobre Zizek no Roda Viva</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SYhUMvvoHSI/AAAAAAAAAMs/k8KF794tDJI/s1600-h/zizek.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298577539552779554" src="http://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SYhUMvvoHSI/AAAAAAAAAMs/k8KF794tDJI/s400/zizek.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 280px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 292px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Hoje assisti à entrevista do filósofo Slavoj Zizek no Roda Viva. Não sei se ele já pode ser considerado o mais importante marxista vivo, mas já se pode dizer que se destaca como o que com maior tenacidade busca atualizar as idéias de Marx. Lacan, Freud, Nietzsche e cognitivismo entram no leque dele, na sua tentativa de tirar o pó de uma utopia que se formou há mais de 150 anos atrás. Admito logo de cara que ele consegue criar algumas pontes interessantes, inspiradas, às vezes com toques poéticos. Dificilmente outro marxista conseguiria prender minha atenção como ele, que evidentemente tem seu vigor. Concordo com muitas de suas análises do sistema, muitos de seus diagnósticos sobre a vida no capitalismo. Mas, honestamente, se ele é o melhor que o marxismo tem a oferecer, se ele é a maior esperança de fazer com que essa ideologia permaneça em pauta... eu não entendo como é que muitos amigos meus que parecem tão vivos conseguem comprar o pacote todo, com Hegel e tudo, revolução, etc. Gosto desses meus amigos, mas adoraria saber como libertá-los de um pensamento que não pode fazer bem nem para o mundo nem para eles mesmos. O marxismo tem seu interese como análise, mas quando não é relativizado se torna um limite, interdita uma série de sinapses. Pode bem parecer abusado da minha parte dizer isso, mas para bom entendedor, Zizek mostrou diversas falhas na entrevista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou ser generoso e começar por um ponto em que eu aprovei sua fala. O que ele diz sobre violência, por exemplo, me toca. Verdade que ele foi esperto, eu diria até precavido, e para não assustar o público com a sanguinolência inerente à implantação do comunismo, desviou o foco para Gandhi. Falou bonito, ao associar sua defesa da violência a Gandhi, que na sua opinião é mais violento do que Hitler. A violência de Hitler era reativa, conservadora, fazia com que os valores vigentes permanecessem. Gandhi, mesmo pregando a paz, rompia com o poder, era um corte mais fundo na estrutura social. É esta a violência que nos interessa, e que tanto eu quanto ele tentamos transpor para a escrita. Claro que a sede de sangue dele deve ser muito maior que a minha, eu não tenho ímpetos anti-democráticos tão fortes, não vejo nem a revolução de Outubro com a mesma alegria que ele. Mas como ele não derrama sangue pessoalmente, algo da pungência dos textos dele me fascinam, por que não? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, Zizek disse: "Não gosto de carnaval, gosto de ordem". Deve ser isso o que leva alguém a se identificar com a esquerda dura. Eu posso não gostar muito de samba, mas se não houver alguma folia, a vida fica restrita a pouco mais do que pão. Um filósofo que advoga ter entendido Nietzsche e Deleuze não pode achar que um mundo sem Dionísio (ou Rei Momo) tenha qualquer coisa a ver com liberdade. Mais atenção a Foucault também lhe faria bem, para ele pensar se não é apenas uma sociedade disciplinar o que ele espera do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo com ele, no entanto, com um ponto em que as pessoas pensam muito pouco, e que é fundamental para se entender a vida atual. O capitalismo liberal tende a ser bastante permissivo, e nem precisamos entrar no mérito de quem fica à margem, há um problema sério inclusive para quem tem poder de compra e encontra estabilidade financeira. É o imperativo do gozo. Para quem tem grana, tudo parece permitido, no entanto a suposta liberdade tem muita imposição por trás. Toda a cultura de massa faz com que nos sintamos mal quando não desfrutamos de todas as maravilhas do mundo moderno, quando não consumimos tudo o que poderíamos, quando não temos uma namorada tão bonita quanto a da TV, ou quando não somos tão felizes quanto prometeram que ficaríamos com o carro, as viagens, etc. O desejo é estimulado ao máximo, mas também a insatisfação. Se você fica satisfeito com seu carro atual, não comprará um novo no ano que vem, e o capitalismo avançado precisa que você compre sempre mais. Se fosse apenas uma questão teórica ou chatice militante, os consultórios psicanalíticos não veriam tantos casos de depressão grave que se devem mais ao imperativo do gozo do que a recalques. Zizek não disse novidade nenhuma, isso foi dito por Lacan muito antes dele. De qualquer modo, ele disse bem: em nosso tempo, é do superego que vem a ordem para gozar. Vindo do superego, produz culpa &lt;i&gt;ad infinitum &lt;/i&gt; e domina a subjetividade. Hoje a culpa por não gozar é tão neurótica quanto a culpa por gozar nos tempos antes de Freud. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por contraditório que pareça, ver o excesso de gozo como problemático pode ser um discurso bem libertário, tendo seus pontos de contato com Foucault, por exemplo. Mas, se estamos contestando o mais-gozar, é claro que um moralista também pode gostar da idéia. Fica claro que Zizek não é livre nem libertário ao falar bem do cristianismo, apesar de ateu.  É tão absurdo um ateu elogiando o cristianismo que a impressão é que ele pode até ser um cara inteligente e capaz de associações inusitadas, mas que a moral antecipa tudo o que passa pela cabeça dele. Por que raios um comunista ateu tem que achar o cristianismo tão bonito? Para ele não tem nem as vantagens da vida após a morte ou de um Deus bondoso no céu olhando por todos nós. Só nos resta pensar que a simpatia dele pelo cristianismo é ainda mais obtusa do que a do carola mais fervoroso. Bem que Deleuze diz que o marxismo é muito cristão, mas Zizek não precisava ser um exemplo tão caricato disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não falei do mais chocante. Podem até achar que é golpe baixo falar de stalinismo com um comunista, já que a maioria dos vermelhos insiste que Stalin não tem nada a ver com seus sonhos, e que um comunismo muitas vezes melhor do que o de Stalin é totalmente viável. Eu acho ingênuo ficar torcendo para que um ditador seja um bom camarada se existe a chance de que ele seja Stalin, mas tudo bem, não vamos entrar nisso agora. Zizek também afirmou não ser stalinista. No entanto, fez questão de separar radicalmente o totalitarismo de esquerda do totalitarismo de direita, Stalin e Hitler. Isto porque, mesmo no pior momento do Gulag, os prisioneiros políticos tinham que escrever felicitações a Stalin no dia de seu aniversário. De fato, não dá para imaginar os judeus no campo de concentração mandando parabéns para Hitler, e isso é uma diferença grande entre os dois regimes. Mas Zizek parece ter visto nisso um mínimo alento, uma chama de fé, um desejo de coesão social em que até os prisioneiros seriam "incluídos". É tão revoltante que eu temo ter entendido mal, se for erro meu, por favor me corrijam. Zizek pode até ter lido mais psicanálise do que eu, mas se tivesse lido direito, veria no Gulag um toque de perversidade de que nem mesmo Hitler era capaz. Não um diferencial positivo, por mínimo que fosse. É extremamente sádico fazer com que um homem destituído da liberdade física ainda tenha que ter sua subjetividade aniquilada dessa forma, obrigado a beijar a mão de quem o oprime. Só uma vontade extremada de ordem pode conceber tal requinte de sadismo e ainda achar que é bom. Não adianta nada acusar o capitalismo de dominar nossa subjetividade se o comunismo se mostra muito pior exatamente nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zizek até soltou um "sou stalinista" ao condenar o carnaval, mas, acho eu, dessa vez falou meio de brincadeira. Na questão das cartas a Stalin, já acho que ele quis enxergar um pequeno desconto para as ditaduras de esquerda. Na verdade, ouvi com tamanho sobressalto que não consegui acompanhar a explicação muito bem, mas temo que era isso mesmo. Confesso a dúvida, mesmo achando que minha hesitação surge porque isso não coaduna com a imagem que eu tenho de um comunista. Por mais que seja bem crítica a imagem que eu faço de um comunista, o que vi é muito pior do que eu pensava. Mesmo me parecendo um tanto insano o impulso que leva alguém a fechar os olhos para todos os erros, mais do que evidentes, do marxismo revolucionário, ainda quero acreditar que não é tão patológico assim, que a coisa não é sadismo puro, não é só sanguinolênca sublimada. Se alguém assistiu ao programa e entendeu de outra maneira, por favor se manifeste. Eu perdi o sono por causa disso, estou escrevendo às quatro da manhã. De qualquer modo, continuarei achando que o materialismo dialético não sobrevive à dialética primeira, aquela que testa os argumentos adversários até a aporia; mas, acreditem ou não, eu consigo aproveitar a parte boa das críticas marxistas, e prefiro não ver o Zizek de maneira tão monstruosa como me pareceu nesse caso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-6975169704004713858?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/6975169704004713858/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=6975169704004713858' title='12 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6975169704004713858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/6975169704004713858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/02/comentando-zizek-no-roda-viva.html' title='Sobre Zizek no Roda Viva'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SYhUMvvoHSI/AAAAAAAAAMs/k8KF794tDJI/s72-c/zizek.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-4404146801025055089</id><published>2009-01-26T12:11:00.012-02:00</published><updated>2010-08-31T14:31:09.120-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><title type='text'>Terra em trânsito</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SX3xU6acsnI/AAAAAAAAAMk/Lx2zQtEKvrg/s1600-h/grecia.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295654078437438066" src="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SX3xU6acsnI/AAAAAAAAAMk/Lx2zQtEKvrg/s400/grecia.jpg" style="cursor: pointer; display: block; height: 258px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci em 1980. Minha infância se deu no momento mais alienado do século, década de Xuxa, do auge da cultura kitsch, de ascenção do neoliberalismo e de desencanto geral pela política. Os anos 90 foram um pouco menos ingênuos, mas ainda tiveram um gosto parecido. Minha geração crescia convencida de que o mundo jamais iria mudar, portanto o melhor era ouvir seu CD preferido no último volume e esquecer o barulho da rua. O máximo de rebeldia possível era ouvir rock pesado, querer mais que isso era sonho inútil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só no finalzinho do século as coisas começam a esquentar. Se Nirvana e Pearl Jam haviam feito de Seattle uma referência underground, em 1999 milhares de manifestantes conseguiram levar sua filosofia para além dos viodeclipes. Gente de todo o planeta e de diferentes milícias se uniram em torno de um denominador comum, a anti-globalização. Um levante descentralizado, sem projeto fechado, sem líderes, sem partido, mas que sabia muito bem o que combater. É isso a micropolítica, resistência sem linhas duras e sem falsas ilusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais recentemente, vimos a eleição de um negro no país mais poderoso do planeta, que até então ostentava a fama de ser um dos mais conservadores. É possível que haja alguma relação de causa e efeito, que a organização (pulverizada, é claro) dos militantes de 1999 tenha conseguido influir na mentalidade do americano médio, tornando seu voto um pouco menos covarde. Claro que para quem, como aqueles manifestantes, percebe o tamanho do inimigo, ainda é pouco eleger um negro de nome árabe e idéias bonitas. O capital ainda está aí, a democracia ainda é limitada, a mídia ainda aliena mais do que informa. É pouco, mas é mudança. É significativo, no mínimo como símbolo, como algo que já está ressoando na cabeça das pessoas no mundo todo com muita mais potência do que as Xuxas locais e yuppies globais. O presidente é pop, assim como Nirvana ou Pearl Jam, mas são vetores que interferem nos rumos da História. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não menos interessantes que a eleição de Obama, me chamam a atenção os conflitos na Grécia. Anarquistas quebrando carros como vingança contra a polícia pelo assassinato de um garoto de 15 anos. A primeira lembrança é a violência, em 2005, com que os parisienses de sangue árabe trataram os carros da cidade. A diferença é que, na França, tal evento terminou na eleição de um candidato de direita, Sarkozy, exatamente porque o radicalismo gerou medo, e o candidato com discurso mais repressor obteve vantagem. A situação para os revoltosos terminou pior do que quando começou. Na Grécia, no entanto, é bem provável que se dê o contrário. Tão ou mais radicais do que os franceses, os anarquistas gregos conseguiram enfraquecer o atual governo, conservador. As pesquisas mostram uma guinada de um candidato socialista, visto como alguém que poderia, ao menos em parte, atender aos anseios dos revoltosos e melhorar o país. O eleitor comum não se intimidou com a destruição de carros nem com aquela gente ao mesmo tempo sonhadora e furiosa. Talvez porque, com a destruição de grandes lojas e lanchonetes, tenham conseguido ver com mais calma os templos dóricos, e lembrar em que tipo de ambiente a arte e a filosofia podem vicejar. Ou porque entendam que não se pode obedecer ao poder quando este se impõe brutalmente sobre a vida e a morte dos cidadãos. Além disso, a população pôde se nutrir de algumas palavras sobre biopolítica, quando estes, ao saquear supermercados, tiveram a gentileza de distribuir mantimentos. As pequenas lojas são poupadas, deixando claro que os inimigos são as grandes corporações, de acordo com a mentalidade que vimos em Seattle 99. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi na Grécia que surgiu a democracia, e não será lá que deixará de existir tão cedo. Assim como as lojas de bairro são poupadas, um presidente que consiga se preocupar com a gente comum não sofrerá retaliação pesada por parte dos sonhadores. Cada vez mais, os anarquistas admitem que sua intenção não é derrubar o sistema,  não é reconfigurar o poder a seu modo, mas mostrar alguma reação a quem tem culpa no desmazelo em que o mundo se encontra. Alguma resposta é preciso dar aos gananciosos que nos levam à atual crise, exploram os trabalhadores e impõem o &lt;i&gt;status quo&lt;/i&gt; com brutalidade. Boa parte dos revoltosos gregos são jovens altamente qualificados que não têm perspectiva de ganhar mais que 700 Euros - são chamados de Geração 700. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando para Obama, de quem a maioria gosta, e que não causa polêmica porque não envolve destruição. É ótimo ver Obama no poder, não sou esquerdista à moda antiga a ponto de achar que se não saímos da democracia, não temos nada a celebrar. Alguma mudança vai ocorrer, já está ocorrendo. No entanto, como poderíamos chegar a este momento de esperança generalizada, de felicidade quase apoteótica, se não tivéssemos, décadas atrás, os Panteras Negras combatendo o racismo americano de maneira violenta? Em 2008, Obama pode ter um discurso conciliador, mas só porque nos anos 60 os negros enfrentaram a polícia, causaram distúrbios em grandes cidades, saquearam lojas, de maneira semelhante ao que os gregos estão fazendo neste momento. Os bravos Panteras Negras possibilitaram a inserção dos negros na sociedade, sem a qual não teríamos o presidente no qual depositamos alguma esperança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente sendo muito tacanho para negar que a História esteja em pleno curso, que o mundo esteja realmente mudando. A democracia sob a internet tem uma dinâmica muito diferente da que se viu até então. Um ponto comum entre Seattle, Obama e o levante grego é que todos recorreram à internet para se organizar. Na internet, é possível driblar aquela opinião "Fox News", em que a mídia convence cada um de que o mundo deve ser sempre o mesmo. Hoje os vetores se tocam mais, os links se abrem uns nos outros - o radicalismo de uns pode culminar no discurso conciliatório de outros, mas estão conectados, não se diluem tão facilmente quanto se pensava, não se esgotam, permanecem em trânsito constante. Cada situação tem seus vetores em andamento, é preciso compreender localmente quais são, pensar em termos micropolíticos. Cada transformação tem sua velocidade. Não adianta pensar que quebrar carros é revolucionário em qualquer contexto, pois até na França, com toda a simpatia que aquele país tem por Maio de 68, o resultado foi desfavorável. No entanto, são muitas as direções para onde podemos olhar e perceber algo se movendo, linhas de fuga se desenhando, desde que aceitemos que as coisas não são tão estáticas quando chegamos uma vez a acreditar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-4404146801025055089?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/4404146801025055089/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=4404146801025055089' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4404146801025055089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4404146801025055089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/01/terra-em-trnsito.html' title='Terra em trânsito'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SX3xU6acsnI/AAAAAAAAAMk/Lx2zQtEKvrg/s72-c/grecia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-7811628090583929087</id><published>2009-01-13T11:16:00.000-02:00</published><updated>2009-01-13T14:38:44.872-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Telma</title><content type='html'>A Telma foi ótima, a ponto de me deixar mal acostumado. Me tirou do pântano emocional em que eu me afundava, no momento em que a lama já batia no nariz. Forte o bastante para me puxar para fora, quem mais poderia? Ela gostava de me morder a mão, a qualquer hora do dia me deixava sulcos avermelhados. Meu maior gesto de carinho era deixar ela imprimir essa marca na pele, e era bom, me ajudava a despertar. Alguns amigos a chamavam de Tiranossauro Rex por essa mania. Talvez também pela cabeça grande, que abriga um cérebro potentíssimo. Nietzsche, que adotei como pai, foi ela quem me apresentou. Estudou alemão só para ler o bigodudo no original, e o mais incrível é que revezava &lt;em&gt;Gott ist tot&lt;/em&gt; com bruxaria, desobedecendo tanto o Cristo quanto o Anticristo. Ela tinha poderes, eu vi de perto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentíamo-nos especiais juntos, o resto do mundo poderia se foder, nós nos entendíamos. Tínhamos nossa própria linguagem, criávamos nossas palavras, nossos jogos, nossa filosofia. Dois esculachados que, à beira da derrota, ainda insistiam, ainda queriam rir, e, entre altos e baixos, ao menos buscavam converter as mágoas em força. Ninguém vinha nos tratando bem, nem família nem amigos, muito menos o que podemos chamar de sociedade. É preciso admitir, a tragédia nos unia, aproximávamo-nos porque ameaçados. Nossas mãos estreitas uma na outra, mas o toque frio da escuridão nos antecipava. Fortalecíamo-nos juntos, precisávamos um do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não sei se eu soube ser tão bom para ela quanto ela para mim. Ela me salvou. Sem ela eu estava desmoronando, ela me salvou com seus beijos, seus seios, seu vampirismo, sua fé, seus alfinetes, seu feitiço, e, é claro, com um amor tão honesto que não sei se fruto de sabedoria ou de desespero, apenas que jamais tive semelhante. Nunca mais a mesma confiança, onde nosso melhor e nosso pior eram inconsúteis, onde até as mordidas eram carinho. Nossas palavras eram afiadas - podiam ter seu veneno, mas o sabor de fundo era doce, sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que tenho de Telma hoje são lembranças, além de uma ou outra foto. Espero que ela não se importe por eu contar, mas a foto não exponho: gosto muito de lembrar do que fizemos em nosso primeiro fim de semana na praia, com um apartamento todo só para nós. Bem mais novos, ainda não tínhamos intimidade com nossos corpos, sentíamo-nos inexperientes e cautelosos um com o outro. Eu havia entrado há pouco na faculdade de artes plásticas e, em parte porque os tímidos precisam de pequenos delírios, não resisti ao impulso criativo. Peguei uma caneta, comecei a rabiscar seu corpo. E conforme as linhas ganhavam espaço por seus braços e suas pernas, as peças de roupa foram ficando para trás. Eu desenhava pacientemente, adiando o momento de possuí-la, tentando surpreendê-la com um pouco de imaginação. As linhas contornavam seus seios, faziam volutas pelo umbigo, num movimento contínuo que de quando em quando emergia em uma figura (um sol, uma flor, uma espada, um rosto). Depois deixei que ela mesma me rabiscasse à vontade, e em pouco tempo estávamos os dois nus. O encontro dos nossos corpos foi uma continuação natural do jogo, que não foi tanto uma preliminar para aquela noite de amor em especial, mas uma preliminar para toda a entrega que teríamos por mais três anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou ingrato com quem me fez bem, quero mais que ela seja feliz com seu filho, com seu marido, com sua vida encaminhada. Estou certo de que terminamos quando chegou o momento de terminar, quando cada um tomou um rumo que divergia do outro. Tento não pensar muito nela, já faz tempo, me apaixonei outras vezes, conheci outros momentos intensos. Mas, quando tenho recaídas piegas e escrevo sobre amor, é, em boa parte, porque junto à Telma eu aprendi um amor que atende ao que entendo por verdadeiro. Podíamos ser nós mesmos, sem disputas de poder, sem dissimulações, e ainda assim, quase uma contraparte um do outro. Não estou certo de que viverei algo parecido novamente. Começo a sentir que meu maior erro tem sido buscar o mesmo em um outro tempo e com outras mulheres. Nem sequer por ter sido maravilhoso devo me prender às mesmas expectativas. O que me interessa agora é continuar aprendendo e desaprendendo até o fim dos meus dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-7811628090583929087?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/7811628090583929087/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=7811628090583929087' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7811628090583929087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7811628090583929087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2009/01/telma.html' title='Telma'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-4795383810892284703</id><published>2008-12-30T16:09:00.003-02:00</published><updated>2009-02-12T02:09:49.591-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fortuna Crítica'/><title type='text'>Os livros mais bacanas de 2008</title><content type='html'>O Edson Cruz, do &lt;a href="http://www.cronopios.com.br/site/lancamentos.asp?id=3728"&gt;Cronópios&lt;/a&gt;, perguntou para os colaboradores do site quais os três livros mais bacanas que a gente leu em 2008. Para quem não viu lá, deixo minha lista aqui:  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         &lt;strong&gt;Caixa Preta&lt;/strong&gt;, de Amós Oz. Porque este romance epistolar capta as oscilações entre amor e ódio em uma família dissolvida com uma sutileza impressionante.          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         &lt;strong&gt;The De-definition of art&lt;/strong&gt;, de Harold Rosenberg. Porque os ensaios deste inexorável crítico de arte, se fossem mais lembrados, teriam evitado o vazio teórico que assola as exposições contemporâneas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        &lt;strong&gt;O Herói Devolvido&lt;/strong&gt;, de Marcelo Mirisola. Porque Mirisola pode ser, e é, o escritor mais irritante de nosso tempo, mas transita da podridão para o sublime como poucos.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          * * *   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Demorou, mas chegou meu exemplar: só ontem pude ler uma resenha muito perspicaz do meu romance de 2007, por Edgar Smaniotto, na revista Scarium n. 22. "Será: ficção científica e filosofia" é, até agora, o texto que melhor captou o que eu quis transmitir no livro. Não sei dizer se é a melhor resenha, mesmo porque o romance pertence ao mundo e é ótimo ver comentários sobre coisas que eu sequer pensei. Mas essa é a que captou o livro da maneira mais próxima do que eu planejava comunicar. Quem quiser conferir, pode encomendar &lt;a href="http://www.scarium.com.br/vintedois/"&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         * * *   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Por hoje é só, até 2009!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-4795383810892284703?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/4795383810892284703/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=4795383810892284703' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4795383810892284703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4795383810892284703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2008/12/os-livros-mais-bacanas-de-2008.html' title='Os livros mais bacanas de 2008'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-1529631379930870887</id><published>2008-12-18T14:15:00.002-02:00</published><updated>2010-08-31T14:21:17.160-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Equilíbrio triangular</title><content type='html'>“Vicky Cristina Barcelona” está longe de ser meu filme favorito do Woody Allen. Ainda assim, é o que mais me fez pensar na minha própria vida. Este foi um ano em que minhas buscas por amor receberam tantas tergiversações como resposta, que me vi obrigado a ir fundo em pelo menos três grandes questionamentos. 1- se eu sou bom na tarefa quase impossível (amor); 2- se é verdade que as mulheres têm mais sabedoria do que os homens nesse assunto; e 3 - como não poderia deixar de ser, se a monogamia interessa. Três questões, e o número três me obceca quando tento formular resposta a qualquer dos itens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No filme do nosso amigo judeu, o amor gira sempre em triângulo. O pintor Juan Antonio aborda as gringas Vicky e Cristina, propondo, logo ao conhecê-las, uma viagem de fim-de-semana que terminasse em &lt;i&gt;ménage a trois&lt;/i&gt;. Vicky acha o espanhol abusado demais, mas sua amiga Cristina se encanta exatamente pela franqueza de Juan Antonio, pela sua falta de dissimulação. A maioria dos homens é tão hipócrita que a leva a considerar a nudez das intenções mais sensual e honesta do que os disfarces sofisticados. Pensando agora na Cristina, acho que não é só porque foi interpretada por Scarlett Johansson, mas é bem o tipo de mulher que eu sempre procuro. Que possa ser aventureira, sexy, criativa e manter um mínimo de amor próprio. Por sua vez, Vicky é linda, simpática, inteligente, mas é muito certinha, e mesmo sendo agradável por algum tempo, se tornaria cansativa em um namoro longo. Juan Antonio acaba ficando com as duas, mas uma de cada vez e sem que a outra saiba. Vicky cede aos poucos, se rende em segredo ao espanhol, pouco antes de se casar com seu insosso noivo americano. Quanto a Cristina, deixa-se levar por Juan Antonio a ponto de morarem juntos em Barcelona. Os dias transcorrem suaves para o casal, já sem Vicky na equação, e, não fosse um novo elemento, poderíamos pensar que se completavam a dois. No entanto, logo entra em cena Maria Elena (uma das melhores atuações de Penélope Cruz). Ex-mulher de Juan Antonio, de quem ele costumava falar com franca nostalgia, reaparece em sua casa após uma tentativa de suicídio. Juan Antonio não pode negar ajuda a ela, que tem nele um dos únicos pontos de apoio para não enlouquecer. Cristina aceita a nova inquilina, e não demora muito para que a dinâmica tensa de duas mulheres e um homem se desdobre em triângulo amoroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme deixa para o espectador decidir, mas fica a dúvida se os relacionamentos a dois, tanto o de Vicky com seu marido, quanto o de Cristina com Juan Antonio, poderiam ser satisfatórios se o acaso não trouxesse um terceiro. Vicky teve apenas uma noite com Juan Antonio, porém meses depois, casada, segue tão obcecada por ele que nos perguntamos se não era desde o início fantasiosa sua convicção a respeito do casamento. O outro triângulo é ainda mais complicado: a grande paixão de Juan Antonio sempre seria a ex-mulher, Maria Elena, apesar da violência com que se relacionam. O amor em sua intensidade máxima pode ser fatal – haviam se separado porque Juan Antonio fora esfaqueado pela mulher que amava. Cristina é mais dócil, a tal ponto que com ela na relação, é estabelecido o equilíbrio que faltava entre Juan Antonio e Maria Elena. Os ângulos oblíquos do triângulo suavizam a selvageria da relação frente a frente dos espanhóis. A três, alcançam uma serenidade inédita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da arte para a vida, essa situação me fez pensar nas minhas últimas relações. Recentemente, vivi um triângulo amoroso semi-platônico com duas mulheres lindas, Aline e Lívia... Não posso entregar tudo o que aconteceu no “semi”, mas sei que, enquanto éramos dois, simplesmente não fluía. Saí com a Aline e ficamos juntos uma vez, mas, por intensos que fossem os desejos mútuos, um estranho campo magnético tornava impossível qualquer relação frontal. As tergiversações dela tinham como refrão a temporalidade dos encontros, uma fusão completa que não poderia ser precipitada. Até hoje não entendi muito bem essa conversa, ainda mais vinda de alguém que não se diz reprimida, mas não foi à toa que os jogos de sedução, tanto os meus quanto os dela, começaram a incluir a Lívia. Aline dizendo que nós três éramos como os Sonhadores de Bertolucci; Lívia me convidando, meio a sério, meio brincando, para agarrarmos a Aline; e eu, antes mesmo de ver o filme do Woody Allen, já sentia que seria mais fácil lidar com essas garotas em trio do que como casal. A própria Aline, sendo uma boa psicanalista, entendeu quando eu disse que seria mais harmoniosa uma relação a três do que só eu e ela. Um triângulo semiplatônico não é necessariamente o que planejávamos, mas o que pôde acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, relações em triângulo não são duradouras, em algum momento um dos lados espana. Para mim, o mais perturbador disso tudo é que eu já não sei com que tipo de mulher eu poderia ter uma relação de igual para igual, intensa e que durasse mais do que um mês. Dificilmente ultrapasso a barreira de um mês – que também é o tempo que Juan Antonio teria conseguido ficar com a certinha Vicky sem se desentenderem. De toda a História do Cinema, com nenhum personagem me identifico tanto, ao menos nesta fase da minha vida, do que com Juan Antonio – mesmo que eu não seja bonitão como Javier Bardem. A comparação fica mais clara quando eu penso no que aconteceu na minha última tentativa séria de monogamia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que foi com a Joana, de quem eu falei um pouco, tempos atrás. Passados alguns meses, entendo melhor porque a gente não deu certo. O que eu procurei nela é algo semelhante ao que se vê na Cristina: a Joana é bonita, charmosa, inteligente e tem um senso estético apurado – que nem mesmo a Escola de Frankfurt estragou. Ao menos nos três primeiros meses, a gente tinha uma sintonia muito boa, como poucas vezes me aconteceu. Mas, deve ser uma dessas coisas do inconsciente, eu mal percebia que eu esboçava uma outra aresta, que por fiel que eu tentasse ser, fantasiava um triângulo. Eu negaria até a morte que a intenção fosse essa, mas depois da experiência que eu tive com a Aline, e depois de ver o filme de Woody Allen, posso rever a dinâmica que se armou. Em março desse ano, Joana estava procurando onde morar, e uma amiga minha, Ericats, procurava alguém para dividir um apê que ela encontrou na Rua Augusta. Eu apresentei uma à outra, e na mesma semana elas correram para a imobiliária. Eu só esqueci de contar à minha namorada que já havia ficado com a Ericats, alguns anos atrás. Não quis contar porque para mim a Ericats era muito mais uma amiga do que uma ex – o que tivemos foi bem passageiro e permaneceu a amizade, assim é que eu vejo. A Joana foi desconfiando aos poucos (ela é esperta, não é toda mulher que perceberia), até que um dia ela me perguntou e eu tive que confirmar. A essa altura, ela já estava me odiando como nenhuma outra mulher me odiou. Mais pelo fato de eu ter omitido do que outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual o começo e qual é o final, eu nunca vou saber ao certo... Sei que nossa relação se tornou insuportável como a de Juan Antonio e Maria Elena. Admito que eu cometi um deslize, até acho que muitas mulheres, no lugar dela, teriam me largado, mas não sei se nosso último mês e nossa pós-separação precisavam de demonstrações tão dramáticas de ódio. O homem sempre leva a culpa, não é? Não que eu seja bonzinho, porém fui escorraçado pela Joana pior do que por mulheres com quem realmente aprontei. No começo do filme de Allen, o boato corria como se o pintor houvesse esfaqueado sua ex-mulher, só depois se constatou que havia sido o oposto. Pior: mesmo tendo sentido a faca na pele, logo mais ele lhe daria abrigo, não recuando nem mesmo sob risco de vida. Se eu acabei fazendo aqui algo que eu evito fazer em público, uma picuinha com ex-namorada, é porque o assunto não é o pé na bunda. É que eu teria arriscado minha vida pela Joana. Ela sabe que isso é literal, eu me dispus a tanto. Se a Joana deixasse, eu teria lutado por ela numa situação específica em que minha pele estaria sob alto risco. Hoje em dia, quase ninguém morre em nome do amor ou da justiça, acho que o gesto seria tão bonito quanto escrever meus livros. Não me parece muito pesada a morte que tenha algum heroísmo. Talvez seja mais leve do que a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com todas as dificuldades e algumas cicatrizes, sigo vivo, escolhendo meus novos riscos. Quando tento tirar uma lição disso tudo, me pergunto se meu problema não tem sido justamente buscar relações muito frontais – quero dizer, olho no olho, 180º, nenhum dos dois se passando por Outro, nudez nas intenções. Talvez esse tipo de amor seja mesmo insuportável, e somente suicidas como eu e a Joana – ou como Juan Antonio e Maria Elena – de fato tentam realizar. A maioria das pessoas faz mesmo como Vicky: sonha com a paixão mais intensa, mas no fundo sabe que é perigosa, e quando encosta no fogo, recua, conformando-se com relações mais mornas, mais seguras. O amor é idealizado em nossa cultura através de milhares de cineastas que não compreendem um décimo do que Woody Allen compreende, mas pouquíssimas pessoas vão até o fim em seus sonhos românticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A geometria que a imensa maioria das pessoas vive tem o sublime no topo, aliviando os ângulos. Não é preciso uma terceira pessoa, muito menos que o &lt;i&gt;ménage a trois &lt;/i&gt;se consuma, para formar triângulo – basta um sonho. Durante séculos, o amor a Deus foi a principal aresta a proporcionar uma distância segura aos amantes mundanos. Por volta do século XII, temos o surgimento do amor cortês, marcado justamente por uma temporalidade cautelosa e por uma série de etiquetas que ao mesmo tempo aproxima e afasta os amantes. A Aline, por exemplo, bem que tentou comigo uma relação semelhante à do amor cortês, onde a poesia suavizasse as arestas, onde se criassem muitas fantasias antes de olhar direto nos olhos. No fundo, fui eu que não soube brincar. Talvez seja uma das minhas maiores contradições. Defendo o ilusionismo na arte, mas em matéria de amor sou muito literal. Tanto que tivemos que convocar a Lívia para abrir o ângulo sem recorrer ao sublime, e assim continuamos com alguns jogos de sedução. O julgamento mais rápido me condena, porém até mesmo Vicky mudou de opinião sobre o artista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei por tamanha série de desilusões ao longo da vida que tenho mesmo dificuldade para fantasiar meus encontros. No entanto, repasso pela memória diversos namoros em que essa frontalidade adquiria toda sua potência romântica – em especial Telma, que cuidou de mim quando eu estive a ponto de me matar, e Lila, anarquista com quem tive alguns dos momentos mais intensos de minha vida, ainda que breves. Todas as tensões que tivemos não impediu que fossem duas das relações mais deliciosas que eu poderia ter, justamente porque nos apresentávamos sem disfarces, gostando e sendo gostados pelo que somos. Reconheço, no entanto, que eu estava tomado por pulsão de morte, minha vontade de morrer era enorme e eu não estava nada cauteloso comigo mesmo. Talvez seja preciso abandonar toda cautela para se relacionar com sinceridade, eis porque a maioria apenas sonha. Mesmo no caso da Joana, eu me apaixonei por ela a ponto de flertar com a morte. Joana me apareceu em um momento de transição, onde eu apenas começo a me livrar da pulsão de morte - coisa que venho conseguindo em boa parte graças à escrita, à leitura, à arte em geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novas movimentações, cansado de pensar em morte: se eu coloquei a Joana para morar com Ericats, talvez fosse para armar triângulo, nem que fosse semi-platônico, sair da frontalidade total. Ninguém jamais me olhou tão fundo nos olhos quanto Joana, e eu a amava por isso, mas começava a sentir o quanto um amor assim é insustentável. Eu precisava girar os olhos ao menos alguns graus, assim como Juan Antonio e Maria Elena precisavam de um terceiro para não se agredirem. Cristina apaziguava, promovia distensão para o ódio ancestral dos amantes de sangue latino. Em certos momentos, Joana parecia ainda mais disposta que eu à intensidade a dois. Ela buscava uma frontalidade perigosamente sincera, embora não duvidasse da harmonia de um amor hollywoodiano. Não que ela fosse ingênua nessa combinação, eu mesmo já fui muito parecido, e é quase inevitável para quem oscila entre a entrega suicida e a renúncia aos instintos mórbidos. Como Joana D’Arc, ela não teme a fogueira, vai à guerra como um homem, mas tem fé (se não em Deus, no sublime). Não sei como ela imagina que serão seus próximos namoros, mas acho que despertei seu lado mais forte, mais fatal – mais interessante, é difícil negar. Cada um que conte a história com suas palavras, mas creio que não fiz mais do que suportar a sinceridade que ela desferia, mais até do que eu, tal como Juan Antonio cometia a improbidade de permanecer apaixonado apesar dos golpes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma conclusão? Não digo que a monogamia seja impossível, já conheci casais que pareciam felizes após décadas juntos. É pouco provável, no entanto, que nesses casos, os olhares não sofram desvios. Quando não houver simples estrabismo ou miopia, simples recusa a enxergar o outro como ele é, pode ser que um olhe para o outro de cima para baixo; ou que os amigos e parentes participem da relação tanto quanto os cônjuges; ou que um ideal se imponha como aresta (Deus ou uma utopia, por exemplo). Impossível é a frontalidade permanente, a não ser que ódio visceral e tremor de facas entrem na dinâmica. Isto posto, começo a entender porque as mulheres fazem tantos rodeios. Eu sempre detestei as tergiversações, as mil negociações com seu próprio desejo, o famigerado cu doce. Continuo não gostando, mas começo a pensar nisso como gesto preventivo contra os perigos dos 180 graus. Os rodeios vão tornando o olhar oblíquo, vão impondo fantasias e impedindo a comunicação demasiado franca. Vicky passou por vários dilemas morais, mas nenhum deles foi o de contar para o marido que dormiu com um amante espanhol. A verdade não a atormenta, mesmo porque sua relação com o marido tem uma distância segura, onde a sinceridade é dispensável – o que a obstina não é a verdade, é o sonho. Por outro lado, se ela fosse mais parecida comigo (ou com Juan Antonio, ou com Maria Elena), e tentasse unir sonho e verdade, cedo ou tarde ficaria cansada dos conflitos que isso gera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo a arte é uma aresta firme a ponto de garantir um fluxo menos agonístico – os dois espanhóis viviam em torno da pintura, mesmo assim, não sublimavam os conflitos. Minha dificuldade para imaginar um final feliz no amor, ao menos na minha vida particular, é a mesma que transparece no filme de Woody Allen. Pode ser que alguém me surpreenda, ou que eu me reinvente, mas o que aprendi para o sexo fortuito não sei para o amor – em que ângulos seria mais prazeroso me posicionar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-1529631379930870887?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/1529631379930870887/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=1529631379930870887' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1529631379930870887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1529631379930870887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2008/12/equilbrio-triangular.html' title='Equilíbrio triangular'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-235975910558962441</id><published>2008-12-11T13:48:00.001-02:00</published><updated>2009-08-09T23:08:17.646-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Puro enquanto'/><title type='text'>Imagens de Puro Enquanto</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SUFVj1lE-HI/AAAAAAAAAMM/kn_cc1VOsvo/s1600-h/Floresta+cor.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 297px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SUFVj1lE-HI/AAAAAAAAAMM/kn_cc1VOsvo/s400/Floresta+cor.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278594312421308530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Meu próximo romance, "Puro enquanto", já está na editora há algum tempo. Agora é com o pessoal da Annablume, não sei quanto eles levam para resolver a papelada e mandar para a gráfica... Eu queria lançar ainda este ano, mas no momento, o máximo que posso fazer é mostrar algumas imagens para vocês. Estão no meu novíssimo Flickr, é só &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/ivan_hegenberg/"&gt;clicar&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os títulos das pinturas se referem sempre a um trecho do livro. É um bom jeito de obrigar os malditos especialistas a considerarem o contexto que eu estou criando, em vez do contexto deprimente da arte contemporânea, onde a pintura está sempre à beira da morte. Não tenho problemas em admitir que escrevo melhor do que pinto, por outro lado, a tabelinha que estou fazendo entre minha pintura e minhas palavras é afinada o bastante para resolver certos impasses da arte contemporânea. Há muitos pintores melhores do que eu, mas os detratores são tão obstinados que nem mesmo a reencarnação de Miró bastaria para tirar a pintura do mal-estar em que se encontra no atual panorama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SUFUXVMpvLI/AAAAAAAAAME/oqWheuSUhcc/s1600-h/meianoitequarto.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 250px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SUFUXVMpvLI/AAAAAAAAAME/oqWheuSUhcc/s400/meianoitequarto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278592998058867890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quase desisti das artes plásticas, não escondo que me sinto melhor entre escritores do que entre artistas visuais. Felizmente ou infelizmente, entendi que não poderia fugir da briga: ao escrever "Puro enquanto", ficou claro que o livro não funcionaria se eu empregasse apenas a linguagem verbal. O próprio ritmo do livro pedia por algumas interrupções no fluxo de pensamento, intervalos significativos, que só as imagens poderiam criar. Terminado o livro, vi que, tanto quanto meus artigos mais "militantes", ele é uma ótima prova de que a pintura ainda é necessária, impossível de se substituir. Não é imodéstia dizer que emprego as palavras com muito mais radicalidade do que os artistas conceituais, e em "Puro enquanto" isto fica tão evidente quanto o corolário: a linguagem verbal e a linguagem não-verbal se complementam, não podendo uma eclipsar a outra. Mesmo que se vá ao limite da fala ou da escrita, ainda há uma sede pela imagem que a arte  conceitual jamais poderá aplacar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-235975910558962441?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/235975910558962441/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=235975910558962441' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/235975910558962441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/235975910558962441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2008/12/imagens-de-puro-enquanto.html' title='Imagens de Puro Enquanto'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SUFVj1lE-HI/AAAAAAAAAMM/kn_cc1VOsvo/s72-c/Floresta+cor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-1138479531646793236</id><published>2008-11-24T09:53:00.000-02:00</published><updated>2008-11-24T10:00:38.519-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Enfrentando o vazio</title><content type='html'>O vazio da Bienal, podemos dizer, é o vazio do interior de uma bolha. Uma bolha que se agigantou no afã de abarcar tudo, de se infiltrar em todo tipo de ação humana. Da mesma maneira que o mercado financeiro entrou em crise pelos excessos neoliberais, a bolha na arte se mostra prestes a estourar devido a um semelhante laissez-faire. Já temos sinais de que uma crise vá influir na outra, de que os preços dos leilões de arte se tornarão mais modestos, e que os colecionadores pensarão melhor antes de patrocinar qualquer capricho. Porém, se refletirmos apenas sobre os aspectos econômicos, a arte continuará a ser mero jogo da elite, flutuando de acordo com a demanda.  A tal ponto o problema é complicado que ainda parece incerto se a intenção de Rafael Augustaitiz, ex-estudante de arte que invadiu o pavilhão com quarenta pichadores, seria o de pertencer ao interior da bolha, ou se ele já procura perfurar a membrana e forçar a explosão. Desde os anos 60, quem queira entrar para o alto circuito de arte dificilmente se arrisca a pintar uma tela, podendo ser mais vantajoso, até mesmo financeiramente, realizar uma ação radical do que batalhar com as tintas. A principal diferença entre a arte moderna e a arte que se designa pós-moderna é que a segunda tende a se restringir ao campo expandido, desprezando o campo metafórico que as cores propiciam em uma tela. Até mesmo uma pintura abstrata é considerada ilusória demais para o pensamento que hoje domina, pois as cores criam tensões e variações de profundidade que vão além da mera materialidade. A ilusão passou a ser considerada reacionária, algo que merece ser destruído – assim como se deve destruir qualquer fronteira entre o espaço da vida e o da arte. Explica-se assim o por que de não haver uma única pintura nessa edição da Bienal, onde a destruição da arte acontece mesmo sem a intervenção de pichadores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SSqWrbM-ORI/AAAAAAAAALM/NJ0y5Bsy7o0/s1600-h/bienal+vazio.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SSqWrbM-ORI/AAAAAAAAALM/NJ0y5Bsy7o0/s400/bienal+vazio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5272191986571294994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ironicamente, se a pintura não pode mais ser arte, qualquer anúncio de que não é arte nada do que costumamos chamar de arte pode ser considerado uma obra avançada. É o que vemos, por exemplo, em uma instalação onde falsificações de dezenas de obras consagradas se amontoam ao lado de seus pedidos por escrito, sugerindo que seja falso até mesmo o desejo de se ver uma pintura significativa. É na constante frustração de desejos como esse que muitos dos artistas selecionados se engajam. Ao lado dessa beligerante instalação, vemos um enorme painel com o livro “O estrangeiro”, de Camus, onde todas suas palavras são recortadas e dispostas em ordem alfabética. Em entrevista, a artista diz ter escolhido o livro por apreciá-lo, mas não é difícil perceber o quanto há de inveja nessa dissecação e ordenação – na aniquilação ou controle de uma fruição que seria bem mais potente com o livro em sua integridade. Em vez de um livro dilacerante, temos um livro dilacerado, muito aquém do que poderia provocar no leitor.&lt;br /&gt;Do outro lado do pavilhão – começamos pelo último andar da exposição – temos duas das poucas obras que apostam na ilusão. O vídeo de Eija Liisa-Ahtila, que aborda a loucura com uma estranha suavidade, e as instigantes gravuras de Leya Mira Brander, cujo discurso sustenta um otimismo em relação à imagem que quase não se ouve mais. Para quem compreende que obras como essas, ainda que não se valham do mesmo poder retórico, são mais complexas do que a produção tipicamente contemporânea, a proposta de “morte da arte” só pode soar rancorosa. A diplomacia costuma reinar tanto na disposição do espaço quanto nas conversas de vernissage, porém por trás das aparências a briga é feia: os pós-modernos insistem no boicote ao espaço ilusório, ao passo que, contra a corrente, alguns poucos conseguem demonstrar que isso não é possível nem vantajoso. O caráter panorâmico de toda grande coletiva faz com que coabitem o mesmo espaço rivais que se ameaçam de morte. Vazio é quem acredita que esse conflito não acarreta abalos ainda maiores. Nesse contexto, o ataque de Rafael e seu grupo Pixação, consideremo-nos artistas ou vândalos, demonstram muito claramente a tensão que está em jogo. &lt;br /&gt;Desçamos do andar superior para o primeiro piso. Caminhando pela arquitetura modernista de Niemeyer, avistamos o vazio e prosseguimos. Vamos nos lembrando que, desde o urinol de Duchamp, qualquer objeto, situação, informação ou sugestão que se insira em um espaço artístico, pode ser considerado arte. Seja um cachorro doente, seja um aperto de mão, seja um anúncio publicitário, uma aula de geopolítica ou a oferta de um copo d’água. É importante esclarecer que, na maior parte das vezes pueris, esses procedimentos não fazem jus ao legado de Duchamp. O artista francês disse com todas as letras que deveria restringir esses deslocamentos a um número muito reduzido –  não tendo ele realizado mais do que vinte ao longo de décadas – pois do contrário perderiam o sentido. Desrespeitando o próprio inventor do jogo, muitos dos artistas selecionados levam o truque ao extremo – não é tão difícil uma vez que se aprende – com conseqüências as mais elitistas. &lt;br /&gt;Há jornalistas cobrindo a Bienal, parte deles contratados para publicação interna. No entanto, há artistas fazendo o mesmo trabalho, sendo o único diferencial o status de sua profissão. A cobertura dos artistas poderia ter a mesma qualidade, o mesmo conteúdo e o mesmo foco que o trabalho dos jornalistas – não é o que vai impresso que os diferencia, assim como a caixa de sabão em pó de Andy Warhol era idêntica à das estantes dos supermercados. O Brillo Box de Warhol exauria-se em si mesmo, mas o procedimento não mudou tanto dos anos 60 para cá. Próxima às catracas da entrada, avistamos uma antiga prensa, trabalhando ruidosamente. A máquina é bonita, antiga, mas não é ela a obra. A proposta do artista é recolher perguntas e respostas de qualquer assunto levantado pelos visitantes e reunir em livretos que são distribuídos aos participantes. Basta ler algumas linhas para se perceber que não há qualquer avanço em relação à Wikipedia. Na verdade, há um recuo, pois a Wikipedia é mais dinâmica, tem acesso mais amplo e não faz de seu idealizador um novo “artista”. A prensa da instalação, por antiga que seja, funciona bem, é o pensamento que está obsoleto: uma obra espaçosa demais, que não reconhece as possibilidades de nosso tempo. &lt;br /&gt;À lógica do deslocamento se alia a um discurso que prega o fim de qualquer separação entre vida e arte – seria essa a proclamada “morte da arte”. Em vez de se produzir campos ilusionistas, passar-se-ia a olhar para a vida como se essa fosse uma obra artística. É por isso que um pichador com quatro anos de estudos na Faculdade de Belas Artes sente que sua transgressão deveria ser reconhecida pelos críticos e historiadores como obra de vanguarda. Se de fato não houver a menor distância entre espaços da vida e da arte, teremos que reconhecer que a ousadia de Rafael pode ser admirada com maior profundidade do que admiraríamos uma tela de Matisse. A mentalidade pós-moderna entende que uma pintura é apenas um objeto plano preenchido com tinta, podendo ser mais honroso para um artista subir e descer de um banquinho em uma performance assumidamente narcisista do que criar um objeto. Sendo assim, como dizer que os movimentos dos pichadores invadindo o prédio, dominando os muros e se desviando da polícia em rota de fuga não tenham sido um balé a se apreciar esteticamente? Por que Vito Acconci sim e Rafael Augustaitiz não? Apenas por que Rafael é contra a lei? Se contarmos com esse argumento, a censura determinará o que é arte muito antes de qualquer reflexão. Melhor seria questionar se a arte tem mesmo se aproximado da realidade, ou se a figura do artista não tem sido a de um demagogo com privilégios especiais. Há pessoas que não precisaram de muito mais que visitar algumas ONGs em São Paulo e anotar o trajeto em um mapa da cidade para participarem oficialmente da Bienal. O que elas fizeram que as tornam exemplos tão mais destacados do que os funcionários dessas mesmas ONGs, que não serão considerados artistas?&lt;br /&gt;Dentro do paradigma que se formou na arte contemporânea, o pior assistente social pode, desde que capte o tom do discurso e aperte as mãos certas, ser considerado um artista de respeito. Também um militante mais subversivo, que enfrente o sistema e desafie a polícia, pode, se souber imitar a pose certa, ser aclamado como artista radical. O mesmo vale para jornalistas, cozinheiros, decoradores, etc. Um dos muitos problemas que esse paradigma gera é que jamais temos uma verdadeira fusão entre arte e vida, a despeito do que se proclama. Um crítico importante porém pouco lembrado, Harold Rosenberg, cansou de demonstrar que não é possível a fusão com a vida em qualquer contexto de arte. Nesses casos, o que se passa é sempre deslocamento, jamais integração. Para Rosenberg, os estudantes da Sorbonne de 68 uniram vida e arte, fizeram da política uma dança, mas somente porque a tessitura era a da vida. Estavam do lado de fora da bolha. Ele considera também que é pouco provável que se possa ser libertário na vida sem qualquer repertório de arte ilusionista, com a imaginação sempre presa à realidade, limitada à concretude. Tendo em vista um cenário amplo, só temos a lamentar que a arte venha cooptando manifestações marginais que pouco dizem respeito a suas particularidades. Tanto a arte como a vida perdem, pois ambas se artificializam: o rótulo se fazendo valer mais do que seu caráter. &lt;br /&gt;Duchamp estava certo ao considerar que os deslocamentos deveriam ser limitados. Hugo Ball, fundador do dadaísmo, também entendia que “transformar o dadá em uma tendência artística é problema na certa.” Guy Debord percebeu que teria de abandonar o status de artista para atingir a realidade em cheio. Lygia Clark, preocupando-se mais com a cura do que com a performance, deixou de querer ser vista como artista ao se aprofundar na psicanálise. Aqueles que buscaram ir até o limite da equação arte-vida perceberam que há uma linha a partir da qual uma ação já não deve mais ser considerada arte. Não porque seja menos interessante do que arte, mas porque seria falseamento vê-la como tal. Essa linha não é rígida, nem facilmente visível, é como a superfície de uma bolha. Fazendo-a, inchar, cedo ou tarde ela explode. Não há como levar o mundo todo para seu interior. Nem há motivos para isso, pois há coisas que se tornam mais pungentes quando em outras esferas. O que não se pode é tomar uma bolha, devido ao formato esférico, pelo planeta, pois a arte não é maior que a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-1138479531646793236?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/1138479531646793236/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=1138479531646793236' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1138479531646793236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/1138479531646793236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2008/11/enfrentando-o-vazio.html' title='Enfrentando o vazio'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SSqWrbM-ORI/AAAAAAAAALM/NJ0y5Bsy7o0/s72-c/bienal+vazio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-527869515330266241</id><published>2008-10-20T23:30:00.001-02:00</published><updated>2009-08-09T23:09:41.150-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Puro enquanto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fortuna Crítica'/><title type='text'>Entre o agora e o nunca</title><content type='html'>&lt;em&gt;Prefácio de Puro Enquanto, por Yudith Rosenbaum.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ocorre durante o estado de coma de alguém que tentou se matar ao saber que foi traído? &lt;br /&gt;É em torno desse núcleo, construído entre a vigília e o devaneio, que se organiza a trama de Puro Enquanto. O tema da traição, de tão longa tradição na literatura, ganha aqui um tratamento singular, visto pela perspectiva madura de um jovem autor, interessado em devassar o submundo das paixões, descortinar a nebulosa das convenções sociais, revelar – com uma linguagem cristalina e potente- o que se esconde sob o verniz da hipocrisia social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isso, Hegenberg  não poupa o leitor e o convoca a uma jornada multifocal: o sono acordado do protagonista é o plano onde se entrecruzam um narrador em terceira pessoa, que cede sua voz ao discurso indireto livre da personagem, marcando uma oscilação constante entre quem vive e quem conta. Ora o sujeito em coma é visto de fora (talvez por ele mesmo, travestido em narrador onisciente), ora por dentro, trazendo ao vivo sua mistura de  sensações antagônicas, fantasmas, visões, insights.&lt;br /&gt;Essa trama de vozes acaba por revelar um protagonista ressentido, fracassado, algumas vezes paranóico, agoniado de amor e ódio contidos. Dividido entre a paixão pela infiel Larissa e a amizade apaziguadora de Michele, ele relembra e funde cenas infantis e atuais, compondo um retrato  duro e desencantado da vida urbana contemporânea, tocada por uma sensibilidade singular: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O bípede-homem passou o dia inteiro andando, agora precisa dormir. Desde que o sol se levantou até depois do início da noite, nada mais fez do que trabalhar e caminhar - por todas as ruas, pelos shoppings, comprando coisas, pagando contas, resolvendo problemas. Essa inepta matéria viva em forma de gente abusou das pernas, precisa do repouso, e por isso se aninha, encolhe os membros, para que a realidade externa se desacelere e permita um pouco da dulcíssima magia do sono. Sabedoria atávica do sono. A energia recomposta se aconchega como um segundo cobertor, e ele suspira, feliz como um gato ronronando.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se vê, não há apenas crueldade nesse narrador rejeitado pela volúvel Larissa, assediado por uma mãe lasciva (o aspecto incestuoso do romance é explícito) e um pai a quem dedica a sede de vingança. Também de indulgência e poeticidade se faz o olhar desse personagem, tão bem construído por Hegenberg. Aliás, a prosa tende ao poético a tal ponto que as frases discursivas vão perdendo referencialidade para assumirem a poesia como fundo primordial da narrativa: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fogos de artifício são gritos coloridos para a cidade inteira ouvir &lt;br /&gt;Uivos de lobos se harmonizam com a celebração &lt;br /&gt;Os raios que rasgam ao vento são como veias mostrando que &lt;br /&gt;mesmo no invisível circula sangue &lt;br /&gt;O mar incrivelmente dourado &lt;br /&gt;sereno como o mais límpido céu&lt;br /&gt;O céu turbulento treme&lt;br /&gt;como ondas marítimas em dia de fúria&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relato se compõe, também, em diálogo com a linguagem plástica  - são pinturas do artista/escritor, entremeadas ao longo do enredo. Da abstração ao figurativo, as telas acompanham o emergir do sono à vigília. Palavra e imagem buscam espaço num mundo corrompido e ameaçador, onde o sujeito se encapsula para sobreviver. Na contramão de uma suposta ordem regrada da vida, violência e erotismo (mais fantasiados do que atuados) desagregam a face plácida das coisas. E para alertar-nos da atualidade desse universo fechado e sufocante, o texto se faz quase todo no presente do indicativo, “puro enquanto” de um tempo absoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prosa urbana de Hegenberg se mostra afiada, pulsante e promissora de um lugar forte na narrativa brasileira. Um romance para mostrar que Esta é a metrópole dos altos papelões enrugados. A noite jamais tem estrelas. Escuridão monocromática, apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Aguardem. Agora só falta diagramar e imprimir - o tempo é curto, mas vou tentar lançar ainda este ano.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-527869515330266241?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/527869515330266241/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=527869515330266241' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/527869515330266241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/527869515330266241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2008/10/entre-o-agora-e-o-nunca.html' title='Entre o agora e o nunca'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-5377475912366377011</id><published>2008-10-11T15:13:00.001-03:00</published><updated>2010-08-31T12:57:27.876-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><title type='text'>Por uma arte mais potente</title><content type='html'>“Porque pensar é mais intenso” foi a resposta de Deleuze. Eu gostaria de fazer a mesma pergunta para os artistas conceituais, pois não creio que eles possam se valer da mesma saída. Para que a busca intelectual, se exige tanto esforço, se desfaz tantas ilusões e se nada garante que a filosofia nos torne mais felizes? Os melhores artistas não são necessariamente os mais cerebrais, apesar de hoje em dia prevalecer a crença de que a arte deva se reduzir ao conceito. Para Deleuze, a arte e a filosofia só interessam na medida que sejam acontecimentos, propiciando intensidades. O sexo é melhor quando praticado do que pensado, mas se for convertido em pensamento, que o seja com vivacidade. Talvez a intenção de Luísa Duarte tenha sido boa ao propor a exposição &lt;span style="font-style: italic;"&gt;É Claro Que Você Sabe Do Que Estou Falando? &lt;/span&gt;Ela notou que nossos jovens artistas estavam se esquecendo da sexualidade, e propôs o tema para estimulá-los. Não sei se a culpa é da curadora, que convidou algumas das maiores revelações dos últimos anos, mas eu saí da Galeria Vermelho com uma certa vergonha, achando que não se deve tratar o sexo com tanta falta de respeito. No início da era moderna, os artistas chocavam pela libertinagem. Hoje, nos impressionam por fazerem questão de ser brochantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No século XX, Freud abriu caminho para a revolução sexual, o que lhe garantiu posição de herói para a vanguarda artística. Em especial os surrealistas acompanhavam com avidez suas teorias. À sua maneira, eles reproduziam nas obras uma vitória contra a repressão semelhante à que o vienense obtinha com suas neuróticas. De arte moderna para pós-moderna, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;intelligentsia&lt;/span&gt; de hoje não lembra muito a boemia de outrora. Está mais parecida com a neurótica, sofrendo de paralisia, do que com os sensualistas da revolução surreal. Suas obras procuram ser impenetráveis, não seduzem, não flexionam, não permitem o prazer nem a entrega. Bem representativo é um vídeo do plano fechado de uma cabeça, mais meditativa do que excitada, que não interage com nada enquanto aguarda por uma esguichada de sêmen. A corrente se diz pós-moderna, mas talvez seja um platonismo mal-ajambrado: separação do corpo e da alma, privilegiando o intelecto; desprezo pela arte, vista como deturpação do mundo das Idéias; e a crença de que o filósofo poderia salvar a República. Com um platonismo tão fraco não há atualização possível, o caminho para “sair da caverna” passa sempre por um desencanto com o corpo. Outro vídeo poderia ter uma sutileza erótica notável, não fosse o mal uso da filosofia: o fôlego de dois parceiros sexuais percebido apenas pela maneira como partículas de pó são espalhadas pelo sopro. A corporeidade estaria nesse movimento resfolegante, que, no entanto, se faz com intervalos tão longos que podemos associá-los a uma partida de xadrez, mas não a movimentos de alcova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No teatro, no cinema e na literatura contemporâneos não encontramos os mesmos sinais de pudor ascético. Pelo contrário: Philip Roth, um dos maiores romancistas vivos, disse não ter muito respeito por escritor que não saiba falar de sexo; Lars Von Trier intercala filmes pornô com obras-primas como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dogville&lt;/span&gt;; e qualquer um que acompanhe o teatro dos Satyros nota que ainda se pode fazer do sexo uma provocação consistente. Talvez a falta de libido nas artes plásticas tenha alguma solução, mas é preciso que se comece a olhar para outras referências. Aqui e ali há quem apresente algo estimulante – um exemplo é &lt;a href="http://www.digitalgirly.com/"&gt;Natacha Merritt&lt;/a&gt;, que rompe a fronteira entre pornografia e grande arte nos mais lascivos auto-retratos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ala mais careta das artes plásticas associa sexualidade à indústria cultural, como se a única posição do sexo fosse a de mercadoria. Nossos artistas estão confundindo resistência com desistência, com um apego à derrota que chega a ser neurótico. É como se o sexo já não nos pertencesse, completamente anexado pela direita. Mal se pode enveredar por seus territórios, irremediavelmente perdidos para o inimigo... Mas de que adianta acusarem a pasteurização do sexo promovida pela mídia, se a alternativa que oferecem é um discurso da impotência? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SPQNps1TF1I/AAAAAAAAAIw/6XhgApFAJf0/s1600-h/foda.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256841675108718418" src="http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SPQNps1TF1I/AAAAAAAAAIw/6XhgApFAJf0/s400/foda.jpg" style="cursor: pointer; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;i&gt;Foda&lt;/i&gt;, de Lia Chaia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à questão inicial. Um artista conceitual, antes de se declarar artista, deveria considerar com inquietação: Por que pensar? Ainda mais ao falar de sexo – o intelectual se rende muito fácil à masturbação. Ao menos uma obra da exposição conseguiu me dar uma boa resposta. O título poderia ser menos óbvio – &lt;span style="font-style: italic;"&gt; Foda&lt;/span&gt; – no entanto, Lia Chaia mostrou uma proposição inteligente sem desprezo pelo sensorial. A partir de uma incursão à Rua Augusta, famosa pelos prostíbulos, ela criou uma composição com losangos, juntando espelhinhos contra um fundo vermelho. Os losangos se organizam concentricamente, ocupando boa parte da parede, estando o centro à altura da virilha do espectador. As formas vibram de maneira frenética, em jogo com o reflexo especular e com a cor quente, fazendo com que o olhar oscile para dentro e para fora da composição. Por mais cerebral que seja, dificilmente uma obra de arte se relaciona com a percepção de maneira mais íntima e intensa. A despeito de todo o recato reinante na pós-modernidade, não há bons motivos para achar que vida e arte não possam ser bons amantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-5377475912366377011?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/5377475912366377011/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=5377475912366377011' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/5377475912366377011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/5377475912366377011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2008/10/por-uma-arte-mais-potente.html' title='Por uma arte mais potente'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SPQNps1TF1I/AAAAAAAAAIw/6XhgApFAJf0/s72-c/foda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-2863395075971528734</id><published>2008-10-03T13:45:00.002-03:00</published><updated>2010-08-31T12:56:04.877-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Terrorismo poético'/><title type='text'>Hakim Bey: um amante do caos na vernissage</title><content type='html'>Se é ou não coisa de adolescente pode ser discutido, mas é fato que boa parte do que se apresenta hoje no mundo da arte se parece muito com o que Hakim Bey chama de terrorismo poético – não fossem o tom politicamente correto e o essencialismo desfigurarem o que poderia ser ao menos sincero. O que o extravagante agitador norte-americano denomina terrorismo poético é muito semelhante ao que se tem chamado de artivismo: intervenções na rua que confrontem os transeuntes com atos inusitados, propiciando reflexões sobre política e sobre o cotidiano. O terrorista poético chega à arte ao tentar mudar a realidade; o artivista chega à realidade ao tentar mudar a arte, mas as práticas se assemelham muito.  Alguns exemplos extraídos do livro CAOS, de Hakim Bey: “poemas rabiscados nos lavabos dos tribunais, pequenos fetiches abandonados em parques e restaurantes, arte-xerox sob o limpador de pára-brisas de carros estacionados, slogans escritos com letras gigantes nas paredes de playgrounds, cartas anônimas enviadas a destinatários previamente eleitos ou escolhidos ao acaso (fraude postal)”, entre outros. O problema é que qualquer dessas ações poderia ser encontrada em uma exposição de arte contemporânea, e lá estaria muito confortável. Não são poucos os críticos de arte que pensam que o registro dessas intervenções devem substituir o interesse que antes se dava à pintura e à escultura. Hakim Bey discordaria: “Para que o TP (terrorismo poético) funcione, deve afastar-se de forma categórica de todas as estruturas tradicionais para o consumo de arte (galerias, publicações, mídia).” É evidente que, quando os interesses são confusos, o oposto pode funcionar melhor. Por mais que pareça bizarro, a subversão do cotidiano hoje faz com que os acadêmicos bem posicionados se sintam “sérios” ao dispô-lá no espaço museológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acadêmico-padrão só leva vantagem em relação a Bey por ter uma retórica mais pomposa, marcada por jargões redundantes e uma ideologia já bem disseminada entre seus colegas. Bey pode até mesmo, em alguns momentos, soar como um metaleiro entupido de haxixe, mas no mínimo é alguém que absorveu boa filosofia de vida antes de disparar suas idéias na cadência eletrizante que o faz popular entre os jovens. Se não há motivos para considerar Artaud, um interno de hospício, menos inteligente do que um intelectual médio, está na hora de considerar se um sobrevivente de Woodstock não pode ter uma compreensão de arte mais acurada do que os manipuladores do espetáculo. Ao menos é algo que merece ser discutido, o que de maneira alguma tem acontecido. A arte que se entende como a mais contemporânea deve muito ao dadaísmo, mas Hakim Bey me parece ser um dos poucos que levam em conta esse legado sem esvaziá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hakim Bey é o nome árabe de Peter Lamborn Wilson, convertido ao sufismo. Historiador de profissão, ele se especializou em sociedades paralelas e insurreições populares. Seu público-alvo é, sem dúvida, os jovens, o que me parece o mais acertado para quem esteja mais interessado em ação do que em requintes artistícos ou retóricos. Já nesse quesito, o artivismo perde pontos, na medida que se propõe a ser uma força direta de transformação da sociedade, mas defende sua causa com tanto hermetismo que jamais poderia mobilizar as pessoas de fora de seu circuito restrito. Uma diferença crucial é que, por mais que as expressões radicais de arte façam parte de seu repertório, Bey entendeu que a fusão entre arte e política só acontece quando já não nos remetemos mais ao mundo da arte. “Não faça TP para outros artistas, faça-o para aquelas pessoas que não perceberão (pelo menos não imediatamente) que aquilo que você fez é arte”. O sucesso dos PROVOS em Amsterdam ou dos Situacionistas em Paris se devem ao respeito a essa regra, e é para movimentos como estes que o terrorista poético está atento, muito mais do que para as pequenas ousadias de salão dos artivistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bey não fala em arte como quem espera sair na Artforum ou ser convidado para a Bienal de Veneza, mas simplesmente como tempero para seu neo-anarquismo. Tal como os Situacionistas, ele tem alguma noção de arte e se vale disso, mas já não está preocupado em pertencer à História da Arte. É para uma História das Resistências, em toda sua objetividade, que ele pretende colaborar. A estética é uma arma boa demais para não ser usada, pois é na confluência da contestação com a festa que um levante se torna libertário. A esses espaços de alegre ruptura com a lógica dominante Bey chama de Zonas Autônomas Temporárias, semelhantes às linhas de fuga de Deleuze. Bey vê com a mesma clareza que o filósofo francês o quanto os projetos totalizantes estão fadados ao fracasso, e propõe a única coisa que se pode fazer, que são as pequenas desestabilizações. Sua guerrilha é mais psicológica do que física, derrubando, com uma escrita pulsante, os símbolos de poder que estão na mente do leitor, e incitando-o a ajudar outras pessoas a passarem pelo mesmo através de atos “terroristas”. No Brasil, o grupo Delinquentes desenvolveu essa lógica com muito humor e com uma penetração considerável. Até que ponto o choque-estético transforma a vida das “vítimas” é difícil dizer, mas eu o considero uma espécie de contra-propaganda, que funcionam ao menos como convite para a reflexão. Os artivistas aparentemente também têm a mesma confiança que eu de que a guerrilha psicológica é interessante como micropolítica, mas pecam em primeiro lugar pelo essencialismo. De modo geral, eles pensam que estão fazendo Arte com A maiúsculo, o que não só é pouco convincente como reacionário. Ao darem tanta importância à figura mítica do artista em ações que pedem por capilaridade, eles neutralizam a experiência, colocam-lhe uma moldura. A assinatura, a legitimação artistíca passa a preceder a ação, que já não é mais relacionada com o cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afrouxa-se o laço com a imediaticidade do mundo quanto mais se aperta sua ligação com a História da Arte. A ação se aliena, passa por uma mediação que não se justifica. &lt;br /&gt;Não bastasse esse grave mal-entendido, os artivistas ainda fazem questão de propagar um tedioso moralismo em seus discursos. Giram muito em torno da culpa e da vitimização, não indo além de uma pequena economia sobre o peso da consciência. Hakim Bey é um porra-louca, mas ao menos possui uma desconfiança arguta: se ele percebe as armadilhas da sociedade do espetáculo, também não vê com bons olhos o mártir que exige sacrifícios. Quando ele propõe uma resistência menos abnegada, não está apenas considerando uma maior chance de adesão, mas também que, depois de Nietzsche, não é mais possível ver no bem e no mal princípios sólidos com os quais se possa orientar. Não são poucos os artistas e os “revolucionários” que ele classificaria como “policiais-sem-poder" - todo ódio e toda vergonha pelo mundo são coisas a se combater, não a se pregar. Hakim Bey me parece alguém que compreendeu muito bem a saúde nietzschiana e se dispôs a ajudar outras pessoas a alcançá-la. Não é mais do que isso que o terrorismo poético pretende, o que me soa mais decente do que se aproveitar da condição de rebanho dos outros para manobrá-los. “Esmague os símbolos do Império, mas não o faça em nome de nada que não seja a busca do coração pela graça".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos termos mais interessantes de Hakim Bey é o anarquismo ontológico. Com isso, ele quer dizer que tudo o que está vivo tende ao caos, ao passo que os valores da nossa civilização se baseiam na negação do desejo. Sendo assim, a vontade de se contrapor à ordem dominante não precisa de qualquer ideologia. Sua aposta na espontaneidade e na liberdade fazem com que ele compreenda o espírito do Cabaret Voltaire muito melhor do que os sisudos neo-dadaístas.  Nosso mundo pode estar tomado por caos negativo, mas é ilusória qualquer tentativa de miná-lo pela imposição de uma ordem. O caos é anterior à sociedade – até mesmo a Segunda Lei da Termodinâmica prevê a tendência para a entropia – mas nem por isso devemos nos render ao niilismo. Se não há como derrubar o poder, cada sujeito que se sinta um “anarco-monarca”, seguindo suas próprias leis e criando suas linhas de fuga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo curioso é que ele, por mais que estimulasse o caos, era sensível o bastante para rejeitar toda manifestação de arte onde haja sofrimento inútil, a começar pela auto-mutilação, como nos experimentos radicais de &lt;i&gt;body art&lt;/i&gt;. Creio que não se tratava apenas de incômodo pessoal, mas de uma posição contra a negatividade que não cabia em sua visão de caos positivo. Não é fácil distinguir o caos positivo do negativo, e não creio que se possa chegar a essa sensibilidade sem um certo apreço pelos ritmos e pelas formas, entendendo quais que fluem desimpedidos e quais derivam da auto-repressão. Tal percepção é tão sutil que me faz pensar – e nisto estou de acordo com Harold Rosenberg – que mesmo a guerrilha poética mais radical ainda requer a sobrevivência da arte enquanto atividade autônoma e potente. Somente na rua se dá a verdadeira fusão entre arte e política – no cubo branco das galerias isso sempre tem algo de ridículo – mas o guerrilheiro da contracultura ainda precisa da velha arte como influência. Na verdade, a grande arte e o terrorismo poético são um o limite e o complemento do outro. Ambos contribuem para uma vida mais plena, embora de maneiras distintas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, os artivistas deveriam ler um texto de Bey chamado &lt;a href="http://hakimbey.blogspot.com/2006/12/vernissage-bem-arte-morreu-e-agora.html"&gt;Vernissage&lt;/a&gt;, onde ele mostra toda sua descrença na vanguarda elitista. “Não é o suficiente ocupar&lt;br /&gt;um pedestal sagrado e especial chamado Arte de cima do qual se zomba da&lt;br /&gt;estupidez e injustiça do mundo ‘quadrado’. A arte é parte do problema.” Ele recomenda que todos evitem ganhar a vida com arte, embora não seja autoritário a ponto de fazer disso a bandeira hipócrita que alguns artivistas fazem. Melhor do que pensar que a grande questão seja essa, ele faz a lista do que não interessa a quem faz sua maior aposta no desejo, dentro ou fora do circuito: “Morbidez sem sentido, niilismo cínico, tendências de frivolidade pós-moderna, reclamar/praguejar/resmungar (o culto liberal da ‘vítima’), exaustão, hiperconformidade irônica Baudrillardiana; nenhuma destas opções é séria o suficiente, e ao mesmo tempo nenhuma é intoxicada o bastante para servir aos nossos propósitos, muito menos merecer o nosso riso”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-2863395075971528734?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/2863395075971528734/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=2863395075971528734' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2863395075971528734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/2863395075971528734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2008/10/hakim-bey-um-amante-do-caos-na.html' title='Hakim Bey: um amante do caos na vernissage'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-8907061138144393360</id><published>2008-09-23T16:40:00.000-03:00</published><updated>2008-09-23T18:32:57.688-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Conto inédito na Terra Incógnita</title><content type='html'>Acabou de sair o primeiro número da revista virtual Terra Incógnita, editada por &lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href=" http://www.verbeat.org/blogs/posestranho/"&gt;Fábio Fernandes&lt;/a&gt; e &lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://human2dot0.wordpress.com/"&gt;Jacques Barcia&lt;/a&gt;. A linha editorial deles é muito boa: querem deixar para trás os grandes clichês da ficção científica e mostrar uma produção que não se restrinja a este nicho quase invisível. O desafio é oferecer mais do que literatura "de genêro" e estabelecer um diálogo de igual para igual com a literatura contemporânea. Nas palavras deles, "explodir as espaçonaves clarkeanas, desprogramar os robôs asimovianos, desvendar as farsas dos códigos davincis e tirar a titia Úrsula K. Leguin para dançar forró."&lt;br /&gt;Eu venho pensando que a ficção científica vai ganhar uma importância enorme nos próximos anos, principalmente com as descobertas que o LHC, o acelerador de partículas de Genebra, pode nos proporcionar. Os físicos estão a poucos passos de desvendar alguns mistérios que prometem transformar completamente nossa maneira de pensar e sentir. Não se trata de mera elocubração nerd, é bem provável que logo mais você abra o jornal e descubra que vive em mais do que quatro dimensões! Ou fique estarrecido com novidades sobre a tal da anti-matéria. Também sobre a evolução do universo se esperam algumas notícias. Tudo isso me faz crer que o século XXI vai ser dos mais empolgantes da História, e que todo escritor deveria prestar atenção à revolução que a ciência está prestes a realizar. &lt;br /&gt;Meu conto na revista se chama &lt;em&gt;Emaranhamento&lt;/em&gt;, um fenômeno que deixava Einstein assombrado e até hoje não foi explicado. Trata-se da influência entre partículas a uma distância potencialmente infinita, o que contraria os princípios da Teoria da Relatividade. Pensando nisso, escrevi sobre o "emaranhamento" de duas pessoas que se distanciam, mas continuam a influir uma sobre a outra.&lt;br /&gt;Outros autores desta edição são Carlos Orsi, Guilherme Kujawski, Fábio Fernandes e Ekaterina Sedia. É só clicar &lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.verbeat.com.br/terraincognita/"&gt;aqui&lt;/a&gt; e aproveitar a leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs: continuo devendo o texto sobre Hakim Bey. Meu maior inimigo tem sido o tempo (o presente mesmo, quanto ao futuro eu ando otimista). Assim que eu tiver uma brecha, cometo a insensatez de falar sobre essa criatura maldita.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-8907061138144393360?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/8907061138144393360/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=8907061138144393360' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/8907061138144393360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/8907061138144393360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2008/09/conto-indito-na-terra-incgnita.html' title='Conto inédito na Terra Incógnita'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-7475992519179696675</id><published>2008-09-19T13:50:00.000-03:00</published><updated>2008-09-19T14:45:06.242-03:00</updated><title type='text'>Domingo: Pecha Kucha Night!</title><content type='html'>O Fábio Fernandes, uma das figuras mais raras da ficção científica, me convidou para este evento, &lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2688&amp;cd_materia=615"&gt; Pecha Kucha Night&lt;/a&gt;, que é parte do &lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2688&amp;cd_materia=640"&gt;Invisibilidades&lt;/a&gt;. Eu achei que a proposta tem muito a ver com o que eu estou fazendo agora, topei o desafio. Como é que funciona esse evento de nome engraçado? A apresentação é multimídia, 20 imagens devem se relacionar com uma fala, uma leitura em voz alta ou uma performance... É uma boa chance para mostrar um pouco do &lt;em&gt;Puro Enquanto&lt;/em&gt;, que vai ter essa interação entre linguagens diferentes - texto e imagens. &lt;br /&gt;Eu ainda me sinto meio virgem quando me apresento em público, mas vou fazer o possível para não decepcionar. Falta muito pouco para concluir o livro, e para mim mesmo vai ser ótimo ver as imagens ampliadas e arremessar algumas palavras.&lt;br /&gt;Apareçam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo 21 setembro 20h20&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sala Itaú Cultural | Avenida Paulista, 149 - Paraíso&lt;br /&gt;São Paulo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-7475992519179696675?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/7475992519179696675/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=7475992519179696675' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7475992519179696675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/7475992519179696675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2008/09/domingo-pecha-kucha-night.html' title='Domingo: Pecha Kucha Night!'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-5686505574452898998</id><published>2008-09-14T13:08:00.000-03:00</published><updated>2008-09-14T14:37:31.858-03:00</updated><title type='text'>Yahoo falhando</title><content type='html'>Se alguém, nos últimos dias, me mandou um e-mail que ficou sem resposta, tente mais uma vez e cruze os dedos: se o e-mail chegar, terei o maior prazer em ler e responder. Eu ando pensando se abro ou não este blog para comentários, mas ao menos os e-mails eu sempre respondo. Ultimamente algumas pessoas têm reclamado, mas é o serviço do Yahoo que não está funcionando bem. &lt;br /&gt;Engraçado é que nunca deu problema até eles lançarem a campanha do "eclipse do Yahoo"... não sei se as mudanças no sistema é que não foram bem implementadas ou se a própria lua se vingou da megalomania do departamento de marketing deles. Quem tem conta no Yahoo passou cerca de um mês recebendo pop-ups em que os publicitários se animaram tanto que já acreditavam na sua própria conversa fiada: o Yahoo prometia nada menos que um eclipse real da lua! &lt;br /&gt;Não entendi bem se para isso eles recorreriam a parafernálias sci-fi ou a poderes concedidos pelos deuses, mas na prática não era mais do que &lt;em&gt;teaser &lt;/em&gt;para o Yahoo Posts. Quem quiser perder um pouco de tempo, vai encontrar mais de 100 blogueiros linkados ao Yahoo que, de tão bons, mereciam mesmo uma comemoração ultra-planetária. &lt;br /&gt;Eu não resisti e dei uma olhada em alguns dos blogs. O que esperar, por exemplo, de um blog chamado &lt;em&gt;Liberal Libertário e Libertino&lt;/em&gt; em meio a esta constelação? Só precisei ler um pequeno trecho para saber que nunca mais serei assaltado por esta curiosidade mórbida: "No fim da tarde, sentei no sofá, todo feliz e suado, e tive uma realização profunda: mais vale uma casa limpa que um post bem escrito".&lt;br /&gt;Visitei mais alguns blogs, e ao menos me parece que a mega-corporação não está impondo seu controle ao conteúdo dos blogueiros. Acredito nisso pela quantidade de erros de português que encontrei - "mais" em vez de "mas", entre outras pérolas preciosas. Fiquei contente em saber que a empresa não vê como um problema a liberdade de expressão de seus escribas. Hoje em dia as empresas são mais progressistas, já não temem a independência de espírito e incentivam discussões agudas. Tomemos como exemplo a descrição do blog &lt;em&gt;Melhor amiga&lt;/em&gt;: "Sabe todos aqueles clichês que você conhece do universo feminino? Nós somos todos eles. Ou não..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mirisolismos à parte, minha caixa de e-mail já funcionou melhor. Vou insistir um pouco mais no Yahoo só para evitar o transtorno de avisar todo mundo, mas se o serviço continuar com defeitos, vou mudar de conta de e-mail. POr enquanto, sigo com o ivan_hegen@yahoo.com.br &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só mais um recado: eu falei bastante de terrorismo poético no último post. O mais cedo que eu puder, quero explicar melhor a pop-filosofia de Hakim Bey e deixar claro porque, pop ou não, é mais promissora para a arte do que a pseudo-filosofia da anti-arte. Ao menos o que ele propõe não aponta para bienais deprimentes nem para o caos negativo da pixAção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-5686505574452898998?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/5686505574452898998/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=5686505574452898998' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/5686505574452898998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/5686505574452898998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2008/09/yahoo-falhando.html' title='Yahoo falhando'/><author><name>Ivan Hegen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14442347958989442727</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30659259.post-4397946801753701116</id><published>2008-09-09T22:55:00.001-03:00</published><updated>2010-08-31T12:54:45.406-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Artigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Terrorismo poético'/><title type='text'>Terrorismo poético ou oportunista?</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SMm-TEEsJcI/AAAAAAAAAIY/dIBFe01atoM/s1600-h/choque.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5244932475769857474" src="http://4.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/SMm-TEEsJcI/AAAAAAAAAIY/dIBFe01atoM/s400/choque.jpg" style="cursor: pointer; display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que fiquei sabendo da última investida de Rafael Augustaitiz, muita coisa me passou pela cabeça - inclusive se valia a pena publicar qualquer coisa a respeito. Eu &lt;span style="font-size: 0pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://ivanhegenberg.blogspot.com/2008/06/vandalismo-e-arte_16.html"&gt;já havia escrito&lt;/a&gt; sobre a invasão na Faculdade de Belas Artes, quando ele e quarenta amigos picharam as paredes da instituição e definiram o ato como um "trabalho de conclusão de curso". No último sábado, o alvo foi a Galeria Choque Cultural, especializada em arte urbana e grafite, onde ele e seu bando danificaram dezenas de obras alheias. No primeiro ataque, eu deixei claro o quanto me parecia bisonho que um ato de vandalismo reivindicasse a anuência da academia, e o quanto isso era sintomático de uma crise mais antiga no pensamento da arte contemporânea. Algumas pessoas do meio artistíco defenderam o rapaz, o que só prova que a anti-arte faz parte de uma lógica disseminada. Meses depois, nesta ação contra uma galeria comercial, ao menos a contravenção não parece pedir elogios da parte das vítimas. Se o bando que pretende "discutir os limites da arte" falhou ao tentar obter um diploma universitário para seu líder, tampouco se esforça para obter a simpatia de muitos artistas considerados alternativos, que viam nessa galeria a maior esperança de sair das ruas para o estrelato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu dei uma olhada no &lt;span style="font-size: 0pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/rafaelpixobomb.blogspot.com/"&gt;blog do Rafael&lt;/a&gt;. A primeira coisa que me ocorreu foi procurar incongruências, apontar o quanto ele, apesar da iconoclastia, procura um lugar ao sol, o quanto ele quer reconhecimento de seus pares e mecenas bacanas patrocinando o que ele está fazendo. Exatamente como os artistas que ele ataca. A verdade é que, nos tempos niilistas em que vivemos, a auto-destruição da arte é a epítome do que se tem prestigiado nos salões, com tanta insistência que não sobrou muito para se destruir. Rafael não é mais contraditório que os artistas contemporâneos, apenas levou a cabo o que os outros vêm deixando no campo da sugestão. No fundo, acho bom que isso tenha acontecido, talvez obrigue as pessoas a pensarem até o fim o que só interessava pensar pela metade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu não estou fora disso. A maneira como penso arte hoje em dia não pode ser entendida sem o contato que tive com o terrorismo poético - que o Rafael cita sem saber do que se trata, do contrário diria "anarquismo ontológico" em vez de "antológico". Se eu vislumbro coisas que os acadêmicos têm dificuldade de enxergar, devo muito à minha leitura de Hakim Bey, ao grande impacto que me causou &lt;span style="font-size: 0pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/www.delinquente.blogger.com.br/"&gt;Ari Almeida&lt;/a&gt; e à experiência de sair da retórica para a ação. Também tive minhas experiências com a subversão do cotidiano, mas tive a decência de não chamá-la de arte. O terrorismo poético que eu conheci, para quem não sabe do que estou falando, tem muito mais generosidade do que destruição pela destruição. A anti-arte é um discurso do ressentimento, nos afasta de Dionísio, ao passo que o terrorismo poético propõe o choque como maneira de despertar a consciência dos desavisados, de proporcionar um pouco de poesia a quem jamais entraria em uma galeria de arte. Uma das sugestões de Hakim Bey é invadir as casas alheias, mas, em vez de roubar, deixar objetos desconcertantes. Sem  dúvida, essa proposta influenciou o filme &lt;i&gt;Edukators&lt;/i&gt;, mas conheci quem o fizesse na prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entrei em contato com o &lt;span style="font-size: 0pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://ivanhegenberg.blogspot.com/2007/12/para-o-maior-terrorista-potico-do.html"&gt;maior terrorista poético do Brasil&lt;/a&gt;, Ari Almeida, apesar de estar cometendo meus próprios crimes poéticos, eu pensei que ele iria me ignorar ou me mandar à merda, simplesmente porque eu continuava me interessando por pintura e outras artes comerciais. O discurso que mais zumbiam na minha orelha era o detestável pós-modernismo de faculdade, e me surpreendi ao saber que a radicalidade do Ari, muito mais ampla do que a dos artistas contemporâneos, não precisava da tal da &lt;i&gt;morte da pintura&lt;/i&gt;. O grande barato é não se importar com dogma nenhum, e logo notei que mesmo quando nos diferenciávamos nos métodos, nós buscávamos coisas parecidas. Mais surpreso ainda eu fiquei quando ele me disse que adorou um dos meus artigos sobre arte, justamente porque sentiu que eu lhe dava &lt;i&gt;alfinetadas&lt;/i&gt;. Era &lt;span style="font-size: 0pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://ivanhegenberg.blogspot.com/2008/03/no-vida-e-superao-da-anti-arte.html"&gt;Não-vida e a superação da anti-arte&lt;/a&gt;, onde eu tentei distinguir os objetivos de qualquer militância criativa e os das artes plásticas. Fiz isso justamente para evitar essa institucionalização do caos que vejo imperar na arte contemporânea. Afinal, qual o sentido de uma transgressão consentida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdade que meu número de pinturas é maior que o número de ataques que realizei, mas sempre foi uma questão de honra deixar meus atos de terrorismo poético fora do meu portfólio de artista. Eu jamais cobraria nota na faculdade para o que aprontei na rua ou pediria ao Ivo Mesquita para expor na Bienal. O marasmo crítico chegou a tal ponto que eu poderia muito bem fazê-lo e estar em sintonia com o que há de mais "vanguardista", mas me recuso a agir assim por um motivo muito simples. Eu adoraria ver a subversão do cotidiano se espalhar ao máximo, em vez de confiná-la ao meio artistíco. Foram ações não-autoritárias, é bom deixar claro. O que eu fiz nas ruas - ataques críticos-poéticos a shoppings e a lanchonetes - qualquer um que queira se sentir menos passivo pode fazer, e acho que ao menos os jovens deveriam tentar, com a naturalidade de quem combate o próprio tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, confesso que para mim mesmo não é tão fácil entender como posso ter me apaixonado por duas atividades que a princípio parecem concorrer uma contra a outra. Faz sentido se influenciar igualmente por Ari e por Kandinsky? Ou dar atenção a Hakim Bey sem perder de vista Guimarães Rosa? É por isso que a pergunta do título acima não se dirige tanto a Rafael e seu bando. Nem para os grafiteiros alternativos que, segundo o movimento PixAção, traíram a verdadeira arte de rua ao colocarem seus trabalhos à venda. É a mim mesmo que questiono. Como posso realizar pinturas, ou seja, arte em seu sentido mais convencional, depois de já ter deixado Matisse e Miró de lado e ter ido para a rua? Depois de ter despejado a criatividade numa militância muito mais frontal do que a de uma tela? Pior que isso: o que eu devo fazer se, a partir da publicação do &lt;i&gt;Puro Enquanto&lt;/i&gt;, a demanda por óleos de Hegenberg se tornar maior que a demanda por óleo de baleia? Moralismos e ideologias à parte, o Ivan de hoje, ainda não muito famoso e com apenas 28 anos, não gostaria de ser desapontado por um Ivan veterano, que ao se afogar em mares de dinheiro se esqueça do quanto a arte pode ser potente. Não posso garantir muito sobre quem eu serei no futuro - e quem é que pode? - mas não acho que todo artista que finalmente consiga viver de arte se esqueça completamente de como era quando começou. Além do mais, para mim não há opção: o que eu crio é sério o bastante para consumir uma quantidade enorme de tempo e energia, a ponto de até hoje eu não ter conseguido conciliar arte com uma profissão estável. Vivo de free-lances para ter algum tempo livre, mas vivo mal. Talvez os moralistas preferissem que eu fosse um artista ainda mais "atitude", que eu passasse a vida inteira sem vender uma peça, mas a obra que eu tenho para criar não é compatível com horários de &lt;i&gt;hobby&lt;/i&gt;. Se eu não conseguir transformá-la em ganha-pão, aí sim estarei fazendo a maior concessão: pintar e escrever muito menos do que eu poderia, ficar aquém de onde posso chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem por isso acho que os problemas se resolvam tão facilmente. Acho que, apesar das contradições, Rafael aponta para uma angústia genuína. Não seria mal um pouco de humildade da nossa parte: o cara está disposto a enfrentar polícia para dar seu recado, não precisamos pensar que seja tudo encenação. É bom saber que nem tudo é retórica - ainda há quem se incomode quando o comércio sufoca as sempre pequenas possibilidades de a arte permanecer honesta. Não concordo com o autoritarismo de seu método, mas a apatia geral também seria tão triste quanto. É bem provável que Rafael tenha lido a mesma matéria que eu, na Folha de São Paulo da semana passada: o dono da galeria atacada falando de arte como quem fala de ações na bolsa. Baixo Ribeiro, o galerista, demonstrava sua animação com os colecionadores iniciantes que, segundo ele, ganham gosto por arte ao constatar, após um par de anos, que as peças que haviam comprado estão se valorizando. Até o galerista de um espaço alternativo diz que é a rentabilidade que deve levar uma pessoa a apreciar arte? Pensando no quanto o valor de uma obra vem se reduzindo ao seu valor de mercado, também me passa pela cabeça alguma maneira de desestabilizar esse esquema. No entanto, acho que se chega mais longe com um mínimo de sutileza. Aliás, este post já é bem menos sutil do que eu gostaria.Se eu não testemunhasse o quanto não estão entendendo nada, eu não teria que ser tão explícito, não precisaria dizer que a cada artigo que escrevo me parece mais plausível abalar o pregão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vai acontecer quando finalmente os colecionadores perceberem que 90% da arte contemporânea é pura enganação? Isto sim, pode causar muito mais impacto do que a destruição física de algumas pinturas. Muita gente perdendo dinheiro muito rápido - basta deixar claro o que é arte de verdade, para que a desvalorização do que não presta seja estrondosa. O único jeito de fazer isso é através de um pensamento que se mostre mais sofisticado do que os discursos que se ramificaram da anti-arte. Não me parece tão difícil de fazê-lo: se não engolirem o moleque de 28 anos que constatou que a subversão funciona melhor fora do circuito, são muitos os intelectuais mais "respeitáveis" que apontam para a fragilidade da arte pós-moderna. Basta reavivar os melhores livros de Harold Rosenberg. Ou fazer uma leitura decente de Nietzsche, de Lacan, de Deleuze, de qualquer um que tenha pensado o ser humano com este nível de complexidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já que queremos todos parecer tão ousados, e já que calhou de eu só conseguir escrever este artigo em um 11 de setembro, termino com uma pequena sugestão para todos os artistas do ressentimento. Em vez de agir só com sinal negativo (sempre moralmente, sempre reclamando de que arte não deveria dar aos mãos ao comércio, etc), por que não agir de forma mais potente, com sinal positivo? Por que não usar o enorme montante que a arte consegue proporcionar a uma pessoa (e, supostamente, uma pessoa com consciência crítica) de uma maneira que desnorteie o &lt;i&gt;status quo&lt;/i&gt;? Até o Bin Laden, fanático e anêmico, é mais interessante do que vocês: por mais que ele detestasse os dólares, juntou muitos deles para organizar um ataque eficaz. Longe de mim fazer apologia à violência, mas vocês não conseguem ver que a partir de certo ponto o enfrentamento não se dá mais internamente, não se faz na obra de arte? Nas artes visuais já está mais do que provado que não, o autoritarismo também não interessa, mas e quanto a um terrorismo verdadeiramente... poético?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Mesmo quem não for fiel à deusa da discórdia, peço que faça uma oração para Éris em nome do Ari, que está com um problema grave no rim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30659259-4397946801753701116?l=ivanhegenberg.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/feeds/4397946801753701116/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30659259&amp;postID=4397946801753701116' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4397946801753701116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30659259/posts/default/4397946801753701116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ivanhegenberg.blogspot.com/2008/09/te
